Brutalidade e emoções à flor da pele na volta do Slayer ao Brasil

12/05/2017

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Débora Duarte

Por: Débora Duarte

Fotos: Ariel Fagundes

12/05/2017

A noite fria de Porto Alegre esquentou com a estreia do Slayer na capital gaúcha. A lenda do trash metal veio trazer toda sua brutalidade divulgando o álbum mais recente, Repentles (2015). Esse é o primeiro disco após a morte do guitarrista Jeff Hanneman, e de certo modo, é um trabalho que traz um sentimento de comoção aos fãs da banda.

Eis que a escuridão tomou conta do Pepsi On Stage. A abertura do show com Red Fang colocou todos no clima e expectativa para o show principal. Era perceptível que, inclusive os integrantes da banda, esperavam para curtir esse momento épico.

Red Fang (Foto: Ariel Fagundes)

Quando os primeiros acordes do Slayer começaram a tocar já se ouviam pessoas entoando a melodia de “Raining Blood” em formas de “o”. O som chegou como um soco direto e reto que levou o público a uma agitação frenética e insana. Alguns estavam mais animados do que outros, mas todos veneravam o poder do metal transmitido por um dos Big Four, o único que ainda não conhecia Porto Alegre, já que o Metallica, Megadeth e Anthrax se apresentaram na cidade anos atrás.

Slayer (Foto: Ariel Fagundes)

Os gritos foram mais fortes quando a banda tocou as músicas mais famosas de sua carreira. Em “Dead Skin Mask”, um coro espontâneo marcou o refrão, com todo mundo erguendo as mãos ao alto cantando: “Dance with the dead in my dreams”…

As letras das músicas estavam na ponta da língua da multidão e, para todo lado que se olhasse, alguém estava pulando, balançando a cabeça ou gesticulando o símbolo do metal. Era uma sintonia tão forte que chegava a ser mística.

Slayer (Foto: Ariel Fagundes)

Quando o vocalista Tom Araya parou de tocar e cantar e ficou apenas olhando para a plateia, um misto de adoração por um dos deuses do metal e excitação tomou conta dos fãs, que começaram a gritar “Slayer” repetidamente. Esse momento foi como um marco, consagrando a importância da banda para a história do gênero. Chegou a ser emocionante, até porque não é todo dia que se vê tanta gente de preto, com correntes, coturnos e jaquetas espetadas se esforçando para manter a postura e não cair em lágrimas. Ainda assim, muitas escaparam borrando a maquiagem pesada de alguns e umedecendo a longa barba de outros.

Slayer (Foto: Ariel Fagundes)

O final do show com “Angel of Death” foi algo além do que se pode descrever. Araya gritou no microfone o nome da música e a massa de fãs foi a loucura. O som metálico e violento fez a platéia inteira pular e cantar. Um gesto feito pelo vocalista representando o “anjo da morte” com suas mãos marcou o fim do show enquanto o ouvimos dizer “obrigado” seguido de “adiós”.

Depois de toda essa demonstração de fúria musical, só restava a esperança de conseguir pegar uma palheta ou baqueta que o guitarrista, baixista e baterista estavam jogando em direção ao público. Alguns sortudos conseguiram.

Slayer (Foto: Ariel Fagundes)

A sensação de satisfação de ter assistido ao show de uma das maiores bandas do metal estava estampada nos rostos de cada metaleiro presente. Pode até não ter chovido sangue, mas não faltaram lágrimas pra consagrar essa noite inesquecível.

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12/05/2017

Publicitária, desenvolvedora e amante da música.
Débora Duarte

Débora Duarte