#ExclusivoNOIZE | As explosões do Foals em “What Went Down”

21/08/2015

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Leonardo Baldessarelli

Por: Leonardo Baldessarelli

Fotos: Divulgação

21/08/2015

Ainda lembro a surpresa que foi ouvir “Inhaler” lá em 2013. O primeiro single de Holy Fire, terceiro disco do Foals, chegou como um soco na cara dos fãs acostumados ao som de Antidotes (2008) e Total Life Forever (2010). As bases e riffs que acompanhavam os gritos do vocalista Yannis Philippakis formaram a música mais pesada e barulhenta da banda até aquele momento, lembrando muito mais Muse e Editors do que as referências antigas do grupo, como Radiohead e Bloc Party. Quando Holy Fire enfim foi lançado, deu para perceber que “Inhaler” era meio que exceção no disco, ao lado de faixas mais atmosféricas e do hit indie “My Number”. Para quem queria mais de “Inhaler”, o novo álbum What Went Down, que será lançado em 28 de agosto, está praticamente perfeito. Após ouvir o disco com exclusividade, em uma cortesia da Warner Music UK, dá para dizer facilmente que o quarto trabalho de estúdio da banda é o mais pesado deles, e já disputa com Total Life Forever o posto de melhor coisa que os caras já fizeram.

Dava para começar a perceber isso já no primeiro som divulgado, a faixa-título, solta lá no meio de junho. A batida rápida poderia lembrar o primeiro disco deles, mas os riffs mais lentos e graves, todos bem distorcidos, já fizeram a nova vibe dar às caras. A mescla estereotipada de indie e math rock, típica de Antidotes, ficou para trás. O Foals não deixou de ser indie, claro, mas agora o clima é de arena, bombástico, rock ‘n’ roll, quase metal. O segundo single “Mountain At My Gates” volta com os clássicos contrapontos de guitarra que moldaram o som antigo da banda, mas tudo explode no solo de guitarra e nos últimos versos. O próprio vídeo para a canção, todo em 360º e patrocinado pela GoPro, traz a ideia de “tempestade” nos momentos derradeiros da faixa, conversando muito bem com o que acontece na música.

Os dois singles são também as primeiras faixas do disco, deixando o caminho aberto para os sons mais calminhos que surgem em seguida. “Birch Tree”, por exemplo, tem a levada indie dançante dos últimos trabalhos dos caras. Já “Give It All” começa quase sem percussão, com sintetizadores e com um lindo riff de guitarra ao fundo. Depois, ela explode com uma batida mais forte e os vocais melódicos de Yannis, lembrando especialmente as composições de Total Life Forever.

Mas é bem no centro do disco que surgem os sons que resumem tudo de um jeito claro: “Albatross” e “Snake Oil”. A primeira já foi citada pela banda, em entrevista à NME, como algo diferente de tudo que já fizeram. Eles utilizaram o truque harmônico “tierce de picardie” para criar uma construção melódica e estrutural diferente, dando vida a uma faixa em eterno crescendo. Já “Snake Oil” é uma música de grandes (e muitos) riffs, um rock de arena extremo, daqueles que nos fazem imaginar a loucura que serão os shows da nova turnê da banda, principalmente na parte final e explosiva da faixa. Cada uma representa praticamente metade do disco. “Albatross”, com seu clima groovado e frases instrumentais se repetindo para criar a atmosfera, vai de encontro aos sons antigos mais conhecidos da banda, como “Miami”, “Black Gold” e até a épica e favorita dos fãs “Spanish Sahara”. Já “Snake Oil” é praticamente um encontro entre “My Number” e “Inhaler”, com um clima sexy, no estilo do blues rock de Jack White, mas com riffs pesados e graves que lembram mais qualquer música do Kyuss.

A única faixa do disco em que a banda não pega pesado nem no groove nem nos grandes riffs é “London Thunder”, que acaba ganhando um clima mais sensível e atmosférico, algo como um oasis para quem não está acostumado à bateria tocando sem parar e em ritmo veloz. A banda chega a flertar com o rock industrial em “Night Swimmers”, misturando um beat eletrônico com um riff grave e pesado. E a última música, “A Knife In The Ocean”, impressiona ainda mais. Os músicos criam praticamente uma síntese musical de tudo o que aconteceu até então: verso tranquilo, mas com uma bateria firme, já indicando que vem algo grandioso pela frente. Não por acaso, a batida segue a mesma no refrão, mas todo o resto muda com a explosão de sons e vozes. É uma séria candidata a melhor música do grupo.

O Foals conseguiu deixar as partes em que seu som sempre foi épico ainda mais bombásticas, e as partes com levada mais lenta e groovada seguem cheias de bons contrapontos e melodias, com muitos detalhes espalhados pelo som. Fica a dúvida: a maturidade e a evolução artística da banda são suficientes para superar a sensibilidade de um disco como Total Life Forever? É difícil dizer agora, porque o segundo álbum do grupo já é quase um clássico quando inserido no contexto histórico do indie inglês, enquanto What Went Down ainda vai ser lançado. Mas a impressão que fica é que os ingleses chegaram a mais um topo, e que a banda tem potencial para ser ainda melhor e maior. É um disco de afirmação, confirmando as suspeitas deixadas por Holy Fire: o Foals quer ser gigante, e está no caminho.

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21/08/2015

Redator de social media, jornalista, músico, emo, jogador de bocha, astrólogo e benzedeiro nas horas vagas. Um colono que se encontrou na cidade grande e agora pensa que sabe escrever sobre qualquer coisa.
Leonardo Baldessarelli

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