Polaroids raras revelam como foi o exílio de Raul Seixas e Paulo Coelho nos EUA

28/06/2016

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Reprodução

28/06/2016

Se estivesse entre nós, Raul Seixas completaria 71 anos no dia de hoje. O aniversário do baiano nos levou a vasculhar a internet em busca de informações sobre uma das fases mais controversas de sua biografia, os meses em que passou exilado nos Estados Unidos, em 1974.

Enquanto a Ditadura Militar não acabou, Raul comentou pouco sobre esse período. Talvez a entrevista mais reveladora sobre o assunto tenha sido a que ele deu ao jornalista André Barbosa na extinta FM Record, de São Paulo, em 1988. Aqui, ele contou como foi preso perto do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, voltando de um show. “Um carro do Dops [Departamento de Ordem Política e Social] barrou o meu táxi e eu fiquei nu com uma carapuça preta na cabeça. Fui para um lugar subterrâneo, eu tateava as paredes e tinha limo”, disse (confira no vídeo abaixo).

Raul Seixas afirma que ficou preso no local por três dias sendo interrogado por cinco militares, cada um deles com uma personalidade diferente. “Tinha um bonzinho, um outro bruto que me dava murro, um que dava choque elétrico, em lugares particulares e tudo. Era uma tortura de personalidade. Mas tudo bem, eu me refiz. Graças a Deus, não fiquei com trauma psicológico nenhum”, revelou. O músico saiu de lá sendo convidado a sair do país e, junto com sua esposa Edith Wisner, Paulo Coelho e sua esposa, Adalgisa Rios, Raul foi para os Estados Unidos em algum momento do início de 1974.

Na época, o disco Gita já estava pronto e prestes a ser lançado. Quando saiu aqui no Brasil, fez um sucesso estrondoso com faixas como “Gita”, Sociedade Alternativa”, “O Trem das 7” e “S.O.S.”. Enquanto isso, Raul e Paulo viajavam pelos States com suas mulheres. Edith é americana e supõe-se que isso tenha os ajudado a circular por lá.

Não há registros exatos detalhando o que houve na viagem, porém Raul contava que conheceu o John Lennon no seu apartamento, em Nova York, e que havia tocado em Memphis acompanhado por Jerry Lee Lewis no piano. Paulo Coelho, Nelson Motta e a ex-mulher de Raul, Kika Seixas, já contestaram isso, mas Raul jurava que as histórias eram reais, como você pode ver abaixo nesta entrevista:

É possível que ele não tenha conhecido o ex-Beatle ou o Jerry Lee Lewis, mas é verdade que Raul viajou por vários pontos dos Estados Unidos. Eles chegaram a ir até lugares como a Florida, onde visitaram um parque da Disney, a Nova Orleans e também a Memphis, no Tennessee, onde conheceram Graceland, a lendária mansão do maior ídolo de Raul, Elvis Presley.

Tudo isso está registrado nesta compilação de vídeos gravados por eles mesmos que você vê abaixo:

Veja também esta série rara de fotografias Polaroid tiradas por Raul, Paulo, Edith e Adalgisa durante o tempo no exílio. As imagens mostram os casais se alimentando em restaurantes, visitando parques, conhecendo a mansão do Elvis e também um museu.

O exílio (um tanto quanto turístico) de Raul Seixas e Paulo Coelho acabou em dezembro de 1974, quando um funcionário do Consulado Brasileiro foi ao apartamento de Raul em Nova York lhe informando que Gita havia estourado em todo país e que ele já poderia retornar. “[Ele] bateu na porta do meu apartamento dizendo que eu já podia voltar, que o Brasil já me chamava, que eu era patrimônio nacional”, disse Raul naquela entrevista à FM Record de 1988.

Gita vendeu cerca de 600.000 cópias, ganhou disco de ouro e se tornou um dos álbuns mais importantes do rock brasileiro. Abaixo, veja o Raulzito logo após voltar dos Estados Unidos:

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28/06/2016

Entre o bemol e o sustenido.
Ariel Fagundes

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