Exclusivo | O mergulho pós-humano do novo single do SUPERVÃO

22/01/2016

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Leonardo Baldessarelli

Por: Leonardo Baldessarelli

Fotos: Lucas Neves

22/01/2016

Do início do projeto, há pouco mais de um ano, até hoje, o SUPERVÃO viu muita coisa acontecer ao seu redor. Shows na terra natal, o Rio Grande do Sul, e também no Rio de Janeiro; troca de integrantes; lançamento das faixas “Cadilac Olodum” e “Priminho Maçã”, e do clipe de Cadilac; e talvez o que tenha sido o principal: o crescimento da Lezma Records. Capitaneado pela dupla ao lado de Ricardo Giacomoni, que toca baixo com a SUPERVÃO, o selo vem expandindo seus contatos com a música independente do estado e do país.

Foi do meio desse turbilhão que surgiu o novo single do SUPERVÃO, “Vitória Pós-Humana”, que lançamos com exclusividade hoje e você ouve no vídeo abaixo. O som fará parte do EP Lua Degradê, com lançamento previsto para fevereiro, e sai pelo Lezma em parceria com a Honey Bomb Records, de Caxias do Sul.

Como conta Mario Arruda, vocal, programação e efeitos no duo, “Vitória Pós-Humana” parte de um sampler: “Um achado com vibe brisa de praia na música indie dos anos 2000, para construir uma sonoridade eletrônica, formada através de sons orgânicos”. Junto ao guitarrista Leonardo Serafini, Mario cria no Supervão uma sonoridade que transcende as definições de digital e analógico, que flerta com muitos gêneros e referências. “Primal Scream, The xx, Tame Impala e Mac Demarco”, como definem os caras.

Quem já conhece a vibe vaporwave e post punk das primeiras músicas do duo não vai estranhar a atmosfera da nova faixa, com o clima onírico, meio dreamy, e o volume aumentando no refrão. O que o SUPERVÃO de 2016 traz de mais diferente é um discurso muito firme ao comentar sua própria música. Sobre a “presença distanciada” do som orgânico, por exemplo, Serafini comenta: “Eu, como guitarrista, posso dizer que trabalho na ideia de relação ‘palheta-pedal’ muito mais do que na relação ‘corpo humano-instrumento’. Buscamos referências eletrônicas, de sample e de outras coisas que se distanciam do simples ‘rock’ para aplicar em nossos instrumentos orgânicos.” E Mario complementa: “Muitas vezes usamos a guitarra como sample, por exemplo. É um afastamento do instrumento do que se têm como cânone do seu uso.”

As palavras do duo refletem no clima de “Vitória Pós-Humana”, um mergulho no meio de beats eletrônicos e guitarras reverberando. E algumas das influências citadas, como The xx e Primal Scream, adentram o mesmo território da relação “palheta-pedal” que Serafini comenta. E essas ideias também se encontram com o conceito de “pós-humanismo” que parte do título e da letra e acaba permeando toda a música. “Esse ‘pós-humanismo’ também é um humanismo, mas ele não é calcado numa humanidade com uma essência, mas sim em uma humanidade construída, que se dá por meio de agenciamentos”, comenta Mário. O humanidade não vem só do homem, mas sim das relações entre esse homem e “máquinas, idiomas, coisas, momentos, lugares…”. E toda a construção de “Vitória Pós-Humana” gira ao redor desses pensamentos, desde as ideias sobre o orgânico até as referências da letra sobre conversas mediadas por telas, pelo mundo digital, uma “existência ciborgue” calcada pelo manifesto que teve Donna Haraway como uma das idealizadoras.

A viagem do SUPERVÃO continua no EP Lua Degradê, que sai em 12 de fevereiro também em parceria entre os selos Lezma e Honey Bomb Records.

Confira também “Cadilac Olodum” e “Priminho Maçã”:

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22/01/2016

Redator de social media, jornalista, músico, emo, jogador de bocha, astrólogo e benzedeiro nas horas vagas. Um colono que se encontrou na cidade grande e agora pensa que sabe escrever sobre qualquer coisa.
Leonardo Baldessarelli

Leonardo Baldessarelli