Exclusivo | Apeles (ex-Quarto Negro) disseca seu disco solo de estreia, “Rio do Tempo”

30/06/2017

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Divulgação

30/06/2017

A vida é mesmo feita de ciclos. Em março desse ano, o Quarto Negro chegou ao fim após oito anos de atividade, dois álbuns de estúdio e shows em festivais internacionais como o Primavera Sound e SXSW. Hoje, o vocalista e guitarrista da banda, Eduardo Praça, estreou seu projeto solo chamado Apeles lançando o seu primeiro disco: Rio do Tempo.

Produzido, gravado, mixado e masterizado pelo mineiro Leonardo Marques, da banda Transmissor, o álbum foi todo gravado em Belo Horizonte, longe da São Paulo natal de Praça. Inclusive, com exceção dos convidados Helio Flanders, do Vanguart, e Gabriel Soares, da Atalhos, a maioria dos músicos que gravaram o disco fazem parte da cena musical de BH.

O desejo de sair da zona de conforto e se entregar às ondulações dos ritmos da vida é um elemento importante na composição de Rio do Tempo, como Eduardo Praça explica à NOIZE. O música comentou todas as dez músicas do seu disco solo e, abaixo, você pode ouvir o álbum todo acompanhando as falas do músico.

Confira:

Quando comecei a fazer essa composição, a vontade era de criar uma paisagem sonora que fizesse com que o ouvinte pudesse imergir no conceito do álbum aos poucos. É uma das canções mais cinematográficas do disco, eu acho. Quando gravamos, lembro que as cordas pareciam uma orquestra aquecendo e afinando antes de um concerto, isso resume bem o clima da música.

“Vermelha” é a canção que se aproxima mais de um estilo improvável que gosto, que é disco music. Eu quis que ela fosse uma música de fácil assimilação. Inicialmente era uma música composta para o violão e durante o processo adaptamos o arranjo para piano. É uma das minhas favoritas do disco.

Surgiu de uma demo que eu estava fazendo. O beat dela tem um clima dos anos 80 britânicos, mas estão lá também alguns elementos de música latina. A letra é sobre gostar dos defeitos de uma pessoa até o ponto que te falta ar.

“Clérigo” é canção mais antiga do disco, de estrutura simples e intensa. Ficou guardada por anos até que resolvi retrabalhar nela. O toque melódico que o Hélio Flanders trouxe é que o faltava na música. Ela tem as cordas mais evidenciadas no disco, o que dá um toque, digamos, “elegante” que sempre busquei nas minhas composições.

Provavelmente a música mais aérea do disco, foi composta muito rapidamente nos últimos meses de Quarto Negro, o que faz com que ela seja a que mais se aproxime da minha antiga banda. Os backings vocals são da Jeniffer Souza e da Danuza Paz, que deram esse toque de sensibilidade lindo.

A única canção que não compus no álbum. O tema feito pelo cineasta José Menezes entrou como uma forma de fugir um pouco da minha estética e casou exatamente com o intervalo entre a primeira e segunda parte do disco. Ouvi a primeira parte durante uma viagem de carro e me apaixonei pela música no mesmo momento.

Essa é a faixa que une quase todos os elementos estéticos do álbum. Nela guitarra, piano, sintetizadores, cordas e melodias se encontram no que considero a música mais complexa e intensa do álbum. Foi feita rapidamente e retrata a urgência por aceitação e carinho que todo mundo precisa em alguns momentos de angústia.

A faixa mais leve do disco, retrata exatamente o momento do disco, de se deixar entregar e viver de forma leve, pelo menos à noite. Esteticamente é a que mais se afasta do restante e é justamente essa a beleza que vejo na música.

Ela dá o toque nostálgico que tanto admiro em outras composições. Se por um lado ela tem um andamento acelerado, por outro as notas menores dão uma frugalidade de sentimentos que evidencia esse contraponto. Os backings também são da Jeniffer e da Danuza, e é a faixa que anuncia o fim do disco de forma magistral, eu acredito.

Outra paisagem sonora, agora de despedida. A melodia repetida do piano ficou ecoando na minha cabeça por meses até que decidi que iria manter o mesmo arranjo, sem partes extras. A letra diz sobre aguardar a colisão de mundos, uma síntese do disco.

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30/06/2017

Entre o bemol e o sustenido.
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes