Courtney Barnett e Edward Sharpe and The Magnetic Zeros no Popload Gig

17/11/2016

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Por: Emily Canto Nunes

Fotos: Camila Mazzini

17/11/2016

Em mais uma comemoração aos dez anos do site Popload, Courtney Barnett e Edward Sharpe & The Magnetic Zeros fizeram uma dobradinha sem o menor sentido, mas que aparentemente agradou aos fãs de ambos. Na noite desta quarta-feira (16) o Audio Club, em São Paulo, recebeu as bandas que só em um festival, daqueles grandes, talvez compartilhassem o mesmo palco.

Não que isso seja um problema. Para quem ficou até o final a impressão era de que grande parte dos fãs da australiana foi embora antes mesmo da banda norte-americana subir ao palco. Já os fãs de Edward Sharpe & The Magnetic Zeros pareciam ter chegado apenas para o segundo tempo do evento. E tudo bem, afinal, essa foi a primeira vez de ambos no país e, fora a coerência na combinação, ninguém ficou devendo nada para ninguém.

A cantora indie Courtney Barnett abriu a noite com “History Eraser”, como vem fazendo durante toda a turnê. Sem palheta e acompanhada apenas de um baterista (que lembra o Beto Bruno) e de um baixista que mal se via o rosto por trás das longas madeixas, Courtney mostrou como e porque conquistou a fama tão cedo.

Meio grunge, meio indie, vestindo a camiseta de uma banda de Melbourne (Harmony), Courtney mesclou faixas de The Double EP: A Sea of Split Peas (2013) como o hit “Avant Gardener” com canções como “Elevator Operator” e “Depreston”, do álbum “Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just” Sit (2015). Com a música que mais parece falar aos corações dos fãs, “Nobody Really Cares If You Don’t Go to the Party”, Courtney encerrou o show de luzes psicodélicas e projeções de desenhos coloridos. A cantora, que mal falou com o público e só parava para agradecer quando trocava de guitarra, fez quase uma hora de show, mas deixou o público do Audio Club querendo mais.

Mais de um hora depois, os dez integrantes de Edward Sharpe & The Magnetic Zeros finalmente subiram ao palco ao som de aplausos ansiosos que não pareciam vir da mesma plateia blasé que antes curtia os solos de Courtney Barnett. Palmas ritmadas antecederam a entrada de Alex Ebert, o famoso carismático líder da banda que logo botou todo mundo para dançar com “Man on Fire”, do álbum Here (2012).

Como já é de costume nos shows da big band folk, de cara Alex Ebert perguntou ao público o que eles queriam ouvir e emendou hits como “40 Days Dream”, de Up from Below (2009), e a própria música que dá nome a um dos primeiros álbuns da banda. Na plateia, os fãs não apenas pareciam gostar do improviso no setlist, como se entregavam a cada música e interação do líder da banda. Impossível assistir a um show de Edward Sharpe & The Magnetic Zeros e não fazer referência a um culto religioso quando vemos o público cantando em coro, erguendo as mãos, e Alex, que tem feições parecidas com aquele Jesus loiro e de olhos azuis que conhecemos, cantando cercado de seus discípulos.

Persona, o álbum mais recente da banda e o primeiro feito em conjunto por todos os dez integrantes, quase não apareceu no show. Teve “Wake Up The Sun”, que o público fiel até acompanhou, mas foram os greatest hits que levaram a plateia a loucura. Alex, que desceu para a pista e até entregou o microfone na mãos dos fãs para quem cantassem junto, pediu mais de uma vez desculpas pela demora da banda em vir ao país.

Assim como Courtney, que se arriscou em uma ou duas músicas mais lentas como “Three Packs a Day”, a música do miojo, Alex e sua trupe também provocaram pausas com canções mais calmas como “Truth”, do álbum solo do frontman, e “If I Were Free”, de 2013. Mas foi, obviamente, com seu próprio hino hippie que a banda colocou todo mundo, até quem só tinha ficado por curiosidade, para cantar em coro e pular sem parar. “Home” foi uma verdadeira catarse para os fãs, especialmente para algumas que subiram ao palco e contaram histórias que tinham com música, outro clássico dos shows. Foi a deixa para muitos fãs irem embora e para a própria banda, que deixou o palco sem bis, como Courtney Barnett, mas que também fez seus fiéis seguidores felizes.

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17/11/2016

Emily Canto Nunes é jornalista especializada em tecnologia, já passou pelas principais redações online do Brasil, entre elas Terra, MSN e iG. Atualmente, colabora para o blog Manual do Usuário. Além de Tecnologia, escreve sobre Games, Startups e Cultura. Nas horas vagas, dedica-se a apurar o próprio paladar e a alimentar suas redes sociais: @cantonunes.

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