Caribou aquece a noite fria de São Paulo

23/03/2017

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Rafael Hysper

Por: Rafael Hysper

Fotos: Fabricio Vianna para Popload

23/03/2017

Em janeiro desse ano foi anunciado um dos shows mais esperados por muitos indivíduos tupiniquins, o espetáculo do gênio canadense Dan Snaith, mais conhecido pelo seu projeto multi gêneros Caribou. Assim, de lá pra cá, foi muita ansiedade e expectativa envolvida. Queridinho de todos, desde os hipsters aos mais fritos baladeiros, persona que tem entre os seus fãs gente como Thom Yorke, além de figura carimbada entre os melhores eventos e festivais de música do mundo, se apresentou na última quarta, no Cine Joia em São Paulo. Marcando sua segunda visita ao país, Snaith fez show único no Brasil dessa vez, dentro da 48ª edição do Popload Gig, iniciativa em formato de guerrilha do jornalista Lúcio Ribeiro.

A casa abriu pontualmente no horário previsto, mas sem muita aglomeração na porta, já que o show principal estava previsto somente para as 22h30. Aos poucos, algumas cabeças iam aparecendo e criava-se uma pequena pista. Cerca de uma hora depois do início oficial, começa o show da Aldo The Band, em sua terceira vez nas festividades do selo Popload, mas com uma plateia ainda tímida que ia entrando para escapar do frio.

Logo em seguida, o palco do headliner começava a tomar forma com uma montagem rápida e uma pequena passagem de som. Dan e seu trupe começaram a anestesiar os presentes, que já eram numerosos naquela hora. Por volta das 22h40, Caribou tomou forma e iniciou seu espetáculo sonoro. Uma das atrações mais legais que aquele palco já havia recebido. Já na primeira canção, um mito da música eletrônica experimental e quase orgânica encheu nossos ouvidos do que há de melhor na música atualmente. Confesso que sou fã absoluto do cara, mas escrevo sem nenhum exagero, o show teve um início surreal!

Caribou ao vivo faz show com banda, um quarteto quase sincronizado, Dan orquestrando tudo enquanto toca seu sintetizador e solta sequências com um sampler, além de vezes dar uma palinha na bateria ou como cantor. O show tinha três bumbos de bateria, um deles a frente do baixista, além de, claro, o do baterista oficial. E o que dizer do baterista? Como um amigo comentou, ele parecia até um robô, tocando ali sem falhas, com uma bateria acústica e uma eletrônica ao mesmo tempo, comandando a base das músicas e suas mudanças de bpm, trocas quase invisíveis, e ele sempre cheio de energia. Completava o palco o guitarrista tímido, porém muito eficiente e atento aos movimentos de seus companheiros. A turnê atual celebra o bem sucedido disco Our Love (2014), cheio de sucessos de critica e público como “Can’t Do Without You” e “Silver”, além de muitas outras do famoso álbum de 2014. Mas também rolaram algumas surpresas, como faixas do disco Swim, material de 2010 que colocou Caribou em evidência.

Todos os integrantes vestiam suas habituais roupas brancas, além de trazer uma iluminação simples, deixando de usar as projeções tão famosas do Cine Joia. Mesmo assim houve um impacto visual minimalista e energético bem eficiente em mais de uma hora de show. Tanto na experiência visual, quanto na sonoridade, lembrou muito os shows da banda belga Soulwax, outra grande representante de qualidade ao vivo dentro música eletrônica.

Se o show estava impecável, o público também merece muitos elogios, já que o clima era de respeito e diversão. Geral alegre, dançando, cantando quando tinha letra, olhares brilhantes e muita harmonia esquentavam a noite e os corações de uma plateia conectada. A noite era tão diferente do comum, que o público se soltava cada vez mais, inclusive tinha um cara lambendo o chão de alegria. WTF? Sério,isso aconteceu de verdade!

Quando acabou, o sentimento era de estar completo e ao mesmo tempo vazio. Entusiasmo e gostinho de quero mais resumem o sentimento da noite passada, no qual se pode ver um grande produtor de música experimental e de vanguarda em seu ápice de criatividade, mostrando que a música, seja feita por computadores ou com dezenas de instrumentos físicos, tem a mesma finalidade: preencher nossa alma. E como alguém disse na pista: “Esse misto de Underworld com Tame Impala, é foda”, em meio a batidas 4×4 pesadas e timbres psicodélicos, dançando ou não, sempre se ouvia um baixo bem swingado.

O doutor em matemática nos proporcionou uma noite excelente. Agora por favor, dica de amigo, tragam o SBTRKT e o Neon Indian, talvez valha ressuscitar o Delphic também. Nós agradecemos.

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23/03/2017

Um tanto jornalista, fotógrafo e amante das artes, principalmente cinema. Divide seu tempo como DJ e produtor musical, além de pesquisador fanático de música e cultura pop, quase um workaholic. É #TeamMarvel, mas seu personagem preferido é o Batman e o jogo favorito, Zelda (claro!). Apaixonado pela cultura sneakerhead e lifestyle urbano.
Rafael Hysper

Rafael Hysper