
A pista é um dos lugares onde o vinil segue girando. De festas a coletivos e projetos de formação, diferentes DJs vêm construindo seus próprios caminhos tendo os bolachões como meio e protagonistas.
O boom atual do vinil também é ponto de partida para iniciativas que vão além da discotecagem. Em diferentes cidades, DJs e coletivos usam os discos para pesquisar a música negra, recuperar histórias e sonoridades, formar novos DJs e descobrir outras maneiras de se relacionar com a música.
Reunimos cinco projetos que mostram diferentes caminhos possíveis para quem trabalha, pesquisa e aprende com o vinil.
Baile Funk Soul
Formada no ano passado pelos DJs Laryh e Amsa no Rio de Janeiro, a festa tem a proposta de resgatar o soul na cena musical carioca e a energia dos bailes das décadas de 1970 e 1980. O projeto se inspira no espírito do Soul Train e na Banda Black Rio, criando uma ponte entre a música negra norte-americana e o swing brasileiro.
Para o duo, o vinil representa memória, identidade e conexão com a história da música negra. Mais do que um formato de reprodução, ele funciona como uma extensão da própria proposta do coletivo: recuperar sonoridades, referências e experiências que ajudaram a construir a cultura dos bailes. /@bailefunksoul
Barulhinho Bom SSA
Criado pelo músico, DJ e programador André Oliveira, o projeto está na cena de Salvador desde 2024, com residência no Bar do Neuzão, no Pelourinho. A seleção passeia por cumbias, salsas, lambadas, axé, disco, samba e reggae. O projeto tem caráter itinerante e também convida DJs e colecionadores de vinil para discotecarem.
"Existe uma relação muito particular com o vinil, desde a escolha dos discos até a construção do set", diz André. "O próprio formato acaba impondo um outro tempo e uma outra atenção à seleção musical, e isso, de alguma forma, se reflete na experiência de quem está ouvindo". /@barulhinhobomssa
Coletiva Cesta de Versões
Criado em São Paulo em 2018, o projeto é formado pelas DJs Ceci Tunes, Discolada e DJ Deschw. O trio pesquisa diferentes versões de uma mesma música, passando por regravações, dubs, edits e samples. Nos sets, elas mostram como uma mesma ideia musical pode ganhar novas formas ao atravessar diferentes épocas e lugares.
“Investigamos como músicas e ritmos circulam e se transformam ao longo do tempo, entre diferentes gêneros, países e culturas. Para nós, pesquisar versões é também pesquisar a memória e a circulação da música. A Coletiva Cesta de Versões nasceu ainda do encontro entre a música brasileira e o reggae na cultura Sound System SP e busca fortalecer o protagonismo de DJs mulheres”, conta Débora Schwammlein (DJ Deschw). /@coletivacestadeversoes
Pista Quente
Formado por Akin Deckard e Benjamin Sallum, o Pista Quente surgiu em São Paulo em 2021 como uma festa nômade. Tendo como base sets nao-óbvios, a dupla leva para as pistas a mesma lógica de descoberta que orienta a coleção de discos.
"Discos são o nosso principal instrumento de trabalho e carregam consigo a maior parte das memórias da nossa formação musical. A partir desta relação, nosso trabalho como DJs e pesquisadores musicais se desenvolve em um outro nível de dedicação, exigindo cuidado e atenção em sua preservação, manuseio e catalogação", dizem Akin e Benjamin. "Cada disco do nosso acervo faz parte de um capítulo da história que estamos construindo, como artefatos garimpados com esmero ao longo da nossa trajetória." /@pistaquente1
Tropa Du Vinil
Criada pelo DJ Leandro Tropa durante a pandemia, a Tropa Du Vinil começou como um projeto de pesquisa e organização de sua coleção de discos. Hoje, além da loja e da participação em feiras no Rio, ele promove cursos de discotecagem 100% em vinil e já formou cerca de 40 alunos.
"O projeto surgiu na pandemia, 2020/2021, como uma forma de terapia. Comecei a buscar meus discos, ouvi-los mais… organizar a coleção. O projeto das aulas de Dj surgiu após uma conversa com Ébano Gama, da Loja Patuá. Falei do meu desejo de formar novos DJs 100% em vinil original, num preço acessível. Ele também tinha essa ideia para a loja, então fizemos uma colab", conta Leandro. Ele ainda celebra o número cada vez maior de mulheres que vêm se interessando pela discotecagem. "Esse tipo de coisa me anima a continuar", diz. / @tropaduvinil









