A Orquestra que transformou Porto Alegre em Olinda

08/01/2016

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Guilherme Darros

Por: Guilherme Darros

Fotos: Joel Vargas

08/01/2016

Quem passava pela frente do Bar Opinião na noite de ontem e não via filas ou pessoas aglomeradas aguardando nas calçadas mal poderia imaginar que um pouco mais tarde, o local se transformaria em uma viela de Olinda, cidade de origem do grupo Orquestra Contemporânea de Olinda que fez uma apresentação que deixou todos sorrindo de orelha a orelha.

Lançando seu terceiro disco, intitulado Bomfim (2015), a Orquestra não tocava na Capital gaúcha há seis anos. Talvez por isso, foram somente cerca de 100 ingressos vendidos antecipadamente. Porém, aos poucos, mais gente foi chegando, totalizando cerca de 150 pessoas que estavam inicialmente “acanhadas” – assim como a banda nos seus primeiros versos. O público foi se soltando a cada música e, no final do show, já estava dançando frevo com a competente Orquestra, formada por Juliano Holanda (guitarra e vocais), Gilú Amaral (percussão), Rapha B (bateria), Hugo Gila (baixo), Tiné e Maciel Salú (vocais), o saxofinista-maestro Ivan do Espírito Santo, além do naipe de metais do Grêmio Musical Henrique Dias, de Olinda, a primeira escola profissionalizante de música sem fins lucrativos da cidade.

Como era de se esperar, o show foi mais focado no álbum Bomfim. Com cerca de meia hora de atraso, o grupo deu início à apresentação com a música “No caldo”, a segunda do novo álbum, seguida de “Pode ir”, “Desafio” e “Amara Preta”, todas do Bomfim. A sequência foi suficiente para que o pequeno público chegasse mais próximo do palco e começasse a dançar sem parar, contagiando também a banda, que correspondeu com muita simpatia, frevo, forró e manguebeat.

Depois, o grupo passou a intercalar músicas dos outros dois discos da banda, como “Falar pra ficar”, do segundo álbum Pra ficar (2012), e “Canto da Sereia”, do primeiro trabalho de estúdio denominado Orquestra Contemporânea de Olinda (2008), que recebeu indicação para o Grammy Latino de 2010, o que tornou a banda reconhecida inclusive no exterior. “Boneco Gigante”, referência aos tradicionais bonecos do carnaval de Olinda, fez com que o grupo questionasse o público se alguém iria passar o carnaval na terra natal da Orquestra, recebendo poucas, mas enfáticas, respostas positivas.

Ao anunciar a música “Três Estrelas Marias”, o vocalista Maciel Salú, dono de uma voz potente, carregada de sotaque, lembrando muitas vezes a voz de Luiz Gonzaga, disse ter escrito a canção para suas três filhas, que seriam suas “três estrelas Marias”. A música, do álbum Bomfim, emocionou a todos, dando um descanso para o público antes de mais uma sequência agitada, com “De leve”, “Viver o que falta viver”, “Saúde II” e “Caxangá”, de Milton Nascimento, que o grupo interpretou para o álbum Mil Tom, em homenagem aos 50 anos de carreira do cantor.

Com o público aplaudindo cada uma das músicas e dançando sem parar, a Orquestra conduziu o show com maestria, demonstrando toda a competência de seus músicos, da percussão aos metais. “Ladeira”, uma das canções mais conhecidas do grupo, foi cantada por todos, já o frevo “Rua do Bomfim”, transformou literalmente o Opinião em Olinda. Teve ainda “Toda massa”, “Ciranda de maluco” e a “Música 13”, outro frevo que deu fim à apresentação antes do público agitado pedir mais uma, pedido prontamente atendido pelo grupo que executou novamente a canção “No caldo”.

O que o pequeno público que foi até o Opinião na noite de ontem assistiu foi uma verdadeira aula sobre Olinda. A Orquestra Contemporânea de Olinda deixou bem claro ao lançar o álbum Bomfim, nome de uma das ruas mais famosas da cidade aliás, que o disco teria influência total das ruas olindenses. O orgulho da cidade aparece tanto no nome do grupo como também em letras, como “No caldo”, em que Maciel Salú canta: “Eu não troco o meu lugar por lugar nenhum onde andei, essa fonte tem água pura nega, é o que embala nosso som”. O resultado de tanta Olinda, é um show contagiante, enérgico e que não deixa ninguém parado.

SETLIST:

No caldo
Pode ir
Desafio
Amara Preta
Falar pra ficar
Canto da Sereia
Nova Era
Boneco Gigante
Não me falta
Ouvi Dizer
Cariri
Três Estrelas Maria
De leve
Viver o que falta viver – Saúde II
Caxangá (Milton Nascimento)
Ladeira
Janela
Rua do Bomfim
Toda Massa
Ciranda de Maluco
Música 13
No caldo (BIS)

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08/01/2016

Guilherme Darros

Guilherme Darros