Exclusivo | Charly Coombes vive os contrastes de São Paulo em música inédita

10/03/2017

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Marília Feix

Por: Marília Feix

Fotos: Rayana Macedo

10/03/2017

Depois de Black Moon, álbum inspirado pelas estrelas em uma viagem de navio na mudança de Oxford para São Paulo, Charly Coombes está prestes a lançar RUN, terceiro disco da carreira solo. Reflexo de sua adaptação à capital paulista, o músico traz composições que contrastam entre a nostalgia do universo afetivo de sua infância no interior da Inglaterra à uma percepção crítica do mundo atual e seu contexto político.

Hoje é dia de apresentar o primeiro clipe, para o single “SPX – São Paulo Experiment”, que tem direção de cena do próprio Charly: “A performance é simples, pura, o que demonstra a intensidade natural por trás da música. Gravei com os músicos que tocam no disco comigo e também me acompanham nos shows, o que trouxe uma energia crua e cativante que, às vezes, apenas uma banda ao vivo pode alcançar”, explica.

Se você prestar bastante atenção, vai notar que “SPX” traz escondida uma homenagem a David Bowie, com um trecho de sua fala em uma entrevista concedida logo depois da mudança para Berlim no final dos anos 70. Elementos nostálgicos dos anos 80 também são reverenciados em RUN, atualizados em um som moderno, com sintetizadores, guitarras e bateria.

Aproveitamos a deixa para trocar uma ideia com o Charly e saber mais sobre suas motivações para a realização do álbum:

Apesar da referência oitentista, RUN têm ares contemporâneos. O que você ouve de mais atual pra se inspirar?
Eu sempre amei o estilo de bandas como Tame Impala e MGMT e tem sido ótimo descobrir os sons modernos incríveis do Brasil no momento, artistas como Mahmundi e Lumen Craft. Mas realmente o lado contemporâneo de RUN foi desenvolvido de uma forma muito orgânica, seguindo meus instintos e o que eu sabia que eu queria que o som fosse. O maior impacto no álbum, em termos de referências, vem dos sons com os quais cresci nos anos 80. Depois do fim do Punk e da ascensão da New Wave, a música ficou bastante questionável em grande parte da cena mainstream de meados dos anos 80. Algo brilhante. Algo feio. Mas para mim isso é cheio de nostalgia e tornou-se algo fascinante e bonito. Bandas como Foreigner, The Cars, Chicago e Ultravox tornaram-se mais do que prazeres culposos pra mim – é essa nostalgia feia, mas bonita que eu queria ouvir no álbum.

Arte da capa de “RUN”, previsto para chegar dia 24 de março nas plataformas de streaming.

Você compara a sensação de mudança de Bowie para Berlim à sua para São Paulo. Que elementos da cidade interferem em seu processo criativo que você acredita que o Bowie também pode ter vivido?
Bowie sempre disse que a mudança para Berlim era um desafio, mas que, em última instância, alimentaria seu lado criativo. Por muitos anos eu quis morar em São Paulo – é um lugar incrível com grandes pessoas. Mas também, eu sabia que teria um forte impacto na minha escrita, vindo de uma vila pequena e tranquila na Inglaterra. E, como Bowie, as coisas que você esperaria que interferissem no seu processo criativo realmente acabam te alimentando de uma maneira diferente. O ruído, a poluição… O caos geral da vida diária teve uma enorme contribuição para vibração de RUN, que me levam a explorar esses lados da humanidade – Sujeira, sangue, suor, lágrimas – Como as referências musicais, algo feio, mas ainda bonito. Tirando alguns problemas com o som dos helicópteros no microfone!

Você produziu Black Moon sozinho, e em nossa outra entrevista disse que seria um desafio transpor o mesmo som para a experiência ao vivo. Como você acha que será com o RUN? Podemos esperar uma tour?
Depois de desenvolver Black Moon para tocar ao vivo, acabei passando a usar mais sintetizadores e samplers – e estou trabalhando com alguns músicos incrivelmente talentosos aqui em São Paulo. Portanto, transpor RUN para o palco não é tão assustador! Tem sido muito emocionante começar a trabalhar no set ao vivo – o álbum é bastante energético e intenso, e misturado com algumas faixas de Black Moon, deve ser um grande show! A principal diferença desse álbum é que eu planejo levá-lo para a estrada. Estamos no processos de agendamento dos shows e espero ir para muitas cidades em todo o Brasil e possivelmente para outros países. Os fãs do Brasil são sempre tão incríveis e solidários, eu realmente não posso esperar para começar!

Ouça Run na íntegra abaixo:

Leia também Entrevista | Charly Coombes e o universo espacial de Black Moon.

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10/03/2017

Marília Feix

Marília Feix