Exclusivo | Minimalista passeia pelas faixas do novo disco “Banzo”

27/03/2017

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Divulgação

27/03/2017

O sobe e desce das ladeiras de Belo Horizonte ilustra bem os fluxos emocionais que sentem todos aqueles que sabem amar. Foi andando por essas ruas difíceis de subir e gostosas de descer que Thales Silva construiu boa parte das composições do segundo disco do seu projeto Minimalista.

Banzo é o nome do álbum que foi lançado em todas as plataformas digitais no dia 20 de março (o lançamento físico acontece no próximo dia 30, veja o serviço completo abaixo). O trabalho mostra dez criações do artista que flutuam entre mormaços inebriantes, explosões de paixão, sambas que se descontruíram e flertes com uma cumbia ardente.

O cheiro de um café preto passado em uma cidade do interior também aparece forte em Banzo, referenciando a poesia que descansa na vida fora das metrópoles. “É preciso ser urbano, ágil e coletivo, mas sem perder a ternura, jamais”, lembra Thales Silva no faixa a faixa que você encontra na íntegra abaixo.

Banzo (2017), por Minimalista

“O peso”

É uma canção que traduz muito o sentimento que encontrei nessa experiência que tem sido o Banzo. Chamo de experiência pois começou com um nome e uma sensação que eu ainda não sabia qual era. Esse mormaço inebriante, essa moleza paralisante, ora prazerosa, ora desgastante. Foi no processo de produção e construção do álbum que isso foi ficando claro. “O peso” é das músicas que mais clarifica isso. É uma canção que mira pra dentro. Falo de mim, da minha relação de amor, das minhas contradições. Meus prazeres e o peso de ser eu. Foi importante demais ter o Gui Amabis nela. Penso que ele tem tudo a ver com o sentimento da música.

“Fogo no rabo”

Trata do reconhecimento de si mesmo e da negação a tudo aquilo que eventualmente possa nos fazer frear. É uma negação à repressão, ao medo. É uma ode ao amor intenso, à coragem e à entrega de corpo e alma nas nossas convicções. Na parte instrumental, ela era originalmente um samba mais simples, mas gostamos de desconstruir os ritmos originais e trabalhar de um modo mais urbano, que dialogue com outras linguagens do nosso interesse. No refrão o samba aparece inteiro e forte. Gosto demais dessas mudanças.

“Grito rouco”

É uma canção de amor intenso, gostoso, mas turbulento. A paixão é irracional e dentro de um limite saudável. É muito poética. Pode ser perigoso, mas pode e geralmente é muito bonito viver essas paixões e lembrar delas. É uma balada, super radiofônica. Acho que é das músicas mais bonitas que já fiz. Adorei contar com o Teago Oliveira, do Maglore, que acabou por colocar uma intensidade, acabou explicitando mais esse aspecto passional e emocional que eu sempre quis com a música.

“Branquinha”

É uma das canções mais leves que já escrevi. Emana a tranquilidade e a segurança de um amor pleno. É a vontade ser o porto e de dar o colo a alguém. É a sensação de se soltar num lugar prazeroso, no colo da terra ou do mar. A música brinca com o ritmo da cumbia, que se desconstrói ao longo da música pra ganhar climas diferentes.

“Banzo”

É a canção-título e embrião de tudo. Ela reforça o lado menos urbano do álbum. A necessidade do retiro, a saudade de um sentimento que muitas vezes se perde na correria cotidiana. Eu comecei a escrevê-la lembrando do papo de dois amigos baianos que viviam em São Paulo na época e falavam da saudade de casa. Isso tudo se misturou às minhas experiências com a capital, com o Rio e até mesmo com o centro de Belo Horizonte. Quando saio dessas grandes cidades e passo por vilarejos, interiores e curvas de rio, é que vejo como nos perdemos. Nossos sonhos se confundem e muitos valores também. Nos esquecemos do bom dia, do cheiro do café, da fotografia oferecida de graça pelo sol. É preciso ser urbano, ágil e coletivo, mas sem perder a ternura, jamais. Ritmicamente, nada é mais terno do que um xote. E é o ritmo/sensação que trabalhamos na produção da faixa. Os elementos modernos e urbanos são justamente esse contraponto presente na letra.

“Convém”

É um mantra. Repetir, repetir até ficar diferente. Até modificar isso tudo na gente. Todo amor convém, todo amor convém. Vem da ideia de respeitar, aceitar e lidar com cada um. E naturalmente crescer junto, amplificando nossos aspectos mais positivos. É uma vinheta pautada nos sintetizadores com a voz. A ideia era também dar uma respiro, uma quebra no ritmo do disco.

“Boca vermelha”

É uma canção-sonho que teve início quando eu recebia da boca da minha namorada a notícia do crime ambiental da Samarco, em Mariana (MG). A partir dali, a canção ganha um tom mais etéreo e inebriante, e começa a se tornar um pouco mas pessoal. Retrata essa minha viagem e fixação com a questão do tempo – o tempo que cura, o tempo que esmaga. E vou tratando disso com metáforas. É um samba modificado nas suas acentuações. É algo que me interessa bastante na obra de João Gilberto, Gil e também com o Caetano. Eles pegam o samba e criam novos suingues, cadências. Acho das músicas mais bonitas que já compus, também.

“Pode me pegar”

A letra é simples e sobre liberdade individual, respeito. Vivemos uma geração muito intensa, as cidades estão apertadas e as relações, frias ou não, são obrigatoriamente mais próximas. Tinha que ser simples: “Se você me quiser, e eu também quiser te beijar / Demorô, formô, já é”. A música tem uma produção que respeita bastante sua origem fincada na MPB. Tem um diálogo com samba no refrão e aquela sonoridade tradicional da MPB dos anos 70. Eu gosto muito dessa melodia cromática no verso. Uma sensação de jazz-canção.

“Maçã”

Essa é uma canção que trata daquele mormaço que tinha falado. Tudo parece acontecer mais lentamente. Tudo é inebriante. O sol chega na janela e o dia anterior parece ter sido intenso. Você quer mais observar, se recolher. Curtir a companhia do seu amor. Vocês se falam das lembranças, tomam um café. É tudo muito lento… É uma canção feita no silêncio ou pelo menos com a memória dele. Lugares distantes. A paisagem é de uma casa humilde. Um retiro. É um xote também. Buscamos usar elementos bem urbanos e muitos sintetizadores por conta da proposta do álbum. Não queríamos simular um regionalismo ao qual não pertenço. Apenas reverenciar.

“Lua pro sol”

Essa canção foi 100% feita em Caraíva, na Bahia. Eu cantei isso num celular caminhando de noite na praia, sozinho. A lua refletia no mar e aquilo me causava um prazer que não sei explicar. Me senti muito leve, muito afirmativo de que apesar de tanta coisa temos que aproveitar as possibilidades lindas que o mundo nos dá. Falo dos detalhes mais simples. Naturalmente a canção é um alento poético. É uma resolução que serve de mim pra dentro e a quem cause algo parecido. A intenção é sentir e causar alento. E se entregar intensamente a essa sensação sempre que possível.

Lançamento de Banzo – Belo Horizonte
Quando: 30 de março, às 22h
Onde: A Autêntica – Rua Alagoas, 1172, Savassi, Belo Horizonte (MG)
Ingressos: R$ 25 (no site sympla.com.br) e R$ 30 (na bilheteria do local, de segunda à sexta, das 8h às 19h)
Capacidade: 400 lugares
Censura: 18 anos
Telefone: (31) 3654-9251

Lançamento de Banzo – São Paulo
Quando: 20 de abril, a partir das 18h (show às 23h)
Onde: Z Carniceria – Av. Brigadeiro Faria Lima, 724, Pinheiros, São Paulo (SP)
Ingressos: R$ 20 (à venda no local, no dia do evento, a partir das 18h)
Capacidade: 250 lugares
Censura: 18 anos
Telefone: (11) 2936-0934

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27/03/2017

Entre o bemol e o sustenido.
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes