Gru: novidade sulista

13/05/2013

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Revista NOIZE

Por: Revista NOIZE

Fotos:

13/05/2013

Vem do Sul mais uma novidade no cenário. Gru é o pseudônimo de Gabi Lima, que acaba de lançar seu primeiro álbum, “Welcome Sucker to Candyland”, pela Loop Discos.

O disco foi produzido por John Ulhoa, do Pato Fu, admirador confesso do trabalho da garota. “Não me interesso muito por alguém que está seguindo a onda, gosto de pessoas que parecem ter um universo que gira em torno daquilo que é de verdade, e a Gabi é assim”, afirma o produtor e guitarrista. “As pessoas, às vezes, são muito originais, mas não têm talento, e ela tem as duas coisas.”

gru

Com uma pegada anos 90, o primeiro single, “Sidecar”, nos faz sermos teletransportados direto para um seriado da década. “Os anos 90 são uma paixão da Gru, mas eu não sou”, conta John. “A minha formação mais forte é anos 80, sou mais velho, né? Mas tem várias coisas dos anos 90 que eu gosto, e várias que sou apresentado por pessoas como a Gru. Então, quer dizer, eu estava lá nos anos 80 e 90, e em todas as épocas acho coisas legais e coisas que enchem a paciência de tanto tocar.”

Assista ao clipe de “Sidecar”, que rola num parque de diversões e conta com a participação especial do próprio John:

Conversamos com Gru logo após o show de lançamento do álbum, que rolou na semana passada, no Banx, em Porto Alegre. John marcou presença tocando guitarra, acompanhado de Nando Endres (Comunidade Nin-Jitsu) no baixo e neo-zelandês radicado em Nova York Edward Ware na bateria.

De onde veio a inspiração para o álbum?
Toda a minha inspiração, coloco em música, por isso não sei falar nem escrever direito, mas sei fazer música. Então, essa é a forma que encontrei para me expressar. A minha inspiração sou eu mesma. Faço música sobre o que eu vivo, vejo, penso, sofro, amo, e não tem nada político nem vai muito além. São canções de amor, músicas de raiva, raiva de amor.

Como foi o processo de composição do disco?
Normalmente, estou sentindo alguma coisa e me vem um refrão pronto na cabeça. Ele fica se repetindo, na maioria das vezes, quando estou no banho e não tenho como anotar. Então, eu tento fazer o mais grudento possível para não esquecer depois. E essa é a base da maioria das minhas músicas: um refrão simples e grudento. O resto da história, eu explico no resto da música. E o refrão é resumo e síntese. Também tem várias coisas que eu compus em parceria com o John. Era algo como: Putz, tenho esse refrão mas não tenho a base para o verso. Daí, ele me dava uma ideia de como fazer, e nós íamos fazendo um bate-bola. A primeira que escrevemos juntos foi “Can’t Fool Me”, que é um dueto gravado com Frank Jorge.

Veja Gru tocando com Frank Jorge. A música é “Cabelos Cor de Jambo”:

Como surgiu a parceria com o John?
Nos conhecemos há uns três anos. Eu fui fotógrafa do Pato Fu, e quando tinha um tempinho, alguma turnê que passava por Belo Horizonte, nós íamos no estúdio do John e gravavámos alguma coisa. Demorou bastante, inclusive porque não temos uma banda, eu sou a banda, eu que gravei bateria, baixo, guitarra, violão, teclados. Não sou boba e deixei o John gravar as guitarras, mas tem um solo que eu fiz.

Qual mensagem você quer passar através deste disco?
De repente, a pessoa vai ouvir certa música e se relacionar com ela, ver que sente aquilo também. Acho que música serve para isso, para explicar algo que você não consegue, mas a história é que eu estava vendo o Elvis Costelo ao vivo, e ele estava falando das várias parcerias com a Loretta Lynn, que é uma cantora country bem fodona, e ela falou que tinha duas músicas que ela não conseguia terminar. Uma delas era “Welcome Sucker to Candyland”, e explicou que isso era o que você diz para o “namorado novo de uma menina que não presta”. Seria algo como “bem-vindo, idiota, à terra dos doces”. Então, o conceito é que as músicas são superpop e powerpop pegado, mas as letras são ácidas, não são superfelizes. É tipo “bem-vindo, mas cuidado no caminho”.

Por que escrever em inglês?
Porque tudo o que eu ouço é em inglês, e como leio muitos livros para poder escrever, para pegar a estrutura, a manha, as narrativas diferentes… E eu acho que a narrativa em inglês é diferente da em português. Praticamente 90% do que eu ouço é em inglês e, quando componho, penso em música, ela já vem em inglês. Eu não estou traduzindo. Natural, para mim, é fazer o que eu sei, de onde eu venho, que é o rock americano. Eu sou completamente apaixonada por música americana.

E do que você se alimenta?
Açúcar; cachorros de rua; música, como Elvis Costelo, Hanson, Buffalo Tom e Neko Case; pessoas que são positivas quando eu sou muito negativa; e o amor dos meus subrinhos.

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13/05/2013

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