7 tópicos da palestra de Chance the Rapper em Harvard

25/05/2015

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Jon Cohen/Reprodução

25/05/2015

Há poucas semanas, a Universidade de Harvard convidou Chance the Rapper para dar uma palestra nessa que é uma das instituições acadêmicas mais respeitadas do mundo. A atividade foi promovida pelo Hiphop Archive & Research Institute da universidade e, na conversa com os estudantes, o rapper soltou pérolas sobre a indústria da música e o contexto do hip hop atual.

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Veja abaixo as melhores frases do músico:

1) TIDAL
“A fórmula do TIDAL é incrível se realmente funcionar. É um tipo de conexão direta entre fã-e-artista ou fã-e-distribuidora, mas ainda não está funcionando dessa forma. Todo mundo que estava no palco [no dia do lançamento do streaming criado por Jay-Z] já estava contratado por uma gravadora. No fim das contas, todos esses serviços de streaming são doidos pra caralho”.

2) SoundCloud
“Soundcloud é demais. É doente pra caralho. Espaço pra artistas, você pode subir sua música a qualquer momento. Você consegue as métricas mais loucas que alguém pode te oferecer: sexo, idade, região do mundo onde essas pessoas vivem, um relatório bem detalhado de quem são os seus fãs e do que eles gostam. Uma das coisas mais legais é que você pode mudar a música que você deu upload. Você pode mudar aleatoriamente a música que está tocando e manter a mesma informação ali. Eu fiz uma coisa por um tempo chamada Broadcast, onde eu trocava aleatoriamente as músicas que eu tinha postado no Sondcloud por um arquivo de áudio diferente, sem contar pra ninguém. Eu lançava músicas assim, então fãs aleatórios do mundo todo ouviam músicas que eu ainda não tinha lançado”.

3) Machismo no rap
“Uma semana depois [do lançamento de Acid Rap (2013)], eu estava trabalhando na casa do meu amigo Peter numa gravação chamada “Goofy”. O mote era sobre uma vagabunda que foi pateta várias vezes. Isso é terrível, mas é uma música que pega mesmo. Dias depois, eu gravei outra música chamada “Regular” para o projeto Surf (2015). Não sei de onde veio tudo isso, de onde veio tanta raiva, de onde veio essa desassociação com as mulheres e com as mulheres negras especificamente, mas em um período curto de tempo eu estava escrevendo um monte de gravações que apenas parece que receberam muita má vontade. Eu ouvi de novo essas duas faixas e não consegui associar elas [às críticas]. Eu tive esse momento curto, mas importante, de reflexão. Me senti muito responsável, então eu entrei nessa e retirei o verso “This Bitch Is Goofy”. “Regular” ainda vai estar em Surf. Essa é boa demais. É a minha resposta a por que eu ainda uso a palavra ‘bitch'”.

4) Integridade artística
“Não faça a música que eles gostam. Faça com que eles gostem da música que você faz. Não seria legal se você estivesse fazendo só pra que eles possam fuder com isso. Qual é o ponto?”.

5) Hip hop e violência
“Esse é um assunto complicado porque eu tenho visto as notícias sobre Chicago com um nível de consciência do fim dos anos 90. Eu vi a mudança na música e os filhos da puta de Chicago começaram a se tornar virais. Eu vi esse poder ascender, esses novos tipos de regras surgindo na forma como as pessoas interagem. Teve uma época em que era, “alguém morreu, isso é importante”. Mas eu acho que os caras começaram a achar legal ter “RIP my homie” escrito na camiseta. Eu vi isso virar uma loucura entre 2011-2012. Havia muitas coisas acontecendo na época, mas a melhor maneira de ver isso foi através daqueles vídeos do Youtube que viraram virais. Filhos da puta da escola perto de você estavam neles dizendo ‘eu tenho isso de armas’, e no próximo vídeo os caras diziam ‘ah, nós temos tudo isso de armas!’. E foi indo e vindo assim até que alguém acabasse morto. E isso é bem diferente de alguma treta das antigas de West Coast, ou dois rappers muito famosos falando mal um do outro. Eu não sei como abordar esse assunto. Obviamente, a violência não vem da música, isso é estupidez. Essa não é a resposta. Mas a música pode ser muito influente, especialmente numa base viral”.

6) Kanye West
“Toda vez que ele fala, tem um propósito. Tudo que ele diz tem um objetivo e é muito calculado. Toquei uns sete shows com ele no ano passado, mas não conheci ele em nenhum desses shows. Aquele merda se tranca depois do show porque ele é casado com o presidente, ou algo assim. Mas uma vez Jaden Smith me apresentou ao Kanye. Ele nunca fala nada pra agradar ninguém. Ele só dá pra você a ideias dele e seus sentimentos sobre como o mundo funciona e como deveria funcionar. Eu só respeito ele pra caralho, e eu respeito ele muito mais depois de ter sentado em um quarto com ele, sem ninguém vendo, nenhuma câmera e ouvir ele dizendo: ‘eu me preocupo sobre como o mundo funcionada e como suas coisas tão indo, e eu vou dar uma palestra completa, bem barulhenta, sobre como essa merda funciona’. Eu fiquei lá: ‘sim, pode crer'”.

7) Meta de vida
“Eu não me vejo precisando de uma casa em Paris ou alguma coisa esquisita como isso. Eu só envelhecer em Chicago, estar com meus parceiros e fazer um som chapado e, do nado, vir pra Harvard dar uma palestra”.

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25/05/2015

Editor
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes