Ouça e baixe de graça 30 mil discos antigos de 78rpm

10/08/2017

Powered by WP Bannerize

Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Reprodução

10/08/2017

O The Great 78 Project é daquelas iniciativas que deixa qualquer pesquisador de música completamente louco.

O site se dedica a compilar e preservar o áudio de discos de 78rpm, a mídia que existia antes do LP de vinil ser inventado. “Entre 1898 e os anos 1950, estima-se que 3 milhões de lados (com gravações de cerca de 3 minutos) tenham sido feitos em discos de 78rpm”, afirma o site. Apesar da farta quantidade, hoje é difícil encontrar digitalizados os áudios originais de boa parte dessa produção.

*

Entre para o NOIZE Record Club, o 1º clube de vinil da América Latina! Assine e garanta o kit de “Remonta”, de Liniker e Os Caramelows, antes que as unidades acabem.

O acervo do The Great 78 Project conta com mais 30 mil discos de muitos gêneros musicais e todos os seus arquivos podem ser ouvidos em streaming e estão disponíveis para download gratuito (acesse aqui). Se você procura qualquer tipo de música feita até os anos 1950 tem boas chances de achar aqui algo interessante.

Comece por essa gravação de 1956 de “Sinner Man”, de Les Baxter, e “Minnie The Moocher”, de Cab Calloway, de 1931:

Ao pesquisar no site o termo “Brazil”, vê-se ali uma série de preciosidades da nossa música. J. B. de Carvalho, pioneiro na apresentação no rádio de pontos cantados das religiões afro, está no acervo com os sambas “Foste Embora” e “Juro”. Há também um disco do João da Bahiana datado de 1942 com as faixas “Caboclo do Mato” e “Que Quere Que Que” que contam com a flauta de Pixinguinha. Da mesma época, há um registro de Zé Espinguela e Grupo do Pai Alufa, que gravaram músicas dos cultos afro-brasileiros como “Macumba de Oxossi” e “Macumba de Iansa”. Apesar do site não citar, esses registros fazem parte do histórico Native Brazilian Music, projeto norte-americano gravado no Rio de Janeiro com músicos como Cartola, Donga e Pixinguinha que nunca foi lançado devidamente.

Abaixo, Vanja Orico canta músicas ligadas à cultura negra da Bahia – “A Lenda Do Abaete”, “Peixe Vivo”, “Berimbau” (não confunda com a música de Baden e Vinicius) e “Minino quem é teu mestre” – e José Gonçalves e Janir Martins cantam a animada “Seu Mane Luiz”:

Outro gênero que teve sua história registrada nos discos de 78rpm foi o blues. Há quase 2600 discos do gênero no acervo do site, como “Black Mama”, de Son House, cuja sessão de gravação fez Charley Patton, Willie Brown e Louise Johnson dirigirem do Mississipi até o Wisconsin em junho de 1930. Outro destaque são as faixas da cantora Sister Rosetta Tharpe, como “I Want a Tall Skinny Papa” e “Rock Me”, que soam bastante ousadas para os anos 1940.

Por fim, Sister Rosetta Tharpe cantando “My Man and I”:

Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , ,

10/08/2017

Jornalismo, música, astrologia, fotografia, cultura do vinil, tarot, direitos humanos, mitologias comparadas e a arte do bem-viver muito me interessam.
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes