Qual disco do Prince você deve ouvir hoje?

22/02/2017

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Getty/Reprodução

22/02/2017

Depois que boa parte da discografia do Prince voltou aos streamings, tem sido difícil parar de ouvir o artista. Mas devido às dezenas de álbuns lançados, é normal que o ouvinte curioso fique em dúvida sobre por onde começar a dar play, então resolvemos ajudar.

Pra começo de conversa, a playlist abaixo faz um belo apanhado dos melhores momentos da extensa carreira dele. Siga a playlist Essentials Prince e não se arrependa:

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Agora, para se aprofundar na obra do Prince não há nada como parar para ouvir seus discos. Separamos abaixo onze sugestões que ilustram a relevância do artista que definiu e redefiniu os rumos da música pop várias vezes.

Confira:

For You (1978)

O disco de estreia de Prince é uma amostra de tudo o que o artista seria capaz de fazer nos anos seguintes. Apesar de ter apenas 20 anos quando gravou o álbum, Prince já era um artista completo. Foi ele quem compôs sozinho as nove faixas (exceto “Soft and Wet”, que tem a colaboração de Chris Moon) e tocou os 27 instrumentos que se ouve no disco. A recepção na época não chegou a ser bombástica, ainda que os singles “Soft and Wet” e “Just as Long as We’re Together” tenham tocado bastante, o álbum não explodiu. Mostrando uma sonoridade mais crua e orgânica do que se ouviria na sua discografia posterior, For You é uma ótima porta de entrada no mundo de Prince, ainda que não seja o álbum mais representativo da sua carreira.

Prince (1979)

Considerando que For You foi um disco que custou bem mais do que o previsto, Prince sofreu bastante pressão para que seu segundo trabalho fosse um estouro. Seguro de si, o músico não se intimidou: poucas semanas depois de a gravadora lhe pedir o sucessor de For You, ele já havia gravado o seu álbum homônimo. E se era hits que a gravadora queria, conseguiu. O disco abre com “I Wanna Be Your Lover”, que vendeu mais de dois milhões de cópias e se tornou o primeiro grande sucesso do músico. “Why You Wanna Treat Me So Bad?”, faixa que une como poucas o rock n´ roll épico à disco music, também explodiu antecipando uma sonoridade que se tornaria moda na década seguinte com o auge do glam e do hard rock farofa. Em Prince, fica evidente o poder que o músico tinha de ver o futuro.

Dirty Mind (1980)

Não há dúvidas de que Prince foi um músico determinante no processo de transição entre a ácida e psicodélica década de 70 e os eletrônicos anos 80. Completamente conectado ao seu tempo, o álbum que inaugura a fase oitentista de Prince apresenta uma guinada importante na sua carreira. É aqui que toda ingenuidade romântica do artista fica pra trás e Prince mergulha na sexualidade do seu som, compondo faixas com conteúdo sexual explícito como “Head”, “Sister” e “Do It All Night”. O mais impressionante é que, por mais vanguardista que tenha sido à época, Dirty Mind foi um disco que trouxe muitas gravações feitas no estúdio caseiro de Prince sem o apoio técnico de um grande estúdio. Muitas faixas foram fechadas em uma só noite e, se você reparar bem, sentirá uma atmosfera um tanto crua nesse disco.

Controversy (1981)

Após três discos que seduzem o ouvinte pelos quadris, Prince resolveu fazer um álbum que trabalhasse questões sociais importantes. O sexo segue bastante presente, como nas faixas “Sexuality”, “Jack U Off” e “Do Me, Baby”, no entanto surgem pautas políticas na obra do artista que surpreenderam a crítica e o público. “Ronnie, Talk To Russia”, por exemplo, é uma crítica direta à Guerra Fria e ao presidente dos Estados Unidos Ronald Regan, que havia acabado de assumir o cargo em 1981. Já “Annie Christian” cita o assassinato de John Lennon, ocorrido poucos meses antes de Controversy sair. Aqui, Prince mostra que ele pode ser chamado de tudo, menos de previsível.

1999 (1982)

Prince viu com bons olhos o desenvolvimento tecnológico dos equipamentos musicais e, aqui, ele mergulhou na estética do electro-funk que seria bastante explorada ao longo dos anos 80. Baterias eletrônicas e sintetizadores tomam conta de faixas como “1999”, “Little Red Corvette”, “Let´s Pretend We´re Married”, “D.M.S.R.” e “Automatic”, faixas que traduzem a pegada pop e dançante do funk dos anos 70 para a linguagem inorgânica que pautou a década seguinte. Ainda que de forma subliminar, 1999 é o disco que anuncia a participação da banda de apoio de Prince pelos próximos quatro anos seguintes, a The Revolution. É possível ler na capa do disco isso escrito ao contrário, “dna eht noituloveR”. Esse também foi o primeiro vinil duplo do músico, ainda que alguns países, como o Brasil, tenham lançado o álbum separado como 1999 I e 1999 II.

Purple Rain (1984)

Eis que Prince lança aquela que é considerada a sua obra-prima. Só nos Estados Unidos foram 13 milhões de cópias vendidas, sendo que cerca de 1,5 milhão delas saiu na semana do seu lançamento. Composto para ser a trilha sonora do filme de mesmo nome, Purple Rain é um disco que apresenta uma sonoridade bem mais densa do que seus trabalhos anteriores, com muitas camadas de guitarras e sintetizadores sobrepostos. O tom é mais épico e atmosférico em muitos momentos, até porque é um disco de trilha sonora, mas não faltam sucessos como “When Doves Cry”, “Let´s Go Crazy” e, claro, “Purple Rain”. O eletro-funk ainda está presente, mas há espaço para canções mais românticas, como “I Would Die 4 U”, e a própria faixa-título.

Parade (1986)

O álbum Around the World in a Day (1985) não foi um grande sucesso de crítica e Parade veio com o compromisso de emplacar. O disco é a trilha sonora do filme Under The Cherry Moon e, ainda que não se compare ao sucesso de Purple Rain, foi bem sucedido. Esse é o último disco gravado com o The Revolution e, durante esse período, Prince incorporou ao seu funk sexy traços de uma psicodelia pop oitentista que dá a tônica do Parade. É desse álbum a faixa “Kiss”, um dos maiores sucessos do cantor no Brasil, mas destacam-se também a dançante “Mountains” e “Do U Lie?”, uma balada psicodélica que poderia muito bem ter sido composta por Paul McCartney para um disco dos Beatles.

Sign O’ the Times (1987)

Nessa época, Prince rompeu com o The Revolution, mas havia muito material gravado com o grupo que não havia saído. As músicas desse disco são registros feitos entre 1986 e 1987 em sessões de gravação de álbuns que, no fim, o próprio Prince abortou, que se chamariam Dream Factory e Camille (esse último já sem o The Revolution). Inicialmente, o artista queria lançar tudo em um disco triplo chamado Crystal Ball, mas a gravadora convenceu ele de deixar faixas de fora e fazer o duplo Sign O’ the Times. Aqui, Prince parece cortar os excessos e voltar a um som mais cru e direto. O funk baseado em baterias eletrônicas é o carro-chefe do disco, que flerta com o hip hop em “Housequake”, experimenta na minimalista “It” e antecipa sonoridades que entrariam em voga nos anos 90 em faixas como “Starfish and Coffee” e “The Ballad Of Dorothy Parker”.

Lovesexy (1988)

Considerando o teor sexual explícito de boa parte de sua obra, pode soar engraçado dizer que Lovesexy era considerado por Prince como um álbum gospel (ainda mais se consideramos que o artista está completamente nu na sua capa). Trazendo mensagens positivas que falam sobre a conexão com valores espirituais, “Alphabet St.”, “Glam Slam” e “I Wish U Heaven” tornaram-se grandes sucessos. Ainda que não seja um dos discos mais experimentais do Prince, é um álbum que se destaca pela inovação temática e composições certeiras. Aqui, Prince sublima a si mesmo oferecendo bem-estar aos ouvintes que sofriam a turbulência dos anos que precederam o fim da Guerra Fria.

Love Symbol Album (1992)

O nome do décimo quarto disco de estúdio de Prince na verdade é um símbolo. O sinal gráfico que remete aos símbolos antigos de Vênus e Marte foi registrado como “Love Symbol #2” e, por isso, o álbum é chamado normalmente de Love Symbol Album. Nesse ponto, Prince já estava completamente inserido na estética dos anos 90, tanto que a faixa de abertura, “My Name Is Prince”, conta com a participação especial do rapper do Tony M. O hip hop, inclusive, estava fazendo a cabeça de Prince aqui, como fica claro em “Sexy M.F.”. Com grandes funks como “The Max” e baladas quase bregas, como “The Morning Papers”, o disco surpreende por trazer até mesmo um reggae, “Blue Light”. É o segundo álbum que Prince gravou com a banda de apoio The New Power Generation e é difícil ouvi-lo sem ficar surpreso a cada faixa que passa.

Art Official Age (2014)

Nos anos 2010, a música pop em geral resgatou traços da sonoridade dos anos 80 e Art Official Age é um álbum que reflete sobre isso. Ao mesmo tempo em que traz faixas que miram ao futuro, como o rap grooveado de “U Know”, há momentos em que o artista parece demonstrar como ele consegue, desde sempre, fazer um pop finíssimo e popular. “The Gold Standard” e “Clouds”, por exemplo, são músicas que lembram o passado de Prince, ainda que soem extremamente contemporâneas. E isso não é por acaso: como a serpente que morde a própria cauda, Prince encerrou sua discografia bastante conectado com o início da sua carreira. As noções do que é o “passado” e o que é o “futuro” se confundem em Art Official Age, pois, na verdade, Prince vivia além das barreiras do tempo.

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22/02/2017

Jornalismo, música, astrologia, fotografia, vinil, tarot, direitos humanos, mitologias, fogueiras e a arte do bem-viver me interessam.
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes