Dia do Rock | 7 lendas do rock que viraram tiozões

13/07/2016

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Reprodução

13/07/2016

Look out you rock ‘n’ rollers, hoje é o Dia do Rock.

Datas como essa trazem a lembrança de que o tempo não para mesmo. Se o rock nasceu nos Estados Unidos da década de 1950, hoje, o gênero já tem mais de 60 anos de idade. Por isso, seus ícones primordiais ou estão mortos ou acumulam netos há um bom tempo.

Mas uma coisa é envelhecer, outra coisa bem diferente é ficar velho. Apesar das rugas, ninguém em sã consciência pode dizer que Mick Jagger está velho. O próprio Chuck Berry segue tocando seus riffs apesar de todas as limitações dos seus 89 anos idade. Chuck é o rock n’ roll encarnado, um monumento vivo que empunhará sua guitarra até seu último suspiro com a coerência e dignidade de um mito.

Não podemos dizer o mesmo da lista que segue abaixo. Não entenda mal, é evidente que todos eles seguem sendo músicos talentosíssimos que merecem muito a legião de fãs que têm. Inclusive, eles até lampejam alguma atitude roqueira aqui e ali, mas na maior parte do tempo são grandes tiozões. Veja abaixo:

1) Roberto Carlos

O maior nome da Jovem Guarda teve belos momentos de subversão roqueira. Neste registro de 1969 o Rei canta “Se Você Pensa” usando óculos redondos e uma cartola psicodélica em frente a um fundo decorado com cogumelos alucinógenos.

Mas faz muito tempo que Roberto não se interessa pelo rock n’ roll. Basta ver que o vídeo mais recente do seu canal oficial do Youtube é uma versão de “Ave Maria” gravada ao vivo em Jerusalém.

2) Rod Stewart

Como frontman do Faces, Rod ficou famoso por seu vocal rouco e selvagem, que era muito bem acompanhado pela guitarra do Ron Wood antes de ele ir para os Stones. Este vídeo de 1972 mostra bem isso.

Atualmente, o cantor assumiu uma postura de galã da terceira idade à la Fábio Jr. Hoje, ele adora cantar com seu terno dourado baladas como “I Don’t Want To Talk About It” sem medo de ser brega.

3) Eric Clapton

Cabeludo, bigodudo, com uma guitarra toda pintada que não soltava uma nota sem distorção, Clapton se tornou um gigante do rock. O sucesso do Cream lhe rendeu o famoso apelido de “Deus”, e, naquela época, sua forma de tocar realmente justificava isso.

Especialmente após os anos 1970, o som do guitarrista foi se sofisticando até o ponto em que ficou completamente distante da barulheira do Cream. Ficou muito claro para todo mundo que sua alma pertence ao blues, e não ao rock, e isso lhe permite tocar sem o menor pudor baladas tão açucaradas quanto “Wonderful Tonight”.

4) Bob Dylan

O mundo tremeu quando Dylan resolveu trocar seu violão por uma guitarra na década de 1960. Sua apresentação no Newport Folk Festival, em 1965, foi um divisor de águas em sua carreira e o disco Bringing It All Back Home (1965) foi um marco responsável por injetar no rock uma dimensão literária que ainda não havia sido alcançada.

Hoje, Bob entrou numas de só gravar covers de músicas que eram cantadas pelo Frank Sinatra. Seus últimos dois discos, Shadows in the Night (2015) e Fallen Angels (2016), trazem esse mesmo conceito. As versões até ficaram legais, mas a maioria dos fãs prefeririam ouvir as novas letras de Dylan ao invés desses covers, né…

5) Frejat

Se Cazuza era Jagger, Frejat era o Richards do Barão Vermelho. A banda se tornou um dos maiores símbolos do rock brasileiro dos anos 80 com uma sonoridade totalmente identificada com a dos Stones e seus shows eram verdadeiros acontecimentos. Esta gravação de 1983 feita no Circo Voador, que termina com Caetano Veloso em pessoa subindo ao palco, é um grande exemplo disso.

Cerca de 30 anos depois, Frejat goza os frutos de um longo sucesso radiofônico. Mas, por mais roqueiro que ele ainda pretenda ser, os momentos em que ele canta músicas como “Segredos” incentivando o público com frases como “tá lindo, gente!” indicam que a subversão roqueira não é exatamente a sua prioridade.

6) Ian Anderson

O Jethro Tull já foi uma das bandas mais doidas que existiam no cenário do rock. Antes de Ian Anderson tocar sua flauta transversal apoiado em um pé só ninguém havia misturado a música folclórica da Inglaterra ao rock n’ roll psicodélico.

Mas faz muito tempo que a banda não impressiona por sua transgressão. Hoje, seu público é formado por senhores e senhoras de meia idade que provavelmente odiariam o som original do grupo.

7) Roger Daltrey
Aqui, temos o exemplo mais gritante de um músico que foi de um extremo ao outro. Quando tinha 20 anos, Roger Daltrey ficou famoso cantando versos como “I hope I die before I get old” no The Who. A banda foi uma das principais responsáveis pelo aumento da agressividade do rock n’ roll ali na metade dos anos 1960 e, com certeza, muita gente ficava chocada com sua postura na época.

Atualmente, aquele que já foi o terror dos quartos de hotéis ameaça interromper um show do The Who se alguém acender um baseado. Sério, foi o que aconteceu no show que eles fizeram no dia 20 de maio do ano passado nos Estados Unidos. “Você pode, por favor, comer essa merda?”, pediu Roger para um fã no meio do show, ao que Pete Townshend completou: “Enfie na sua bunda! É a maneira mais rápida!”. Esses caras ficaram velhos, como você pode conferir abaixo.

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13/07/2016

Entre o bemol e o sustenido.
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes