Nosso amor pelos Strokes ainda vive! Entramos no camarim da banda depois do show no Lolla

29/03/2017

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Tássia Costa

Por: Tássia Costa

Fotos: Tássia Costa

29/03/2017

Depois do show dos Strokes no Lollapalooza Brasil, eu fui parar no backstage deles. Foi tudo muito rápido, assim que os últimos ruídos do reverb das guitarras de Nick Valensi e Albert Hammond Jr pararam de ecoar, Annita reuniu nosso grupo de amigos e nos chamou para uma porta do lado direito do palco. De repente, estávamos com uma pessoa da organização do festival subindo umas escadinhas já atrás do palco, que nos levaram até um espaço com salas que tinham a logo da banda impressa em todas as portas.

Éramos cinco pessoas que se conheceram na internet e, pelo menos desde 2010, tentamos manter por conta própria um website para compartilhar notícias sobre The Strokes em português – naquela época, os fansites estavam a todo vapor e tudo feito no The Strokes Brasil por mim, Annita, Nice, Marina e Alan ao longo dos anos foi por puro amor ao que a música dessa banda nos proporcionou durante a adolescência e aos amigos que elas nos fizeram conhecer (e essa é a melhor parte da música, na minha opinião). Foi graças ao site que chegamos ali.

Só para contextualizar um pouco melhor: aquela estava sendo a terceira vez dos Strokes no Brasil, mas era a nossa primeira vez, todos juntos, em um show deles. No meu caso, era o meu segundo show deles ao vivo, tendo visto os caras também em 2011 no Festival Planeta Terra. Em 2009, conheci Fabrizio Moretti no show do Little Joy em Recife por causa de uma camiseta que fiz para a banda, depois nos reencontramos em 2011 no show do Terra. E, por fim, em 2014, conheci Julian Casablancas brevemente quando ele se apresentou também no Lolla com The Voidz.

Ao chegar naquele espaço das salinhas recebemos adesivos de identificação cor de rosa com a logo da banda e voilà! O primeiro que encontramos foi Fabrizio Moretti. Cheio de simpatia e com um sorriso largo no rosto, o baterista brasileiro nos cumprimentou em português e lembrou de ter conhecido alguns de nós previamente. Comecei a me apresentar “oi Fab, você não deve se lembrar, mas eu sou Tássia, que fez o design da camiseta…” e fui interrompida por ele, que completou a frase “…do Little Joy, eu sei, me lembro de você!” e me deu um abraço apertado, como alguém que acabou de reencontrar um amigo por acaso depois de anos sem ter notícias.

A gente sempre acha que os astros do rock com anos de estrada já estão acostumados com as performances ao vivo e que para eles é super comum subir aos palcos, mas a primeira coisa que Fabrizio nos contou foi o quanto ele estava nervoso antes do show, “eu olhei o tamanho daquele palco e fiquei enjoado”.

Ele nos disse para ficar à vontade, comer e beber do que a gente quisesse. Então olhei para a mesinha cheia de quitutes pela primeira vez, tendo toda minha atenção concentrada nos copinhos cheios de pão de queijo. Lembrei imediatamente do texto de uma colunista da Folha que falava sobre o pedido da banda por pamonha e pão de queijo para o camarim aqui no Brasil e tive que perguntar se foi ele quem pediu aquelas iguarias. Mais uma vez vi um sorriso enorme se abrir no rosto de Fabrizio, que respondeu em uma mistura de portunglês “of course, eu amo pão de queijo”.

Deixamos ele interagir com outras pessoas enquanto nos servimos – não vou negar, depois de horas de espera e de gastar tanta energia no show, precisávamos de um lanche -, e quando desviamos nossa atenção da mesa, percebemos que Julian Casablancas e Albert Hammond Jr também estavam por ali conversando com pessoas da equipe de turnê e amigos.

O guitarrista foi o primeiro dos dois a ter um tempinho livre para falar conosco. Agradecemos pelo show e Alan perguntou se ele teria algum disco para nos indicar, mas Albert disse que não conseguia lembrar de nenhum álbum extremamente bom deste ano naquele momento, só poderia indicar um filme: “Eu posso te falar de um filme, A Chegada é um muito bom”. Ex-estudante de cinema, Albert ainda mantém um forte entusiasmo pela produção cinematográfica, tanto que atuou no filme Newness, um lançamento deste ano dirigido pelo californiano Drake Doremus, e que conta também com participação do ator Matthew Gray Gubler.

Esse mini papo foi o tempo necessário para que Nikolai Fraiture também aparecesse por ali e assim que ele viu Nice vestindo uma camiseta da banda Summer Moon (seu novo projeto, que lançou um disco no começo do mês), logo atendeu também ao nosso chamado por um minuto de conversa. Ele é um pouco mais tímido que os outros e, quando pedimos uma foto, nos disse para esperar um momentinho que iria colocar seus óculos escuros primeiro: entrou na salinha e pouco depois saiu usando os óculos, mesmo sendo noite.

Julian é quem normalmente se apresenta ao vivo usando óculos, mas ali no backstage ele não tinha nenhum adereço muito diferente. Quando ele nos cedeu um pouco do seu tempo, parecia um pouco mais cansado que os outros e falava bem menos, o que me deixou um pouco intimidada. Até que acumulei coragem suficiente e fui fazendo todas as perguntas que me vinham em mente na hora.

A primeira foi sobre a música “Drag Queen”, do EP Future Present Past, que eles haviam tocado ao vivo naquela noite. Antes de começar a tocá-la, ele dedicou ao seu irmão Fernando, e perguntei se ele havia escrito a música para o irmão ou se ele apenas estava dedicando a música ao vivo. “A música não é sobre ele, só me pediu pra fazer isso por que ama essa música”, ele respondeu.

Percebendo que eu estava interessada em conversar mais e não apenas pedir uma foto, ele foi se soltando. Em algum momento perguntei se o som vazando do palco Perry estava incomodando ele durante o show (no meio da apresentação ele parou várias vezes para cantarolar ou fazer comentários sobre estar ouvindo uma música vindo de longe), e ele disse que não, “Eu me divirto muito mais quando estou fazendo essas improvisações do que quando toco essas músicas que interpreto a vida toda”. Também comentei que os fãs estavam gritando por ele na plateia – e talvez acabei explicando para ele um dos memes mais famosos do fandom dos Strokes -, mas chamando ele de “Juliano”, ele logo entendeu. “Ah, então é uma brincadeira? Assim como eles chamam o Albert de Alberto?”, e sorriu.

Não tínhamos limite de tempo para ficar lá dentro e já havia se passado aproximadamente 1h30 desde que entramos no backstage, o mesmo tempo do set da banda no palco. Era como se já fizéssemos parte daquele ambiente como conhecidos deles de longas datas.

O clima entre a banda era super amigável, e quando não estavam conversando com amigos, eles trocavam comentários entre si que não ouvimos, mas podíamos ver os sorrisos posteriores a essas trocas. E, apesar de estarem nitidamente cansados devido à logística das viagens de avião (eles chegaram no Brasil quase à meia noite do domingo), dava para sentir que também estavam muito satisfeitos com o começo da série de shows na América do Sul, que se iniciou na Colômbia, sendo o Brasil a segunda parada.

Percebi que eles estavam se organizando para ir embora e senti falta de Nick Valensi, que não tinha saído da salinha com a placa “room 5” na porta em momento algum. Fab foi o primeiro a se despedir: nos agradeceu por termos vindo ao show, dando em cada um de nós um abraço e um beijo no rosto acompanhando de um “take care”. Um por um, eles foram saindo com mochilas e casacos, menos Nick.

Quando tudo esvaziou e achamos que já estávamos ali por tempo demais, Nick saiu às pressas porque estava bem atrasado para ir embora, “a banda inteira está me esperando pra sair”, mas mesmo assim nos deu atenção. Achei que não teríamos tempo de conversar muito, porque ele realmente parecia apressado, então me despedi e fui pegar uma bebida. Voltei a procurar meus amigos quando percebi que Nick ainda estava lá, agora muito mais tranquilo. Ele havia perdido a van da banda.

“Ok, vamos ter uma boa conversa agora”. Então retomamos a conversa perguntando sobre sua nova banda CRX e se ele tinha planos de vir tocar aqui no Brasil. “Talvez no ano que vem… Eu gostaria muito de trazer o CRX para o Brasil no ano que vem”, foi a resposta animadora que tivemos.

De repente o assunto chegou na Amanda [De Cadenet, a mulher de Nick, que é fotógrafa e apresentadora do programa The Conversation], falamos sobre nossa admiração por ela, e ele perguntou se podia fazer um vídeo nosso. Tirou o celular do bolso e pediu que repetíssemos tudo que havíamos dito, porque ela adorava receber carinho dos fãs de Strokes. “Vou enviar esse vídeo pra ela agora mesmo” e bem na nossa frente encaminhou o vídeo para o contato dela.

Então invertemos os papéis e ele começou a nos fazer perguntas: “agora me falem sobre vocês, todos moram em São Paulo? Como vocês se conheceram?” Respondemos que moramos cada um em um lugar do Brasil, mantemos contato pela internet e foi a música dos Strokes que nos fez conhecer uns aos outros. Ele soltou um sonoro “wow!”.

“Sua música é muito mais importante do que você imagina”, comentei. Vi na minha frente um Nick Valensi completamente fascinado pelo poder de sua própria música. “Eu não tinha ideia, mas isso é incrível”, foi a resposta final.

Apesar de todo bem estar que sentimos ali e de Nick não demonstrar nenhum tipo incômodo com a nossa presença, resolvemos ir embora porque tínhamos outros amigos esperando do lado de fora do backstage e já era quase meia noite. Não tínhamos medo de estar vivendo um conto de fadas, como a Cinderela, em que o encanto acabaria, mas não havia carruagem nos esperando ou uma abóbora para transformar magicamente em um transporte. Precisávamos chamar um Uber ou Cabify mesmo e a qualquer momento a segunda van que levaria Nick embora estaria esperando por ele.

Nos despedimos com um abraço apertado e a promessa do show do CRX no ano que vem. “Não demorem mais seis anos pra voltar com os Strokes”, pedimos enquanto andamos em direção à escadinha, ainda incrédulos com tudo. “Vamos tentar”, ele respondeu. “Talvez dois anos sejam o suficiente? Até mais!”, concordamos e saímos satisfeitos com a previsão.

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29/03/2017

Lou Reed é minha bússola.
Tássia Costa

Tássia Costa