Conversamos com a diretora de “Faça Você Mesma”, novo doc sobre a cena Riot Grrrl brasileira

12/07/2017

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: FaçaVocêMesma / Divulgação

12/07/2017

Nos Estados Unidos do início dos anos 1990, brotou do seio do punk um movimento incendiário chamado de Riot Grrrl. Unindo a busca por igualdade de direitos às mulheres à sonoridade agressiva do punk rock, bandas como Bikini Kill e Bratmobile surgiram como uma bomba no meio underground de Washington. Sua força musical tão sensível quanto bruta chamou atenção de imediato e muitos outros grupos femininos nasceram fazendo sons distintos, mas identificados a esse conceito, como Slant 6, Adickdid, Tattle Tale, Jack Off Jill, The Frumpies e Bangs. Chegou um ponto em que a estética desse punk feminista acabou sendo redigerida (e, às vezes, até esvaziada) pelo mainstream, um processo que se conecta ao sucesso massivo de bandas como Garbage, Hole e No Doubt na década de 90 e respinga até no fenômeno ultra pop da Avril Lavigne nos anos 2000.

No Brasil, muitos consideram que Riot Grrrl chegou com a formação do grupo paulista Dominatrix, em 1995. “Acredito que foi o Dominatrix que espalhou esse conceito junto, depois, a bandas como TPM, Hitch Lizard e Cosmogonia“, comenta Leticia Marques. Ela é a diretora do longa-metragem Faça Você Mesma, documentário que está sendo produzido com apoio de um projeto de financiamento coletivo que está aberto até o dia 4/9 (apoie aqui).

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Confira abaixo o teaser de Faça Você Mesma e ouça o primeiro disco completo da Dominatrix:

Letícia conta que a ideia de fazer esse filme nasceu em 2013, após a leitura do livro Riot Grrrl – Revolution Grrrl Style Now, da Nadine Monem. “Escrevi um esboço e deixei a ideia guardada, até que, entre conversas no Facebook sobre a representatividade feminina na cena musical, a Patricia Saltara (produtora do doc e do Girls Rock Camp Brasil) me deu um salve pra fazer um filme da nossa versão riot e eu entrei de cabeça”, lembra.

A diretora explica que os depoimentos do documentário começaram a ser filmados em maio de 2016. Em janeiro de 2017, a equipe registrou a edição paulistana do Girls Rock Camp, captou mais uma série de entrevistas e, agora, “faltam 50% das filmagens”, afirma. “No último mês de março, filmamos duas personagens em Santos e mais entrevistas em São Paulo. As próximas filmagens estão agendadas para o segundo semestre de 2017, completando assim a etapa de produção”, detalha.

Segundo informa o projeto de financiamento coletivo, o objetivo do longa é contar a história do Riot Grrrl no Brasil buscando os “desdobramentos do movimento punk feminista”.

– O filme mescla os estilos observacional e histórico, com o qual buscamos recontar as histórias e reconstruir esse passado por meio de entrevistas com mulheres que fizeram parte da cena junto a imagens de arquivo. Ao mesmo tempo, o doc propõe encontrar os desdobramentos desse movimento na vida de algumas mulheres e, aqui, optamos pelo estilo observacional. Seguimos nossas personagens para conhecer seu dia a dia e ver onde o sentido do riot grrrl se encontra na vida delas nos dias de hoje – afirma a diretora.

Considerando sua mensagem feminista em defesa da igualdade entre mulheres e homens, a música das bandas identificadas com o Riot Grrrl muitas vezes é o gatilho para desencadear processos de transformação na vida de quem está no palco e na plateia. “Acredito que muitas garotas e mulheres que foram tocadas de alguma forma pelo Riot Grrrl foram inspiradas a se desenvolver profissionalmente na música, no cinema e nas artes, convivendo hoje tanto em cenas independentes quanto no mainstream”, exemplifica Letícia Marques: “Os desdobramentos que busquei no filme variam, tem um grupo só de mulheres aprendendo defesa pessoal com duas irmãs em Santos, já a Flavia Biggs trouxe o Girls Rock Camp e o Ladies Rock Camp para o Brasil, que são acampamentos produzidos e geridos por voluntários no estilo ‘faça você mesma’, disseminando a ideia de empoderamento feminino através da música e cultura”.

A previsão de estreia do documentário Faça Você Mesma é dezembro de 2018. Apoie o projeto aqui.

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12/07/2017

Jornalismo, música, astrologia, fotografia, vinil, tarot, direitos humanos, mitologias, fogueiras e a arte do bem-viver me interessam.
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes