Psicodália 2019 | Pt.2 | Pepeu, Azymuth e Anelis incendeiam corações e mentes

13/03/2019

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Divulgação

13/03/2019

Durante o Carnaval, passamos cinco dias acampados completamente imersos na dimensão paralela que se abre durante o festival Psicodália.

Ontem, publicamos a primeira parte da cobertura e, abaixo, você confere o que rolou no domingo e na segunda, incluindo conversas com as lendas Azymuth, Jorge Mautner e Pepeu Gomes.

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Dia 3 – Domingo, 3/3

Considerando as necessidades fisiológicas básicas, é humanamente impossível participar de tudo que acontece no Psicodália. Mesmo quem não se propõe a acompanhar a vasta programação de oficinas, teatro e cinema dificilmente consegue assistir a todos os shows porque acontece muita coisa. Entre as 10h e 13h30, os paranaenses da Nanan e da Horrorosas Desprezíveis e os paulistas da Bike tocaram no Palco do Lago, e, naturalmente, o público era bem menor do que o dos shows à noite, no entanto, é impressionante como sempre havia uma quantidade considerável de pessoas prestigiando até mesmo as apresentações da manhã.

Gloire Ilonde (Foto: Ana Quesado)

O Palco do Sol abriu às 14h com Gloire Ilonde, cantor nascido em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, mas que mora há sete anos em Florianópolis. Ilonde se juntou à banda catarinense Brass Groove Brasil e, no palco, eles mostraram toda potência dessa união. Seu show foi lindo, envolvente, puro suingue e positividade. Pra quem não conhece, vale a pena ir atrás do seu trabalho. Em seguida, veio a banda Corte, capitaneada pela cantora Alzira E ao lado de grandes músicos da cena paulistana, como Cuca Ferreira e Daniel Gralha, do Bixiga 70. Esse show foi incrível, mas mudou completamente a vibe, trazendo ao festival uma atmosfera densa, ruidosa, transcendente e, perdão pelo trocadilho, cortante.

Corte (Foto: Ana Quesado)

O próximo nome a tocar no Palco do Sol foi o lendário Azymuth. Formado em 1973 por José Roberto Bertrami (teclados), Alex Malheiros (baixo) e Ivan “Mamão” Conti (bateria), o trio se tornou um dos nomes mais importantes da música brasileira, sendo responsável por uma obra pioneira que une jazz, funk, disco e música eletrônica. Os teclados do trio, hoje, são do também incrível Kiko Continentino e a banda mostrou no Psicodália que, após décadas de estrada, segue com um vigor de dar inveja. A execução de músicas como “In My Treehouse” e “Last Summer In Rio” deixaram todos de boca aberta e, no final, o hit “Linha do Horizonte” chegou pra botar a plateia pra cantar junto.

Azymuth (Foto: Ana Quesado)

Conversamos com o trio nos bastidores e eles revelaram que será lançado um novo disco do Azymuth em abril pela gravadora londrina Far Out Recordings, ainda sem nome definido. Esse álbum trará, inclusive, gravações inéditas que a banda fez ao longo dos anos 1970 e 80. “Fizemos só alguns novos detalhes em estúdio”, revelou Ivan Conti.

“É sensacional o que acontece com o Azymuth, esses dois senhores ao meu lado, com José Roberto Bertrami, criaram um gênero musical que engloba várias coisas, é uma música livre, sem barreiras, e, com isso, expandiram o alcance da música brasileira. Isso acabou se propagando mundo afora, eu não me canso de me surpreender com as manifestações de carinho expresso ao redor do mundo. Tô tocando há quatro anos com eles e sempre somos recebidos com muito respeito. Eu considero um fenômeno, num país como o Brasil que pouco valor dá à música instrumental, salvo situações como essa do Psicodália, eles estarem aí desde o começo dos anos 70 com a carreira discográfica admirável” – comentou Kiko Continentino.

Azymuth (Foto: Ana Quesado)

“É muito trabalho, desde os anos 70 a gente vem trabalhando com músicos do mundo inteiro, do rock progressivo, do funk, do rhythm and blues. Fizemos a banda baseados naquilo tudo que a gente sabia, e desde o primeiro disco já era bem eclético, com uma série de ritmos diferentes, adaptando aos instrumentos eletrônicos. A nossa grande procura foi nos instrumentos eletrônicos. Esses instrumentos fizeram uma ponte com um público de todo mundo. Na parte eletrônica da coisa, a gente foi o primeiro grupo a usar esses instrumentos, nós e os grupos estrangeiros que estavam começando nos anos 70 a procurar isso. É importante a gente, aqui no Brasil, fazer parte dessa comunhão musical internacional. Em 1977, tocamos no festival de Montreux e aquilo expandiu bastante nossa música e, até hoje, estamos fazendo festivais de jazz, de música eletrônica, isso é muito bom. Esse grupo cada vez fica mais jovem. E agora, com a aquisição do nosso querido Kiko, a gente tá fazendo uma música cada vez mais progressiva. A nossa intenção é essa, misturar o que a gente conhece e aproveitar o que a gente tá conhecendo agora pra passar pra rapaziada” – explicou Alex Malheiros.

À noite, a programação do Palco Lunar abriu com o show de Lucinha Turnbull, conhecida como a primeira guitarrista mulher do Brasil. Ao longo de sua vida, ela já acompanhou dezenas de músicos importantíssimos, como Gilberto Gil e Moraes Moreira, além ter sido parceira de Rita Lee na fase posterior à saída dela d´Os Mutantes. Mas mesmo quem não sabia de sua trajetória acompanhou com muita presença e afeto a apresentação dela, que chamou atenção por seu solos de guitarra extremamente elegantes. Lucinha apresentou ainda músicas da sua carreira solo, como “Aroma” e “Sete Sílabas” (do seu disco solo Aroma, de 1980), e clássicos da época em que fez parte da banda Tutti Frutti, como “Mamãe Natureza” e “Ando Jururu”. Da plateia, o baterista do Azymuth, Ivan Conti, o Mamão, acompanhou todo o show da Lucinha, que é sua amiga de longa data, e isso deixou a artista francamente emocionada, como ela comentou no palco e também conosco nos bastidores:

Lucinha Turnbull (Foto: Nicolas Salazar)

“Adorei o festival, fui super bem tratada. Fazia tempo que eu não tocava num festival e é uma delícia, apesar de ser corrido, você vem e toca e vai embora, é aquele entra e sai, é muito gostoso. Tenho vários amigos que tocaram, a Alzira E, o Azymuth, quase morri quando encontrei hoje o Mamão, ele que fez as bateras do Aroma e ele que gravou as baterias do Atrás do porto tem uma cidade [primeiro álbum de Rita Lee & Tutti Frutti, de 1974]. Encontrei ele aqui e falei: “Pô Mamão, vou amar se você for no show”, e ele veio, fiquei apaixonada”.

Em seguida, chegou outro guitarrista, no caso, um dos maiores do mundo. Pepeu Gomes veio ao Psicodália apresentar um show dedicado a homenagear seu primeiro disco solo, Geração de Som (1978). Pouco antes de tocar, ele comentou conosco a apresentação e a experiência de estar nesse evento:

“É interessante porque esse álbum, até hoje, é uma referência para os jovens músicos, faço workshops pelo Brasil todo só falando dele, que foi o primeiro disco de guitarra gravado no Brasil. Então, tem um cunho muito importante dentro da música brasileira, não só pra mim, é um álbum que continua sendo novo e atual. E, de alguma forma, ele me renova, quando faço esse show, preciso ensaiar bastante porque preciso ficar em forma (risos). Aqui no Psicodália eu tô muito feliz de que tiveram esse critério de pedir a reedição do show desse álbum, que eu já tinha feito em São Paulo. E, politicamente falando, a importância do Psicodália é muito grande, não só do Psicodália, mas também de outros festivais, porque reafirma a posição de nós brasileiros, dos jovens, dos democratas, das pessoas que têm opinião própria e vontade de ter um Brasil mais livre e mais igual. Acho importante que aconteçam festivais como esse no Brasil e no mundo. Eu vivi o ‘paz e amor’ de boa, sabe? Hoje, os tempos são diferentes, a repressão é maior. Mesmo sendo perseguidos pela Ditadura, a gente conseguia driblar a Ditadura. Hoje não, a gente tem um governo militar em que a gente não sabe o que vai acontecer. Infelizmente, é o que temos pra hoje no Brasil, temos que segurar a onda e ver o que vai dar. Então, acho bacana quando vejo um bocado de gente junta, e música rolando, sem violência, com todo mundo se respeitando. Só acho que essa relação tem que ser cada vez mais trabalhada pra que as coisas sejam feitas com organização e logística melhor. Porque a gente não tá mais em Woodstock, a gente tá no terceiro milênio, pra fazer um Woodstock do terceiro milênio, temos que aproveitar toda a tecnologia logística que a gente tem no mundo hoje”.

Pepeu Gomes (Foto: Nicolas Salazar)

Seu show, como esperado, fez a plateia decolar. Foi um espetáculo intenso em que, além de tocar o Geração de Som, Pepeu deitou e rolou pelo braço da guitarra, disparando inacreditáveis acrobacias nas seis cordas. Teve versões funk-prog de “Brasileirinho”, “Tico-Tico no Fubá” e, no final, do Hino Nacional do Brasil (o que, naturalmente, dividiu um pouco a plateia) e de “Satisfaction”.

Chico Trujillo (Foto: Nicolas Salazar)

Na sequência, o Palco Lunar fechou a programação do dia com o grande show da banda chilena Chico Trujillo. Formado em 1999, o grupo é um dos principais nomes do que se chama muitas vezes de “nova cumbia chilena”, um subgênero de cumbia que une psicodelia, ska e rock ‘n’ roll ao ritmo latino clássico. Sua apresentação foi um momento de catarse total, em que todos se desmancharam de tanto dançar. No fim, rolou até uma versão rápida de “Mas Que Nada”, do Jorge Ben.

Trabalhos Espaciais Manuais (Foto: José Tramontin)

O Palco dos Guerreiros abriu mantendo o alto nível da noite com o show da banda gaúcha Trabalhos Espaciais Manuais. A primeira apresentação da big band no Psicodália foi uma das melhores surpresas do festival para muita gente que estava ali. Sua mistura original de jazz, funk, ska, afrobeat e rimtos brasileiros entrou pelos ouvidos e invadiu os quadris de todos, impedindo qualquer possibilidade de não começar a dançar. Com seis anos de atividade, é nítido o crescimento da banda e seu show, repleto de solos transcendentes e coreografias, foi muito elogiado pelo público.

Mamamute (Foto: José Tramontin)

A última atração da noite chegou atendendo a quem já estava com saudades do bom e velho rock ‘n’ roll. A paulistana Mamamute trouxe um soco de riffs que atingiram com força a plateia e a manteve de pé apesar de a madrugada já estar avançada. Foi pesado e visceral, quando acabou boa parte dos presentes foi se deitar, mas, como sempre, um expressivo número pessoas seguiu acordado aproveitando os afters que se espalhavam pela área do evento em rodas abertas de música e em uma festinha quente com discotecagem em vinil.

Dia 4 – Segunda, 4/3

Em frente ao Palco do Lago havia, de fato, um lago que passava o dia todo recebendo banhistas com roupas ou não. A nudez de homens e mulheres, inclusive, foi uma das marcas do festival e algo totalmente naturalizado durante todos os dias. E a atmosfera de liberdade era tanta que, apesar do calor extremo que fazia durante o dia, havia também pessoas que se sentiam à vontade estando completamente fantasiadas de pirata, cavaleiro Jedi, etc. O quarto dia da maratona começou com os shows matutinos da lenda hippie paranaense Plá, do também paranaense Diego Perin e do mineiro Luiz Gabriel Lopes.

Foto: Ana Quesado

Já o Palco do Sol iniciou sua programação às 14h com a apresentação sensível e contundente do paranaense Leo Fressato. Em seguida, veio o show forte do Escambau, que apesar de contar com um vocalista gaúcho, Giovanni Caruso, e uma vocalista do Paraguai, a Paraguaya, é uma banda formada no Paraná. Em atividade desde 2009, o grupo estava comemorando seus dez anos de atividades e avisou no palco que, em abril, lançará seu quinto disco de estúdio. Fazendo um som calcado na tradição roqueira, é impressionante como suas composições ácidas e irônicas conseguem revitalizar um gênero musical que, muitas vezes, corre o risco de escorregar no óbvio. O Escambau vai longe do óbvio e fez bonito com sua apresentação marcada por críticas sociais e chamados à união cultural latino-americana.

Escambau (Foto: José Tramontin)

Anelis Assumpção (Foto: Emília Senapeschi)

O show seguinte, de Anelis Assumpção, sem dúvidas, foi um dos momentos mais emocionantes de todo evento. A cantora, que é filha do mestre Itamar Assumpção, estava acompanhada por uma banda incrível, que incluía o guitarrista e cantor Saulo Duarte, e a performance deles trouxe uma energia que eletrizou a plateia. Anelis cantou várias músicas do seu disco mais recente, Taurina (2018), como “Água”, “Segunda a Sexta” e “Mergulho Interior”, mas também fez um bloco dedicado a homenagens aos seus referenciais, que incluiu versões de “No Sympathy”, do Peter Tosh, e “Negra Melodia”, de Itamar Assumpção, emendada com “Them Belly Full”, do Bob Marley. No bis, ela cantou ainda “Prezadíssimos Ouvintes”, de Itamar, e uma versão emocionante de “Eu Sou o Caso Deles“, d’Os Novos Baianos. Como uma Leoa de Judá, abelha rainha de Kingston, Anelis foi arrasadora. “Aproveitem o festival todo pra transmutar, a gente vai precisar dessa energia no resto do ano. Obrigada!”, disse ao fim do show.

Em seguida, foi a vez de Jorge Mautner abrir o Palco Lunar ao lado da banda carioca Tono, formada por Bem Gil, Mãeana, Bruno Di Lullo e Rafael Rocha. Antes do show, ele comentou conosco sua apresentação no Psicodália e seu disco novo, Não há abismo em que o Brasil caiba, produzido por Bem Gil, tocado pela Tono e que está prestes a ser lançado:

“Nós estamos no carnaval, né? Então, o show vai ter uma grande parte carnavalesca e também uma grande parte das minhas músicas que se encaixam no carnaval. Do disco novo tem alguma coisa, eu não sei bem porque eu deixei o Bem Gil escolher, ficou a critério dele, eu vou ver agora. E o disco tá pra sair, 23 de abril já tem show no Theatro Net Rio. Esse disco ficou bom demais, acho que é o melhor que eu fiz. Pela emoção e por esses gênios músicos que me acompanham, o Bem Gil, o Rafael, o Bruno, todo mundo. São eles que fazem a música, eu vou atrás de tudo que eles falam. Nesse disco, tenho músicas pra minha esposa, somos casados há 50 anos, e também agradecendo a Jesus de Nazaré e aos orixás e aos tambores do candomblé e pelo nascimento da minha filha Amora e da nossa netinha Julia, tem músicas que falam de toda a minha vida. Na gravação, foram muitas risadas, eu e o Bem Gil, tenho foto com ele com seis meses de idade… Aos quatro anos a gente brincava num terraço, lá na Bahia, e tinha umas folhas que caiam, aí, de repente, uma folha caiu e aí voou de novo e sumiu, aí ele falou, “ih, ela quis ficar com as outras folhas”, já era poesia com quatro anos! (risos) O disco é nesse mundo, envolve tudo, situação política e principalmente a condição humana e a maravilha que é o Brasil que é um continente que nunca teve Estado nem governo, são mutirões, é como o sonho do [pensador anarquista Pyotr Alexeyevich] Kropotkin, grupos de pessoas que se ajudam, é totalmente descentralizado e vive dessa imensa condição humana que o brasileiro tem de receber o outro. E essa solidariedade imensa se expressa na música popular”.

Jorge Mautner (Foto: Nicolas Salazar)

Quando subiram ao Palco Lunar, Mautner e Tono foram extremamente ovacionados. “Manjar de Reis” (do disco de 2002 em parceria com Caetano Veloso, Eu Não Peço Desculpa), “Sapo Cururu” (do primeiro álbum, Pra Iluminar a Cidade, de 1972) e “Samba dos Animais” (do segundo disco, Jorge Mautner, de 1974) foram as primeiras do show. Depois, Mautner discursou brevemente sobre a história do samba e a figura de Cartola, que ficou esquecido por muitos anos até ser redescoberto e, em seguida, engatou um samba em homenagem à lendária Clementina de Jesus cujo refrão falava: “Clementina de Jesus / Cadê você, cadê você?”. Em seguida, teve ainda “Herói das Estrelas” (do disco de 74), “Eu Não Peço Desculpas” e “Soldado Revolucionário” – uma composição dos tempos da Revolução Mexicana. “Viva Benito Juárez, Emiliano Zapata e Pancho Villa”, disse Mautner antes de puxar um dos seus maiores sucessos, “Vampiro”. “Viva vocês que vão fazer um novo Brasil!”, bradou. Em seguida, avisou que o baterista Rafael Rocha iria cantar a clássica “Cinco Bombas Atômicas”, que foi seguida de uma versão emocionante de “Lágrimas Negras” cantada por Mãeana. Era nítida a dificuldade que Mautner teve ao cantar algumas canções, mas a Tono estava ao seu redor para lhe ajudar sempre que necessário e, independente disso, o show foi belíssimo. “Eu tenho apenas um pequeno presente pra vocês: meu coração”, disse Mautner, ao que a plateia urrou em resposta. No fim, teve ainda o hit “Maracatu Atômico” e “O relógio quebrou” como bis.

Hermeto Pascoal (Foto: Nicolas Salazar)

Depois, subiu ao Palco Lunar o monumental Hermeto Pascoal. Acompanhado de seu quinteto, o bruxo foi responsável por um verdadeiro rito instrumental que levou os presentes a se conectarem a algo maior, como se a própria deusa Música estivesse encarnando ali na frente de todos. A mera aparição de Hermeto já impressiona, mas quando seu corpo se mexe produzindo som algo realmente mágico acontece, algo que deixa qualquer um que observa aquilo se sentindo privilegiado e agradecido. A programação do palco principal da noite fechou com o show bombástico da Confraria da Costa. A banda paranaense é conhecida por seu som pirata, que remete a um universo que une o Tom Waits ao Jack Sparrow. Entre fanfarras e composições tão engraçadas quanto trágicas, a plateia se divertiu demais.

Confraria da Costa (Foto: Nicolas Salazar)

Abayomy (Foto: José Tramontin)

O próximo show, que abriu o Palco dos Guerreiros, foi um dos melhores de todo festival. A super banda Abayomy, formada por músicos de peso como Thomas Harres, Gustavo Benjão e Pedro Dantas (e que contou ainda com Larissa Conforto) fez uma apresentação devastadora, uma aula de afrobeat com uma percussão chocante e uma dinâmica de palco linda, em que cada músico tomava a frente do palco separadamente. Músicas como “Abra Sua Cabeça” e “Mundo Sem Memória”, ambas do álbum Abra Sua Cabeça (2016), contagiaram os esqueletos de todos e o show teve ainda uma versão incrível do hino “Manguetown”, de Chico Science & Nação Zumbi. “Queríamos dedicar esse show aos nossos mestres Fela Kuti, Gilberto Gil e Alexandre Garnizé (percussionista da Abayomy que não estava presente). Fazer arte hoje é resistência, vamos viver de resistência! Axé!”, gritou a banda do palco.

Picanha de Chernobill (Foto: José Tramontin)

No meio da madrugada, o power trio Picanha de Chernobill foi um alento para quem não tinha condições de voltar para sua barraca. Seu show, inspirado em um rock bluseiro e grooveado, foi mais um ótimo jeito de acabar a noite.

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13/03/2019

Editor
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes