A música pra Marcelo Rosenbaum

02/05/2013

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Lidy Araujo

Por: Lidy Araujo

Fotos:

02/05/2013

Marcelo Rosenbaum ficou famoso no quadro “Lar Doce Lar”, do programa “Caldeirão do Huck”. Seu trabalho junto a pessoas e comunidades carentes, no entanto, vai muito além. “Não existe o que vem antes. O que vem antes é o ser humano”, costuma dizer o designer, cuja relação com o popular ultrapassa as fronteiras do profissional. Seu gosto musical também é popular, como você pode ver nesta entrevista.

Quanto de música há no seu trabalho?
Depende. Eu adoro música, faz parte da minha vida, mas no processo criativo, eu não sei se ela faz parte. Tudo inspira, mas se falar que uma música me inspira, vou estar mentindo, porque é o conjunto, o todo, não é separado.

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Ouve música enquanto trabalha?
Sim, a música faz superparte, claro que faz, me inspira muito, a música eleva o espirito.

O que gosta de ouvir?
Sou bem eclético, mas os meus amigos falam que eu teho um mau gosto musical, o que é relativo, mas eu gosto de brega e tecnobrega, MPB, samba. Eu gosto do movimento popular, isso me inspira muito e faz muito parte do meu trabalho. Vejo beleza onde muitas pessoas veem feiura. Mas eu entendo que meu gosto seja realmente diferente do público que me cerca, eu gosto de ver a beleza no estranho.

Já descobriu artistas nas suas andanças por aí?
Eu fiz um trabalho numa comunidade em Várzea Queimada, no interior do Piauí. É uma comunidade bem esquecida lá no Sertão, bem abandonada, mas é absolutamente musical. Eles trabalham cantando, as mulheres tramam as palhas cantando, recebem as pessoas cantando. A música é muito importante. Tem o Ari Tupã, que é de lá. Ele é genial.

Como chegou em Várzea Queimada?
Fizemos um levantamento dos menores lugares em desenvolvimento humano do país. Aí, cheguei nessa Mancha da Chapada do Araripe, um lugar que é muito pequeno. É muito louco você dizer que tem pouco desenvolvimento humano sendo que o desenvolvimento humano é o que mais tem, porque tem o coletivo, tem a comunidade, tem o trabalhar, mas eles têm muito pouca possibilidade. Eles têm muita riqueza natural, muito potencial humano, só que pouco aproveitado. Aí, o Sebrae do Piauí fez um levantamento de quais tinham um potencial de se desenvolver e que tivessem alguma memória do artesanato. Daí, a gente descobriu o lugar, que é uma comunidade desenvolvida, gerada, que surgiu através de duas famílias de índios, que viraram a mesma comunidade. Todos são parentes. Todos são Barbosa, todos são Carvalho. Novecentas pessoas, todas parentes, sendo 47 surdos e mudos, que são totalmente incluídos, com uma linguagem própria.

Que trabalho você desenvolveu com eles?
Fizemos uma coleção de objetos, cestas e joias de palha e borracha de pneu de caminhão. Construímos um centro comunitário e colocamos esses produtos no mercado para gerar renda. Agora, estamos dando continuidade ao trabalho lá. (clique aqui e saiba mais sobre o projeto).

Você ficou conhecido pelo seu trabalho no “Lar Doce Lar”, do “Caldeirão do Huck”…
Eu costumo falar que o “Caldeirão” é a menor parte do meu trabalho, mas é uma parte que grita muito alto e que possibilita chegar num lugar desses e ser reconhecido. Me dá uma credibilidade grande. Então, eu uso uma coisa juntamente com a outra.

E algum trabalho com música, você já desenvolveu?
Fiz um evento do Motomix, há muitos anos, no Cais do Porto, em Porto Alegre, mas todos os trabalhos, agora pensando, têm uma relação com música.

Existe algum disco que marcou a sua vida?
O primeiro da Blitz, “As Aventuras da Blitz 1”. Eu era muito moleque, e ele tinha uma liberdade, uma coisa meio de circo, de atitude, de coletivo, um monte de gente.

Você está envolvido com o Movimento Hotspot, falando sobre processo criativo. Como funciona o seu processo?
Tenho exercitado muito o processo criativo colaborativo. Acredito muito que a gente é um canal que recebe a criação através de uma vibração. Ele não é de um indivíduo, ele é coletivo. Então, quanto mais pessoas estiverem pensando pelo mesmo intuito, a gente consegue multiplicar isso e transformar padrões. Acho que o mundo caminha para um processo desse de pensar no coletivo primeiro do que no indivíduo.

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02/05/2013

Lidy Araujo é uma grande mulher. Porém, louca.
Lidy Araujo

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