
“Eu voltei / Sei que nessa estrada ainda falta / Já deixei a casa aberta / Nossos sonhos vão florindo / Vou colher na hora certa” é assim que Alulu Paranhos abre Põe Esperança Nisso (2025), seu primeiro álbum, lançado no fim do mês passado.
É um som colorido e teatral, com um ao vivo que promete. O show de lançamento acontece nesta quinta-feira (25/9), no Manouche, no Rio de Janeiro (ingressos aqui). No mês seguinte, Alulu segue para São Paulo, com show no dia 14/10, na Bona (ingressos aqui).
Alulu é a persona artística de Luiza Paranhos. Depois do EP homônimo — Alulu (2021) — a carioca de 25 anos chega com os dois pés na porta com Põe Esperança Nisso (2025) cavando um espaço no indie pop nacional, com toques de Rita Lee.
Na produção, Mahmundi e Josefe comandando o barco, com participação de Pepe Starling na faixa “Voltei”. Já os feats trazem Bruno Berle e Tiago Nacarat. “Diante de um mundo de tantas informações, comparações e desafios, resgato na canção, no coração e nas palavras o elemento fundamental para dar um toque de esperança na vida”, diz Alulu.
Vale um destaque especial para os compositores. Alulu dividiu a caneta com João Menezes em “Tudo Novo”, Ava Rocha e Joca em “Duas Cabeças”, Carlos Posada em “Nunca (Pra Minha Mãe)”, Phylipe Nunes e Denise Dendê em “Ainda É Verão”, Leandro Sapucahy em “Pra Declarar Minha Saudade” e Filipe Toca em “Revelação”. O disco também traz releitura de "Olhos nos Olhos", de Chico Buarque.
Para além da carreira solo, Alulu faz parte da Aquela Jararaca e do Forró de Pife. Seja coletivamente ou sozinha, ela tem um som que junta, congrega, te convida a pular e dançar em uma manhã de sábado ensolarado. Enquanto se diverte com as músicas, leia (e ouça) o faixa a faixa abaixo:

"Voltei": é a música que abre o álbum e dá o tom animado da produção, como quando canta: "e que diz: "Tive que ir embora // Precisei me cuidar // Mudei e agora estou voltando // Nossos sonhos vão florindo e vou colher na hora certa.
"Duas Cabeças": essa música é para as mulheres meio onça e meio princesa, em que nossa beleza é a impermanência. Uma música leve com percussão gostosa e coros lindos, uma letra forte. Fiz essa música com Ava Rocha, Mahmundi, Josefe e Joca… imagina essa junção!
"Tudo Novo": uma das minhas favoritas do álbum, pra mim uma das mais emocionantes. Sobre acreditar no destino, aceitar que É TUDO NOVO e vamos errar muito, e a vida é só uma vez, um reggae pop.
"Preciso ir": "Preciso ir, se posso andar, não vou ficar sem ver. Uma agonia em saber que existem muito mais coisas pra conhecer e um desejo enorme de ir!
"Ainda é Verão" feat. Bruno Berle: A música que deu origem ao álbum. Emocionante e talvez uma das letras mais cheias de esperança que já ouvi, feita por Denise Dendê e Phylipe Nunes. Uma poesia delicada e muito forte, por isso apenas um violão pra a gente ouvir bem a canção.
"Nunca (Pra Minha Mãe)": “E quando tenho medo, me protejo pensando em você, e o mau não me vê, o mau não me toca”. Pra todo mundo que tem uma relação forte com a mãe, que mudou de cidade… Eu morro de chorar TODA vez que ouço! Uma música sobre sair do ninho, seguir os sonhos mas sentir muita saudade desse amor tão gigante e profundo! obs: Pode ser dedicado pra outra pessoa sem ser sua mãe claro… mas pense em alguém que você teve que deixar pra seguir seu caminho.
"Sorte das Cartas": foi a última música que escrevemos pro álbum. Fala sobre estar procurando um destino que faça sentido com os nossos desejos, mesmo que isso soe quase distante hoje em dia.
"Revelação": fiz para o meu namorado Téo! No início do nosso namoro eu tinha um infantil medo de estar perdendo tempo, de estar esquecendo os meus planos, e essa música vem dizendo que ele pode fazer parte dos meu planos, tornar os sonhos maiores, livres e fortes…. o amor vai transformando a gente e a gente vai amadurecendo com ele.
"Pra Declarar minha Saudade": sou muito fã do Arlindo Cruz, ele é meu compositor favorito. Essa música em especial sempre me pegou muito tanto pela melodia quanto pela melancolia de amor da letra. Fizemos ela em bolero ao invés de samba e eu acho que ficou linda assim. A ideia de trazer Tiago veio depois, eu adoro a voz dele e acho que encaixou muito bem essa parceria Brasil- Portugal
"Olhos nos Olhos": é a música que fecha o álbum. Essa canção está presente em muitos momentos da minha vida. Um dia, ouvindo muito ela, comecei a pensar sobre a letra da canção e a interpretação de Maria Bethânia (que sou muito fã desde pequenininha).
Comecei a ver e entender a canção de outra forma… A mulher está superada, é uma música pra cima, de uma mulher que depois de se relacionar com um cara péssimo até que enfim está muito consciente da sua força e poder.
“Quando você precisar de mim, sabe que a casa é sempre sua venha” fala sério essa mulher aí já tá até rindo desse cara, o tempo passou e ela elaborou bem que ele não vale nada, está vacinada e nem pensa em recair… Quis trazer um pouco dessa descontração e energia pra cima com um novo arranjo.





