Exclusivo | Joe Silhueta se entrega no disco de estreia: “Trilhas do Sol”

19/09/2018

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Thaís Mallon

19/09/2018

“Tudo que é vivo busca a luz, fonte fundamental de energia, nutrição.
Sem ela não existiria o carrossel das silhuetas
A jornada do xamã
A caminhada do guerreiro de Grotowsky
E suas sinas e sinuosas trilhas; o pagador de promessas sofre todas as pestes no corpo durante a noite mais escura e calejando busca a luz, e esta nunca é uma tarefa fácil, do instante já; se demora se dilata, dói… e como a roda da fortuna sempre gira, a manhã acontece.
Trilhas do Sol é uma crônica alucinada e quente sobre essas jornadas alucinantes em busca de nós mesmos, queimando e ressignificando as chagas, dançando sobre elas/com elas

A fala lírica da vocalista Gaivota Naves é um convite irrecusável para mergulhar no disco de estreia do Joe Silhueta. Encabeçado pelo vocalista e compositor Guilherme Cobelo (que divide a produção do álbum com Jota Dale, também responsável pela mixagem), o grupo formado em Brasília lança com exclusividade na NOIZE o álbum Trilhas do Sol, ouça abaixo:

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Completado por Márlon Tugdual (bateria e percussão), Carlos Beleza (guitarra), Marcelo Moura (baixo), Lucas Sombrio (clarineta e clarone), Tarso Jones (piano e teclado) e Tâmara Habka (produção), o Joe Silhueta nasceu como um projeto do Cobelo, mas, com o tempo, foi se tornando cada vez mais um trabalho de muitas mãos e ouvidos. Se nos lançamentos anteriores – os EPs Dylanescas (2016) e Ritos do Leito (2016) e o single duplo Mil léguas / Pesadelo em mi menor (2017) – a aura de trovador onírico do frontman se sobressaía, no disco de estreia o que se ouve é, sem dúvidas, a obra de um grupo.

– É um disco bem mais de banda do que nossos trabalhos anteriores. Decidimos gravá-lo assim que voltássemos de uma turnê pelo Sul justamente pra ter essa liga coletiva; as viagens que fizemos juntos acabaram, de certo modo, sendo a pré-produção do disco – explica Cobelo – Pra mim, esse álbum mostra bem o que nos tornamos ao longo desses dois anos, é uma síntese dos processos criativos que a gente vem experimentando e o mais próximo que chegamos, por enquanto, de uma estética “silhuética”.

“É o [trabalho] mais maduro, com certeza. Mas o melhor ainda está por vir”, garante Lucas Sombrio. “[O verso] ‘vou me perdendo nas trilhas do sol’ representa bem o nosso momento. Sei lá para onde estamos indo, mas é uma incerteza confortável e segura. Temos confiança para continuar andando, mesmo com os olhos ofuscados pelo sol”, afirma.

Esse conceito de seguir um caminho norteados pelo astro-rei foi algo que surgiu durante o processo de gestação do disco, e não uma ideia pensada desde o início. Guilherme Cobelo explica que a banda chegou a gravar 14 faixas para o disco, porém optou por incluir apenas nove por elas conversarem mais entre si:

– O papo que rolava entre elas era este: perder-se nas trilhas do sol. O que também significa estar passando pela madrugada e se encaminhando pra manhã, pra aurora. Vendo a noite cair – muitas vezes de maneira pesada – e se jogando nela pra finalmente adentrar numa dimensão mais dilatada e solar.

Assista também ao clipe de “Lambidas”, faixa do EP Ritos do Leito:

“Uma das coisas mais interessantes em relação a Joe Silhueta é o seu caráter multifacetário, ‘momentofônico’, que surpreende a cada novo trabalho com uma linguagem diferente”, comenta Gaivota: “Chegamos agora nas Trilhas do Sol evocando o retorno ao rito, ao fogo, ao entorpecimento, à entrega – e isso é latente, impositivo e urgente”, afirma.

Entre o breu da dúvida e o clarão da esperança, as faixas de Trilhas do Sol apresentam sonoridades ardentes. Ouvidos atentos perceberão no disco ecos da psicodelia nordestina dos anos 1970, mas o agreste lisérgico é uma inspiração tanto quanto o distante o folk estadunidense e a poesia protopunk de Patti Smith. O resultado desse caldeirão de referências é um álbum contemporâneo e extremamente autoral.

– Acredito que a riqueza do nosso trabalho venha disso, é um reflexo da multiplicidade de influências que a gente tem vivendo em Brasília. Cada um [da banda] vem de um estado, cada um traz uma bagagem musical, cada um traz suas crenças e essa orgia amorosa gera um fruto livre de caixas e hibriiiiiidoo e linnndoooo – comenta Gaivota.

O baixista Marcelo Moura concorda: “Acho legal essa multi-instrumentalidade de quase todos da banda. Dá uma boa abertura na criação e na discussão dos arranjos”.

Trilhas do Sol será lançado ao vivo no festival Primavera Grogue, em Brasília, no próximo dia 21 (ingressos aqui). Acompanhe o trabalho da banda aqui e confira abaixo a agenda completa de shows:

21/set – Primavera Grogue – Canteiro Central – Brasília/DF
28/set – Laboratório 96 – Uberaba/MG
29/set – Minifestival Cena Cerrado – Ovelha Negra Pub Bar – Uberlândia/MG
02/out – Patos de Minas/MG
04/out – Autêntica – Belo Horizonte/MG
18/out – Shiva alt-bar – Goiânia/GO
19/out – Centro Cultural Joana Dark – Anápolis/GO
26/out – Sesc Garagem – Brasília/DF
24/nov – Festival Dosol – Natal/RN
29 ou 30/nov – OCulto – Porto Alegre/RS
01/dez – Festival Morrostock – Santa Maria/RS
06 a 08/dez – SIM – São Paulo/SP
15/dez – Brasília/DF

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19/09/2018

Editor
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes