As duas mortes de Jimi Hendrix

18/09/2014

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Revista NOIZE

Por: Revista NOIZE

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18/09/2014

James Marshall Hendrix foi o segundo de uma onda de mortes trágicas que levou embora quatro grandes ídolos do rock, depois de Brian Jones (†3/7/1969) e antes de Janis Joplin (†4/10/1970) e Jim Morrison (†3/7/1971). A morte de todos eles esteve relacionada, de uma forma ou de outra, com seu consumo abusivo de diversos narcóticos, mas os detalhes que cercam suas circunstâncias são alvo de debates calorosos que dividem os fãs até hoje, dia em que sua morte completa 44 anos.

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Antes de mais nada, vamos aos fatos: Hendrix foi declarado morto às 12h45 do dia 18 de setembro de 1970, no hospital de St. Mary Abbot, em Londres. Quanto a isso, não há dúvidas. Sabe-se que o músico passou boa parte do dia 17 com Monika Dannemann, uma patinadora alemã que, depois da morte de Hendrix, namorou o guitarrista do Scorpions, Uli John Roth. Foi Monika quem encontrou Hendrix desacordado em seu apartamento e chamou uma ambulância às 11h18. A conclusão do exame post-mortem foi de que ele morreu asfixiado no próprio vômito intoxicado por barbitúricos. Por falta de evidências, o exame não pôde determinar se o caso foi um suicídio ou não. Monika sempre afirmou que isso só aconteceu porque Hendrix havia tomado nove comprimidos do seu Vesparax, remédio sonífero que ela tinha com prescrição médica. Essa quantidade seria 18 vezes a dosagem recomendada.

Hendrix e Monika aparentemente  felizes

Hendrix e Monika aparentemente felizes

Mas há alguns pontos que turvam essa versão com suspeitas… Às 1h45 da madrugada anterior à morte, Monika deu uma a carona a Hendrix até uma festa onde ele tomou pelo menos um tablete de anfetamina. Por volta das 2h15, ela apareceu na festa perguntando pelo guitarrista e alguns convidados disseram para ela ir embora. Monika se recusou, exigiu ver Jimi, e várias pessoas gritaram para que ela se retirasse. Segundo Angie Burdon, mulher de Eric Burdon do Animals, Hendrix se irritou com Monika porque ela não o deixava em paz. Por volta das 3h, Jimi se encontrou com Monika, gritou com ela, e ambos foram embora de forma repentina. No apartamento do guitarrista, Dannemann disse que às 4h o guitarrista teria lhe pedido comprimidos para dormir porque ainda estava muito acordado pela anfetamina, o que ela teria recusado, mas teria tomado um para si mesma. Pelas 10h, ela disse que acordou e viu o músico dormindo normalmente, saiu para comprar cigarros e, quando voltou, pelas 11h, encontrou ele inconsciente, mas ainda respirando. E foi aí que ela teria chamado a ambulância, que chegou no hospital às 11h45.

Porém, o Dr. John Bannister, um dos médicos que recebeu Jimi na ocasião, afirmou que “ele estava frio e azul, com todas as características de alguém que já estava morto há um tempo”. Em 2009, Bannister afirmou também achar plausível a teoria de que ele havia sido assassinado a mando de seu empresário Mike Jeffrey. Um roadie que trabalhava para Jeffrey chamado James Wright escreveu no seu livro Rock Roadie que, nas primeiras horas do dia 18, um grupo de pessoas teria entrado no apartamento onde Hendrix estava e forçado ele a tomar os 18 comprimidos de Vesparax junto com uma quantidade enorme de vinho tinto até que ele apagasse. Wright disse que Jeffrey admitiu a ele que ordenou o crime após fazer em seu nome um seguro de vida pro músico de £2 milhões. O Dr. Bannister disse que essa hipótese poderia fazer sentido porque ele encontrou no corpo de Hendrix um volume completamente absurdo de vinho. “A quantidade de vinho dentro dele era extraordinária. Não apenas o seu cabelo e sua camiseta, mas seus pulmões e seu estômago estavam cheios de vinho. Eu nunca tinha visto tanto vinho. Ele já tinha vomitado um monte e ainda tinha quase meia garrafa de vinho no seu cabelo”, afirmou o médico.

Monika Dannemann pouco antes de sua morte

Monika Dannemann pouco antes de sua morte

Se tudo isso aconteceu desse jeito, Monika obviamente teria sido cúmplice. Mas como ela cometeu suicídio em 1996, aos 50 anos, as suspeitas contra ela dificilmente poderão ser comprovadas – ou desmentidas. Será que ela não aguentou a pressão de ser acusada pela morte do seu amor? Ou será que ela não aguentou a culpa de ter feito isso?

Como o mistério faz parte das melhores histórias, é provável que a verdade factual sobre o caso nunca venha à tona. O mais importante sobre tudo isso é que, seja como for, Jimi Hendrix não morreu porque sua obra e seu legado são imortais. Ouça nossa playlist abaixo só com covers dele que provam isso. Até porque ele mesmo disse: “Quando eu morrer, quero que as pessoas toquem minhas músicas, enlouqueçam e façam tudo que elas queiram fazer”.

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18/09/2014

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