Um papo com o Longfellow

27/05/2014

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Marília Feix

Por: Marília Feix

Fotos:

27/05/2014

Foto: Tom Leishman

Na terça-feira, dia 20 de maio, estivemos na comemoração do aniversário de 20 anos do selo inglês Fierce Panda, no Barfly em Londres. Com a apresentação do locutor da rádio XFM, John Kennedy, as bandas escolhidas foram Longfellow, Tom Hickox e The Hosts.

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Após o show, conversamos com o Owen Lloyd, vocalista e líder do grupo inglês Longfellow, que havia lançado o seu quarto EP Kiss – Hug – Make Up no dia anterior.

Você começou a tocar quando estava na faculdade de nutrição em Nottinghan, há quatro anos. O que te fez seguir o caminho da música?

Eu estava estudando nutrição porque os meus pais não queriam que eu fosse um artista, mas eu sempre gostei muito de música e, com o tempo, passei a sentir, cada vez mais, a necessidade de exercitar o meu lado criativo. Durante a faculdade, que eu acabei não terminando, comecei a trabalhar seriamente nas minhas composições e, aos poucos, fui mudando o direcionamento da minha vida e montei uma banda. Como as coisas começaram a acontecer, resolvi ir morar em Londres para seguir o caminho que eu achava que era o melhor pra mim, agora estou estudando música na Universidade de Westminster. Meus pais são músicos e mesmo assim, até hoje, não gostam muito da ideia. (risos) Mas o importante é que agora eu estou fazendo o que gosto e isso é o que vale. Eu tenho certeza que eu jamais seria um bom nutricionista (risos).

Durante o festival The Great Escape, ouvi uma história sobre a competitividade do mercado musical. Em uma das palestras, comentaram que o Grahan Coxon – do Blur – teria feito um brinde, com um amigo, ao saber da morte de Kurt Cobain.

Depois da mudança pra Londres que, consequentemente, trouxe mais exposição pra vocês, aumentou este sentimento de competitividade em relação às outras bandas?

Com certeza, a cena aqui é insanamente competitiva ainda. A primeira coisa que as pessoas fazem, quando te odeiam, é te comparar com outras bandas, o que torna as coisas bem difíceis. Mas isso te deixa mais forte também, mais determinado e, pra mim, funciona até como um incentivo pra continuar melhorando. Certamente todos os músicos e compositores que eu conheço enfrentam essa pressão e se esforçam para dizer ao mundo “eu posso fazer isso, eu tenho uma voz”. Mas a gente tem a sorte de – quase sempre! – tocar com gente legal em volta. Hoje à noite eu acredito que a maioria das pessoas que estava nos assistindo não faria um brinde, caso algum de nós morresse. (risos)

Vocês lançaram, no dia 19 de maio, o seu quarto EP Kiss-Hug-Make Up via Fierce Panda, com o gerenciamento de um dos fundadores do selo, Simon Williams. Como vocês começaram a trabalhar com eles?

É inacreditável estarmos trabalhando com o Fierce Panda. A gente estava lançando o nosso outro EP [Gabrielle] de forma totalmente independente e o Simon Williams nos chamou pra conversar.

Faz mais ou menos um ano que estamos com o Simon e somos muito gratos a ele. É um cara que realmente acredita nos seus artistas, além de ser muito bem relacionado. Foi uma grande surpresa ver o John Kennedy da XFM ciceroneando os shows de hoje. Isso faz toda a diferença pra nós. Ter essa equipe legal trabalhando com a gente é incrível também. Simon Williams é o tipo do cara que daria um filme, ele é uma lenda. Enquanto todo mundo dizia não, pra nós, ele nos disse sim.

Eu sei que você é um grande fã da Joni Mitchel. De que maneira ela influencia nas suas composições?

Claro que eu gosto muito das melodias das músicas dela mas, pra mim, as letras são o principal atrativo. Foi uma das primeiras compositoras femininas que chamou minha atenção pela sensibilidade e emotividade que ela coloca em suas composições. Há uma sinceridade na sua obra que gera uma conexão única, entre ela e o público.

Vocês tocaram no palco “BBC Introducing” durante o “South By Southwest” de 2014 e foi o primeiro show de vocês fora da Inglaterra. Como foi esta experiência?

Foi uma loucura, nunca tínhamos passado tanto tempo dentro de um avião e logo que chegamos já fomos direto para o show, que foi apresentado pelo Steve Lamacq, locutor da BBC 6. Este é outro cara que tem nos dado muito apoio desde o começo, assim como o Simon Williams.

E como foi a reação do público?

Foi bem legal. Acho que o fato de o público saber que a gente era inglês e havia viajado horas pra chegar lá – e fazer apenas um show – foi um fator importante para termos mais receptividade (risos). Foi uma das nossas melhores experiências como banda, também, e ficamos muito satisfeitos.

Você costuma pesquisar sobre bandas novas? Alguma sugestão?

O envolvimento com o Fierce Panda me deixou curioso em relação a novas bandas. Acho que antes eu era mais egoísta (risos), pensava mais em mim. Mas acho super importante a curiosidade e o interesse sobre o que está acontecendo em volta.

Um grupo que eu tenho gostado muito e estou ouvindo agora é Manchester Orchestra, eles são fantásticos. Também gosto muito de The Crookes, outra banda assinada pelo Fierce Panda.

Vocês já estiveram no Brasil? Têm vontade de ir pra lá?

Certamente, está nos nossos planos também. Ouvi falar que a cena musical é fantástica! A namorada do nosso guitarrista é brasileira e sempre nos conta coisas interessantes do país. A gente tocou, durante um tempo, abrindo para o Keane, que tem uma base de fãs bem forte no Brasil. Isto nos trouxe mais proximidade com público de lá e seria incrível ter a oportunidade de chegar a um território tão diferente, e novo, pra nós.

Quais serão os próximos passos?

Estamos em processo de gravação do nosso primeiro disco com um ótimo produtor aqui da Inglaterra. A idéia é lançarmos um álbum com 14 faixas até o ano que vem. Já temos alguns shows marcados para o segundo semestre e o objetivo é aproveitar as oportunidades para fazer uma turnê e mostrar a nossa música.

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27/05/2014

Marília Feix

Marília Feix