Entrevista | Barsotti e a PANE no sistema

08/10/2020

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Bruno Barros

Por: Bruno Barros

Fotos: Py Salles/Divulgação

08/10/2020

Nascida no início deste 2020 da efervescente cena contemporânea de festas de música eletrônica de Porto Alegre, a PANE é uma criação do dj e produtor cultural e musical Sergio Barsotti a fim de experimentar sonoridades pouco exploradas nas pistas da capital. Presenciei a estreia da festa em janeiro – do início ao fim – com uma pista diversa formada por rostos de diferentes fases e nichos da cultura da noite em Porto Alegre. O agito foi encerrado por um set histórico de Marcelulose – com direito a presença da multiartista Saskia no front – esse momento em lágrimas.

Para a edição nº7 da série LabXP mix’s, Barsotti apresenta um set propondo uma viagem pelas estéticas oitentistas de EBM e synth wave que caracterizam sua produção. No próximo sábado, com a PANE realiza seu primeiro festival (virtual) reunindo nomes como Alma Negrot, La Putaines e l0ba nas performances e Nog4yra, Magal, Carol Mattos, Javier Busto, Linda Green, Serra das Máquinas, Vermelho, Deborah Blank e Metamorfo no som. Escute a mix lendo a conversa abaixo.

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Influenciado por games e ficção científica o também roteirista e publicitário, moldou uma identidade sonora fora da curva para o cenário onde começou suas apresentações. Com a cena à época fortemente influenciada por house e techno, Barsotti bateu pé tocando synth wave, o que lhe exigiu esforço de articulação em torno da construção de um espaço. Natural de São Paulo, ele vive há seis anos em Porto Alegre, onde vem tecendo com muita dedicação e generosidade em escuta e compartilhamento de recursos e conhecimento com a comunidade a qual faz parte. Membro do Coletivo Plano há dois anos, ele encontrou no núcleo o espaço necessário para se desenvolver. 

(Foto: Py Salles/Divulgação)

Como é que você está mano? 
Bem. Meio com medo. Pessoal começou a sair agora, né? Várias aglomerações malucas, festas clandestinas. Bailão…

Eita.
Eu fico pensando o quanto a galera vai querer ir numa festa online, se eles já estão saindo e tal. Mas eu vou fazer a minha festa.

Acaba que seguir isolado e produzindo coisas para esse estar é um ato pra incentivar as pessoas a seguirem em casa, ainda que não exista outra alternativa, né?
Não tem. Não tem. 

E é meio maluco que estejamos fazendo um diálogo como este, se é ou não seguro sair, né? Então, queria entender um pouco sobre a experiência de produção em meio a essa situação. 
Pensar a produção nesse contexto é um desafio mesmo. Na PANE esperamos um pouco para realizarmos nossa primeira ação online pois por sermos um núcleo novo. Nós realizamos nossa estreia em janeiro. E a pandemia foi decretada duas semanas antes da nossa segunda edição para qual trabalhávamos desde o final da primeira. Então foi preciso tempo para recuperar fôlego e poder realizar essa edição do próximo sábado. Além disso, essa edição não é fruto de adequação, pois deixamos em stand by as festas que estávamos produzindo até a chegada do vírus. Tudo isso sem precarizar as relações de trabalho, pensando a acessibilidade do público para o que estamos produzindo, na busca de fazer a roda girar e pagar os custos ao menos.

E como moldar uma expectativa pra festa nesse momento que o tempo está ainda mais fragmentado, e atenção das pessoas está dividida por horas, lives, conversas, tudo no mesmo dia, na internet?
É louco porque com a Plano, como são três anos, a gente tem rostos que são da comunidade, que sabemos que devemos contar. Com a Pane, como nós tivemos apenas uma festa isso é muito difícil. Até hoje recebemos retorno de pessoas que estiveram na festa e gostaram. Contudo, não sei se é o suficiente para as pessoas dedicarem parte da sua noite em estarem conosco. E isso foi uma questão identificada no início da produção como o grande desafio para essa edição. Primeiro, nos pautamos em criar uma festa, que virou um festival, com nomes que nós todas gostaríamos de ver. Se pensar a logística de trazer todas essas pessoas para uma festa presencial, talvez estejamos entregando quase um ano inteiro de festas em uma só. Depois lidar com o desafio de mercado de, mesmo que pouco, remunerar as pessoas pelos seus trabalhos. Então, partindo da ordem ética estamos tranquilas. Quanto à acessibilidade acredito que isso é um princípio que está na consciência de todes agentes do cenário em que estamos inseridas, pois ninguém fica de fora de festa, né? Mas também, fechar a conta não tem sido uma tarefa fácil. Primeiro colocamos os ingressos por R$10,00, pois entendemos ser um preço justo e que permite mais pessoas colaborarem. Há quatro dias da festa eu estaria de cabelo em pé, caso não tivesse feito esse investimento de modo consciente e com espaço para o erro. Então, muito em resumo, como as vendas não estão ‘bombando’ vamos liberar os ingressos também. Assim, quem puder colaborar por consciência faz e quem não puder, tem condição de acessar a festa do mesmo modo. Queira ou não, a galera não tá respondendo. Todo mundo está lidando com as suas coisas, seus problemas. Não dá pra querer o mesmo engajamento de antes. 

(Foto: Py Salles/Divulgação)

Falando um pouco da tua trajetória, você nasceu em São Paulo, certo? Como foi até a chegada em Porto Alegre?
Por me mudar muito quando criança eu sempre fui muito sozinho. E pra mim a ficção científica sempre foi esse refúgio. E desenvolvi uma paixão por essas narrativas, sempre gostei de escrever também. E aos poucos isso foi formando esse meu jeito. Sempre gostei muito games, literatura e cinema. No começo eu tinha uma relação muito estranha com a música na real. Eu tocava violão. Sempre gostei de rock, mas indo pra um lado mais melódico talvez eletrônico.  Gostava de bandas como Linkin Park.  E aos poucos eu fui começar a gostar de música eletrônica mesmo. No começo as minhas referências eram muito de house. E aos poucos eu fui indo para um som anos oitenta, e foi onde eu consegui casar minhas paixões. E era muito louco como a literatura se refletia na música e vice versa. E acabou que eu vim trazendo essas referências de vivências minhas com músicas que eu queria tocar. Eu nasci em São Paulo, numa cidade pequena e meu pai sempre gostou muito de música. Sempre teve uma coleção de vinil, New Order, que é basicamente o começo do meu som. Me mudei muito quando criança. Morei em Jundiaí, fomos pra Cuiabá, voltamos pra Jundiaí e depois fui estudar engenharia de bioprocessos em Minas, na federal de São João Del Rei, e lá eu não me adaptei muito bem, passando por um período de uma depressão. Aí voltei pra Jundiaí e de lá vim pra Porto Alegre, pra cursar engenharia química na PUC, onde eu passei com bolsa. Descobri que não era o curso que eu gostaria de fazer. Eu sempre gostei de criar e pra mim a engenharia era isso, o ápice da criação. Eu tinha muito esse ímpeto de querer mudar o mundo, e eu pensava que na engenharia seria a prática. E no fim eu entendi que não era bem isso que eu queria. Em seguida comecei a fazer faculdade de publicidade que foi onde eu comecei a entender a minha criatividade. Olhar pra criatividade de um ponto mais sensível. E lá eu comecei a estudar escrita criativa, me tornei roteirista e comecei a trabalhar na área. Nesse tempo também entrei em contato com a música eletrônica, comecei a frequentar as festas e a entender. Porque eu ouvia New Order e synth wave muito pelas trilhas dos jogos – que sou viciado – e aos poucos foi despertando a minha vontade de tocar. Tinham muitas músicas que eu queria escutar e ninguém tocava.

Quando encontrou um espaço e motivação para começar a tocar?
Eu ia na Disconexo, pra mim foi o berço da minha estética sonora. Gabto, Cevallos, Lando System, Kahara. Era muito dahora. Foi o lugar que eu ouvi Italo disco, não sabia o que era aquilo, achava que era house no começo, tanto que eu comecei tocando house. Um momento marcante pra mim foi a festa Subterrânea, que era lançamento da ONNI e a Pyetra foi fotografar e me chamou pra ir. Aí eu cheguei lá e tava tocando o Gabto, depois o Carrot Green e foi uma explosão de sons. E na hora que a Carol Mattos tocou foi o momento de uma virada, onde eu senti que precisava tocar. Primeira vez que eu vi ela tocar. Vi que era aquilo que eu queria tocar, me representava bastante. E dali eu comecei a pesquisar esse tipo de som. E teve um outro momento que foi quando eu ouvi o Sphynx tocar, que é o Vermelho e Zopelar. Eu sempre tive muito receio do que tocar na pista e a receptividade do público. Na ideia de querer fazer uma parada perfeita, sempre pensando mais no público do que em mim. E aí eu vi eles tocando um monte de synth wave que era um som que me levava para lugares nostálgicos e com muita gente curtindo. Era uma festa Gop Tun na pista SuperNova. Nessa mesma pista nesse dia tocou também a Valesuchi e eu fiquei apavorado no set dela, vendo as mixagens dela. Outro nível. Monstruoso o que ela faz. Tanto que a primeira edição da PANE se chamou SuperNova. Por ser o começo de tudo, de mostrar a identidade sonora mesmo. E foi quando eu entendi que deveria tocar o que eu gosto. Sempre tive receio porque é uma estética que não foi muito abraçada aqui em Porto Alegre, onde na época tocava muito mais techno, house, muito minimal. E meu som é o contrário de minimal, porque tem muitos elementos, muitas melodias, mixagens harmônicas, coisas mais macro. Talvez por esses motivos tudo o que eu fazia não se revertia em gig ou reconhecimento. Passei por momentos de me questionar o porquê de estar tocando. Pensando em tocar house ou de nem tocar mais também.

Certo, e como foi a primeira gig, até a chegada no Coletivo Plano?
Uma vez, eu conheci o PV5000 e ele foi lá em casa, a gente começou a tocar e ele me perguntou: “porque você não está tocando na rua?” Porque eu tenho vergonha, e ninguém me chamou, disse. Tinha uma controladora, mas tinha muita vergonha e não achava que meu trabalho estivesse pronto. Então o PV me convidou para tocar em uma festa em um LINE que tinha o Kahara. Foi uma oportunidade que me mostrou que eu era capaz. Depois de um tempo a Rizzo me chamou pra tocar em uma PLANO, era a Plano Plenas que foi a tarde. Ali foi onde eu me apaixonei pela festa de rua. Me esforcei muito, estudei e fiz um set massa. A mágica da rua aconteceu ali. À tarde, tudo montado e do nada cola uma galera, bagulho fluindo, uma galera que você não pensava que estaria ali, família fazendo piquenique. No fim da festa fiquei com isso na cabeça e no outro dia fui falar com a Rizzo, ‘como que eu faço pra entrar na Plano? Achei muito massa e quero fazer mais’. Ela falou com o Fernando e só tinham os dois na época então eles me chamaram e a gente começou. Entrei no olho do furacão porque tava chegando perto do aniversário de um ano da Plano. Eu entrei já no meio da produção, não sabia o que estava fazendo, tinha que aprender na marra. Fui pegando aos poucos. É muito essa questão de que pra tu se apropriar do bagulho tem que se sentir parte também. E isso acontece com o tempo e com a abertura que vão te dando. Aí eu fui sentindo que tinha abertura. Fizemos a Plano de 1 ano e convidamos a Tétano, do Gabto que foi uma das minhas principais referências, e o Kelvin. Foi um rolezão de rua na madrugada. Saudades daquela adrenalina. É doido porque você estar na rua assim, fazendo algo clandestino, tem que ter medo dos dois lados. Medo da polícia que pode chegar a qualquer momento e te fazer ir embora. E ter medo de assalto, porque a gente não tem o respaldo da Polícia.

(Foto: Py Salles/Divulgação)

E como surgiu a ideia da PANE?
Surgiu ali, logo depois dessa edição grande edição da Plano de 1 ano. Então conversando com o Fernando e a Fernanda, falei que tinha a ideia de um dia fazer uma festa assim. E tendo a Base e a Arruaça como referência, eles acharam boa a ideia de poder agregar mais uma festa próxima ao núcleo. Também por ser uma alternativa de juntar dinheiro de uma festa privada e investir na rua. Mas acabou que o projeto caiu no esquecimento do núcleo, mas na minha cabeça não. E continuei pensando. Comecei a escrever um pouco sobre o background da festa. Mas acabei focando muito na Plano. Fizemos várias edições. E cada edição que passava, eu ficava pensando ‘quero muito fazer uma festa minha’. E aí no final do ano passado, fui pra São Paulo e tava com essa ideia da PANE e fui ver a Carol Mattos tocar. Depois conversando, ela me disse que estava pra vir pra Porto Alegre, que ia tocar no interior. Nós não teríamos Plano e ela instigou a possibilidade de fazer uma festa. E aí deu um estalo na minha cabeça, ‘acho que é o momento’. Expliquei pra ela que poderia articular de botar na rua um projeto que vinha pensando há algum tempo. Ela ficou interessada pelo projeto. Fechou, porque eu queria fazer uma coisa minha mesmo, de me colocar como produtor. Porque queira ou não queira na Plano a gente não tem um protagonista. A ideia é de que a gente tenha várias pessoas que façam um pouco de tudo. Mas a minha ideia era de mostrar também como eu faço. Então a PANE vem sendo um processo de autoaprovação também.

E como se formou a crew da PANE?
Comecei a pensar formas de trazer pessoas que eu curto o trabalho, fui trocando ideia e acabei que por curtir muito o trampo delas e por uma questão de afinidade também, chamei a Pyetra e a Fernanda pra serem residentes. A Pyetra começou a fazer as artes da PANE e ela também curte muito esse tipo de som. E juntando a paixão pelo cinema e pela música dos anos oitenta a gente começou a fazer a PANE. Foi meio louco porque de volta, a gente teve duas semanas pra fazer a festa, sendo uma de divulgação. Poderia ter dado uma merda, mas o fim de semana que eu consegui, não tinha nada acontecendo, ninguém marcou uma festa para aquele fim de semana. E muitas pessoas que eu admiro na cena, contratei pra me ajudar. Minha vontade desde o início é poder remunerar bem as pessoas pela PANE. Porque é bem foda fazer um trabalho difícil e receber pouco. Chamei a Bella para ajudar nos visuais. A Suelen foi hostess. Acho que toda essa preocupação que eu tive com a equipe tornou a festa um lugar confortável. E foi muito louco porque eu vi pessoas de todos os nichos da música, não só eletrônica, de Porto Alegre.

PANE (Foto: Py Salles/Divulgação)

Verdade. Uma primeira edição histórica de momentos e muita emoção.
Foi uma experiência antropológica de ver aquilo acontecer. E acho que o line foi interessante, porque abraçou esses diferentes públicos em algum nível. Teve o set histórico do Marcelinho (Marcelulose) que foi sem palavras. Eu converso com o Marcelinho há muito tempo e fazia questão de contar com ele na primeira edição. E foi um set feito com carinho, muito bem pensado. E foi essa a primeira edição da PANE. A real é que eu tomei um tufo mas por n motivos, por ser um investimento na primeira festa. É um tiro total no escuro. Tínhamos uma expectativa de 600 pessoas e foram menos de 500. Não foi um tufo gigante, mas ficou no devedor. Mas eu tinha isso na mente, da necessidade de investir na criação e inserção do projeto mais que uma festa. E deu certo, porque ficou uma imagem muito boa na cabeça das pessoas, estabeleci uma boa rede de fornecedores e parceiros. O Plínio, que é um cara extremamente ético, estreou as luzes dele na festa, que foi O a mais da festa. Depois trouxemos ele pra Plano. A performance da Luisa (Laputaines) também foi insana. Convidei ela pra ser residente da PANE ainda durante a festa. Então residentes hoje somos eu, a Pyetra, a Fritzzo, a Bella e a Luisa.

Massa. Acaba que tua autoaprovação está na responsabilidade e no norte da construção estética e sonora da festa, porque a realização é bem coletiva.
Sempre é, né? E é sim uma forma que eu tenho de trazer algumas referências que eu gosto pra tocar aqui. Tem projetos que não tem muito espaço nas festas por uma questão sonora mesmo. Aí logo em seguida a gente começou a pensar na PANE Colisão, que seria a segunda festa que iria acontecer na semana em que foi decretada a quarentena. Foi louco porque já estava tudo pago, mas consegui guardar o crédito com alguns fornecedores. Mas foi bem frustrante. Deu um hiato na PANE porque precisamos entender como funcionaria os formatos online de festas. Então entendendo as plataformas e ancorada na Shotgun, o que facilita pois é um link e em que a pessoa clica e está dentro da festa. E olha como é doido, quem tá sendo a pessoa responsável por fazer a ponte Brasil x França, onde a plataforma está baseada é a Carol Mattos, o que mais uma vez ajudou. E estamos aí na empreitada de fazer o festival da PANE, um desafio. De novo, eu não queria contratar as pessoas sem pagar. Óbvio que estou pagando um valor muito abaixo do que se pagaria em uma festa ao vivo, mas pra mim é fundamental fomentar o cenário remunerando as pessoas pelos seus trabalhos. Consegui bastante gente foda aqui do Brasil que eu queria ver tocar. Magal, Vermelho, Linda Green, Carol Mattos, Metamorfo, Deborah Blank que é uma das ref aqui de Porto Alegre, que sempre tocou EBM e eu nem sabia o que era EBM. O Una que pra mim é um dos artistas que tá em expansão… Assim como o Marcelinho veio explodindo pra mim o Una tá no mesmo caminho. Também conseguimos compor com o Javier Bustos, de Barcelona, dono da label Logical Records, que é um dos selos que eu mais toco. Claro que sempre fica aquela sensação chata de ‘queria estar com esse line aqui em Porto Alegre’. Imagina esse bagulho ao vivo? Mas considero bem importante pra nós e pra PANE realizar esse festival online. Num momento que está todo mundo querendo sair, acaba por ser um posicionamento político manter no online. 

Sobre a experiência da oficina da discotecagem realizada junto com a Suelen? 
Sempre estive disposto a compartilhar o que eu sei, emprestar equipamentos para ajudar as outras pessoas. Boto fé que tive muita sorte em ter os acessos que o capital dá. E acho que a partir do momento que eu tenho, é muito sobre eu compartilhar com as pessoas. Eu ensinei a Pyetra a tocar e a Bella queria muito aprender a tocar. Eu via muita vontade dela querer aprender e um dia a gente marcou. Falei pra ela, ‘vem aqui toda semana que a gente pode praticar’. Então montei uma metodologia com o que sei. Talvez não seja o mais correto, mas coloquei tudo o que eu sei. Em seguida veio a ideia da Su, de nós fazermos um curso de graça pra galera. A gente pegou um monte de alunes pra ensinar, eram quinze pessoas na sala. Foi uma loucura. Foi muito foda a experiência, dentro do projeto Coisas Antes Ditas, de um pessoal que ganhou um edital e fez uma residência artística e convidaram a Suelen pra fazer uma atividade e ela me chamou. Foi muito massa porque a gente trouxe um monte de gente da cena e ali ficou muito nítido que não existe um único jeito certo de fazer. Só que era uma coisa que existia no imaginário de muita gente. Não existe um jeito certo de tocar. Existe o jeito que você vai se apropriar do conhecimento e fazer o seu. E participaram vários nomes. Una, Bella, pessoal do Coletivo Central, que é o Lucas Kaique e o David, a Turva, a Bikunha. Era um curso que não era pra formar um monte de gente como dj e tal. Queríamos passar o conhecimento. Quem quisesse continuar tocando continuaria, quem não quisesse, seria um conhecimento massa. Trouxemos muitas histórias de música também. E acho que com essas atitudes de ir fazendo a gente vai criando um sentido pra gente. Não criando, mas a gente vai mostrando pros outros o nosso sentido. Porque queira ou não queira as pessoas tem uma visão de longe de quem você é. E acaba que as duas coisas se chocam, tá ligado? 

Presente futuro do produtor musical. Como estão suas produções? Alguma previsão de lançamento?
Então mano, esse ano comecei a estudar produção musical com o Nuno Decunto, um dj das antigas e um excelente produtor daqui de Poa.. Demorei um pouco pra pegar o jeito, mas o bom é que eu já sabia exatamente que tipo de música queria fazer sabe? Ai me cortou um caminho longo de pesquisa e tals…

Sobre lançamentos, minha primeira track publicada foi a Pecado, que fiz com o Technovinho, grande amigo e companheiro de Plano, a track tem mto das nossas identidades assim, foi um baita processo massa fazer ela… Agora em novembro lanço meu primeiro EP Inferno Neon pela Goma rec, com 3 tracks bem na vibe que eu amo hahahah!

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A PANE acontece nesse próximo sábado, 10/10/20, marcando também o aniversário do artista visual Gabriel Scorza, membro da Plano e linha de frente da PANE. O line up de performers conta com Alma Negrot, La Putaines, Aimée Dezon e l0ba. O som é comandado além das residentes Pyetra Salles e Fritzzo, Barsotti, por Nog4yra, Magal, Carol Mattos, Javier Busto, Linda Green, Serra das Máquinas, Vermelho, Deborah Blank e Metamorfo. Mais informações e ingressos aqui.

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08/10/2020

Bruno Barros é produtor de conteúdo independente. Tem se dedicado na formação do LabXP, um núcleo de produção de conteúdo e cultural.
Bruno Barros

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