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Do The Voice Kids à paixão pelo R&B e vinil: Bela Maria lança disco de estreia


Por:

Vitória Prates

Fotos: Divulgação/Uhgo

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Você deve se lembrar dela no The Voice Kids. Em 2016, Bela Maria, à época com 14 anos, emocionou o Brasil com performances de "Não Vá Embora", de Marisa Monte e "Velha Infância", dos Tribalistas, eternizados no Youtube. Agora, aos 23 anos, lança o álbum Tudo Que Eu Sinto Faz Barulho (2025).

“O The Voice Kids foi meu primeiro palco de verdade, e já era para o Brasil todo [risos]. Ali eu vi que ia fazer música pelo resto da minha vida. Mas o primeiro álbum é o primeiro passo para muitas coisas na carreira. Sinto que estou mais íntima dos meus ouvintes”, diz Bela.

Inspirada por Alcione e ícones do R&B, a estreia de Bella é dividida em Lado A e Lado B. Fã de mídia física, a artista não poderia deixar de homenagear também o vinil na produção. Na primeira parte, Bela foca no ritmo, com músicas mais dançantes e carregadas de confiança. Já no Lado B, ela é mais blues, e expõe suas vulnerabilidades.

Lançada em novembro, a produção é assinada por Itoo e ainda traz participações de N.I.N.A (“Efeito Mandela”) e Chris Mc (“Preciso de Respostas”). Antes, Bela lançou uma punhada de singles e o EP Só Te Usei Para Compor (2022). Bela pulsa música. Ela conta que as suas composições nascem em todos os momentos: seja no Uber, no avião ou até quando perde o sono à noite, e decide compor.

Em entrevista à Noize, Bela comenta a passagem pelo The Voice Kids, a paixão pelo vinil, os escritores favoritos e a autoestima da mulher negra.

Quando você soube que queria seguir carreira na música?

Desde pequena! Minha família é muito musical. Aprendi a tocar violão e fui logo tocar em festas de 15 anos, casamentos e outros eventos. Antes mesmo de ter feito minha primeira festa, já saí espalhando pra todo mundo que tinha experiência, enquanto nunca tinha pisado em nenhum palco na vida [risos].

O que fez com que eu me percebesse como cantora foi o The Voice Kids. Eu tinha 14 anos e foi meu primeiro palco de verdade — o primeiro palco já era para o Brasil todo! — aí  vi que não tinha jeito: ia fazer música pelo resto da minha vida. 

Escrevi minha primeira música com 12 anos. E já era super empoderada, viu? Chamava “Aquarela” e eu cantava assim: “Menina, se dê valor, você merece toda cor, ou até mesmo a aquarela se preciso for, para você entender que ele não merece o seu amor” [risos].

Este é seu primeiro álbum autoral. Como estão as expectativas para este som no mundo?

Estou muito animada! O primeiro álbum é o primeiro passo para muitas coisas na carreira: primeira turnê, primeiro impacto das pessoas, que vão descobrir como eu construo um projeto do zero. Já tinha lançado um EP antes, mas o álbum é completamente diferente, trouxe muito o que eu gosto de ouvir. Quero que as pessoas me conheçam mais.

Depois de lançar um álbum, a gente fica muito mais íntimas dos nossos ouvintes. Tem muita coisa ali que eu gosto de ouvir, de como me comporto e do que eu sinto. Separar em Lado A e B deixou ainda mais minha cara. 

Adorei a capa: nela, você está em sebo, cercada de discos de vinil e CD’s. Você é uma fã da mídia física? Tem discos na sua coleção?

Fotografamos na “Casa do Vinil”, sebo aqui de Recife que, desde sempre, eu vou comprar, adoro! Com toda certeza, sou muito fã da mídia física, são muitos discos por aqui, mas meus favoritos são Mel (1979), da Maria Bethânia, um ao vivo do Benito de Paula e Alcione, que escuto todo dia! Inclusive, teve agora a Retrospectiva do Spotify e a minha veio com pouquíssimos minutos, porque estou tentando ouvir bem mais em vinil agora. O digital, realmente, comprime muito o som. 

A experiência é muito diferente. Sou fã do vinil porque a gente se preocupava mais com a forma de fazer música. Estou falando a gente, mas eu só tenho 23 anos, o que eu sei, né? [risos]. Mas parecia haver um cuidado melhor com a produção das músicas.

Os artistas tinham tempo para fazer música, você passava dois, três anos maturando um álbum… isso me apaixona, sinto saudade de um tempo que eu nem estava lá para ver [risos] 

Mas, no meu álbum, quis homenagear o vinil. Hoje em dia tem que ter música todo mês, mas, e aí? Cadê o tempo para criar? A arte vem do descanso, você precisa viver para criar, mas aí você não tem tempo de viver, vai escrever o que? [risos]

As letras partem de uma narrativa de amor, liberdade e autoestima. Por que é importante para você abordar esses temas? Em algum momento da sua trajetória, você sentiu que precisava resgatar seu amor-próprio?

Acho que, mais do que resgatar, precisei construir a minha autoestima. Nada foi pensado para as mulheres negras — a gente olha ao redor e parece que nada nos representa. Fui bolsista em uma escola particular e tinham apenas três pessoas negras na minha turma. 

Nossa autoestima precisa ser construída e foi através da música que construí a minha. Foi também a primeira vez que trancei meu cabelo loiro, algo que sempre achei que não era para mim. A autoestima também ganha força no início dos anos 2000 com o auge da cultura negra, com as séries Todo Mundo Odeia o Chris e As Visões da Raven sendo sucesso na televisão. 

Com isso, a gente começou a se enxergar mais na TV. Preciso trazer isso para a minha arte — quero que as pessoas escutem, especialmente as mulheres negras, e entendam que o que elas sentem é válido, porque a gente é, constantemente, dessensibilizada. 

Sempre nos colocam em papel de fortaleza: um corpo feito para lutar, para batalhar e fazer dar certo. No Lado A do disco, eu sigo essa visão, mas, no Lado B, me mostro completamente vulnerável. Quero ser tratada com delicadeza, me sentir bonita, o que a gente sente é importante, essa é a mensagem de autoestima que quero passar. A gente pode sentir e ser todas as coisas, desde o primeiro single, passo a mensagem de o que nós sentimos é válido. E o que mais quero trazer com o álbum. 

Você fala sobre a cobrança histórica para que mulheres pretas mantenham a “marra” e escondam fragilidades. Como esse álbum contribui para quebrar esse ciclo?

Acho que justamente na transição do Lado A para o Lado B me mostro como alguém com diferentes lados. Não serei sempre essa lutadora, quero que as pessoas olhem para mim e também enxerguem delicadeza. Nunca falam que as mulheres negras, né? É sempre “Nossa que mulherão” — e também somos, mas tem momentos em que sou fofa. 

Tem momentos de tristeza, que vou chorar muito, por exemplo, é uma forma de humanizar nosso corpo. Quero humanizar a mulher negra, independente da sua idade, espero que a transição do álbum entregue isso. Assim como um vinil, o lado A era mais comercial e o B, onde o artista podia ser vulnerável, experimentar mais. Entreguei isso, no início, vem a lapada que todo mundo espera, mas, depois, eu desabafo e desabrocho mesmo. 

Essa seria minha próxima pergunta, inclusive. O Lado A é muito mais dançante, até mais festeiro, mas o Lado B você é mais vulnerável. Eles contam uma história? 

Essa mistura vem muito do R&B também. Você escuta todas as faixas e percebe a conexão entre esses dois lados, porque, dentro da sigla, tem todos os ritmos. O Lado A é ritmo, o Lado B é blues. Essa dualidade conversa com a construção do álbum em todos os aspectos. 

Você conta que o álbum nasceu após um período de bloqueio criativo. Como esse momento influenciou a sonoridade e a mensagem do projeto?

Caramba… acho que influenciou como um todo. Escrever sempre foi muito fácil para mim, e, de um dia para o outro, me vi bloqueada, percebi que algo estava errado. Compor sempre foi meu modus operandi, e, de repente, não estava mais funcionando como era.

Percebi que era meu emocional abalado, cansaço acumulado, porque a gente que é artista independente, está sempre na correria. Ainda não consigo trabalhar só com a música. A minha arte, minha maneira de desabafar, colocar no mundo o que eu sinto, começou a ser afetada pelo cansaço. Quando mais precisava cantar e compor, não estava conseguindo.

Depois de “Poema Sujo”, voltei a escrever. Assisti a um vídeo do Ferreira Gullar recitando “Poema Sujo” no YouTube, por meia hora e a galera não cortou. Ele bebe água, espirra, conversa com outras pessoas e tudo vai sem corte. Pensei: "Meu Deus, que vídeo maravilhoso assim, esplendoroso". E isso me lembrou do porque eu escrevo, sabe?

Não preciso colocar nas minhas costas o peso do perfeccionismo, do medo de voltar para onde eu estava. É uma coisa que acompanha muito a gente enquanto artista independente, que veio do lá de baixo… é aquele medo constante. Quando eu me desprendi desse medo, voltei a escrever. Eu sinto, escrevo, porque quero dançar ou desabafar. Precisava mesmo ter passado por esse bloqueio assim para escrever o álbum com essa sinceridade.

Além do Gullar, quais outros escritores você gosta? 

Adoro Rosa Monteiro! Em “Como Canta Gal” trago um termo que aprendi em seu livro, O Perigo de Estar Lúcida, que fala sobre momentos oceânicos e na hora fiquei inspirada!  Tem muitos assim que eu acompanho, Leila Gonzaga também sou muito fã. Leio bastante, mas acho que, de inspiração para o álbum, foram esses. 

Você cita Michael Jackson e Alcione são referências diretas. De que forma cada um deles aparece no disco?

Me inspiro no Michael muito pela sua coragem e liberdade de viver, e na sonoridade também, “Tenta Sorte”, por exemplo, é 100% inspirada nas baterias de Thriller (1982) é uma inspiração para o álbum. Ele era uma pessoa muito detalhista, doido igual a mim [risos]. Essa questão técnica também é uma grande influência.

A Alcione é quem me influencia no mundo, principalmente liricamente. Não tem outra, porque o jeito como ela escrevia, né, por causa dela, sabe, no samba ainda mais, que já não era nem permitido, é uma mulher no samba falando sobre amor, falando que ela não vai abaixar a cabeça para o homem assim [risos] Ela me inspira demais. 

“Doce, Dengosa, Polida” traz um sample de “A Loba”, da Alcione. Como nasceu essa homenagem e por que essa música em especial ressoou tanto em você?

Fiz essa música pensando na minha mãe e nas minhas tias. Na audição, inclusive, cantei chorando e dedicando para elas que estavam lá na minha frente! [risos] Foi muito massa, porque foi um momento que eu conseguia me ver nelas assim. Me veio momentos de churrasco em família, com elas cantando Alcione, e eu pensava: “Quero ser assim quando crescer". A atitude dela lembra as mulheres poderosas da minha família.

Todas as mulheres da minha vida me inspiram e a Alcione sempre foi para “frentona”, dona de uma voz grossa, fazendo o que quer e cantando sobre o que também. Precisava homenagear “A Loba” no meu álbum. Ela me lembra minhas tias e minha mãe. 

Minhas músicas favoritas são “Ponta de Faca”, mostra que ela não deita pra ninguém, também “Figa de Guiné”, me arrepio inteira ouvindo essa! Alcione canta o que eu penso. Se eu pudesse falar com ela, diria que sinto que ela é da minha família. Em toda parte em que sou artista, tem um pedaço só, fez parte da minha infância. 

Muita gente ainda pensa que o R&B não tem espaço no Brasil, outros ainda comparam o estilo com o pagode. Como criar o “R&B a brasileira?”. Como você quer que R&B cresça ainda mais por aqui?

Falta a gente difundir a palavra do que é R&B, porque ele faz parte da nossa música. O R&B, na verdade, surge para substituir o termo “Race Music”, que é música de raça, uma expressão horrorosa, acho que foi a Rolling Stone que sugeriu essa mudança e todos adotaram.

A gente escuta R&B no Brasil desde a época de Tim Maia. Tim Maia é R&B, Thiaguinho, Pepê e Neném e Fat Family também... a gente escuta R&B no Brasil desde os anos 70, Djavan também tem músicas assim, só não difundimos esse termo. 

A gente é muito protetor da cultura nacional. Falamos do samba, MPB, o que acho lindo, mas também precisamos conhecer outros ritmos, porque aí se abrem mais categorias, são oportunidades para mais artistas, abrem mais espaços para as pessoas se interessarem pela arte e pela música preta, somos a maioria dentro do R&B.

Entendendo o que é o R&B, enxergando que é algo que sempre ouvimos, é uma forma de apoiar a nova geração. Tem Melly, Os Garotin, Ludmilla… é uma galera, então reforço não falta. Se a gente conseguir difundir a palavra, vai haver espaço para mais artistas pretos.

E agora que “Tudo que Sinto Faz Barulho” está no mundo, quais os próximos passos da Bela Maria?

Com certeza é trabalhar na turnê do álbum. Estou muito ansiosa! O palco é a parte que eu mais amo. Para o show, estou pensando em trabalhar muito com luz e cores, mostrando bem a divisão entre lado A e B. Vou cantar e também explicar os significados das músicas, é uma marca minha, que acho que vou levar para sempre.

Desde que comecei a fazer poesia na internet, faço isso. Acho que o público se conecta melhor, também esperem muita dança, porque adoro dançar, é um show de muitos momentos! O público vai chorar, vai abraçar quem ama, dançar o muito e apontar o dedo na cara de quem merece [risos]. Meu maior sonho é ver essa turnê rodando, fazer o álbum acontecer do jeito que estou.

Estou muito feliz que o álbum saiu, porque parece que nunca vai ficar pronto. É uma loucura, mas depois de ver nas plataformas, a gente ganha muito mais confiança, quero muito colocar ele na rua. As primeiras composições nasceram em junho do ano passado. Quero desdobrar em sessions, vai ser muito massa tocar com banda. Com o álbum mais pessoas vão me conhecer. Acabei de lançar o álbum, mas já comecei a trabalhar no próximo. A gente nunca para de trabalhar. 

Confira Tudo Que Eu Sinto Faz Barulho faixa a faixa:

“Sem Réplica”: tinha que ser a primeira do álbum. Nela, canto sobre chegar nos lugares vestida da sua história, do lugar que você vem, e com a bagagem de tudo que ajudou a construir sua confiança ao longo da sua vida, porque a autenticidade da sua vivência é o que te faz ser sem réplica. Resgatei a sonoridade do R&B dos anos 2000 junto com Itoo [produtor da faixa], porque as músicas feitas nessa época foram as trilhas da minha adolescência, fase essencial para construção da minha autoestima e onde a gente está descobrindo nosso estilo, nosso lugar no mundo. Essa é, sem dúvidas, um lembrete pra mim mesma.

Melhor Amiga do Tempo”: é uma continuação da primeira do álbum. Uma conversa comigo mesma e conselhos que eu gostaria de ter escutado antes. Durante a minha trajetória inteira, eu gostaria de ter sido mais amiga do tempo no sentido de entendê-lo melhor e saber que ele resolve tudo e é a chave para as nossas conquistas. Eu confesso que lutei contra ele por bastante tempo, mas a batalha certa é contra as expectativas que já colocaram em cima de mim e da minha arte, e principalmente contra minhas próprias dúvidas, que já até mesmo me paralisaram. É sobre essa antiga eu que canto no refrão "tô me enxergando bem melhor além das suas lentes".

“Eu não faço alarde”: clássico embalo do R&B anos 2000 com um flow sensual, um refrão chiclete, e amor próprio demais para fazer escândalo porque alguém escolheu não ficar ou não fez por onde receber o todo o nosso amor e permanecer nas nossas vidas. É um som pra ouvir e lembrar sempre: pego meu valor, minhas qualidades e vou embora de onde não me cabe, sem fazer alarde nenhum porque meu silêncio já faz um barulho enorme.

Efeito Mandela”: esse feat é importante demais pra mim. Amo as músicas da N.I.N.A e admiro muito ela enquanto artista e como pessoa. Nós duas somos artistas independentes e temos uma trajetória parecida quando o assunto é ter que fazer muito com pouco diversas vezes para crescer. Esse som "Efeito Mandela" tem esse nome justamente para expressar a sensação que é chegar nos grandes palcos e sentir  que aquele sempre foi o seu lugar, além dos comentários do próprio público, que diversas vezes se questiona: "como é que eu ainda não te conhecia?", "como é que você não tá tocando em tal lugar?". É sobre ter espaços de merecimento inviabilizados pela falta de holofotes virados para o que não é do eixo sudeste, para o que é criado na periferia, vindo de artistas pretos... essa faixa é muito importante para mim.

“Tenta a Sorte”: nasceu de uma necessidade de viver os dias sem o peso do compromisso de "ter que dar certo". A faixa nasceu da canseira da comparação diária, e da vontade de me livrar do medo de colocar o meu trabalho "na pista", realmente como numa pista de dança, onde você começa a dançar com a cara e a coragem, e de repente, outras pessoas começam a dançar junto. A sensação durante a criação foi totalmente de liberdade, cito Tim Maia (uma das minhas maiores referências), falo de Billie Holiday e Lester Young para descrever a sensação de dançar com seu amor (de uma perspectiva afrocentrada), na pista de dança, sem medo do julgamento, tudo isso cantando em cima de um instrumental de jazz, soul... ritmos que sempre me lembram do motivo pelo qual faço música.

“Doce, dengosa, polida”: a faixa foco do meu álbum tinha que ser homenageando uma das artistas que eu mais admiro e que mais inspiram minha trajetória. Neste som, trago o sample da música "A Loba", de Alcione, fazendo homenagem a doçura sempre firme da Marrom, a todo o lirismo incomparável que ela coloca nas letras e principalmente a interpretação poderosa dela. Cresci ouvindo "Ponta de Faca", "Nem Morta", "Marra de Feroz"... e a partir da liberdade da nossa musa cantando sobre o que sente com tanto poder e certeza, eu me vi tendo coragem para cantar sobre minhas vulnerabilidades, porque mulheres como ela abriram as portas para isso. Além da letra da música que escolhi para o sample, que particularmente é uma das minhas preferidas, experimentei nos vocais, nas trocas de flow, brinquei com os duplos sentidos das palavras… sinto que essa música diz tudo sobre o álbum levar o título que tem.

Poema Sujo”: nasceu depois do meu primeiro grande bloqueio criativo. Ela foi a primeira faixa do álbum que criei e acho que as outras só vieram por causa dela. Depois de assistir um vídeo de Ferreira Gullar declamando a obra “Poema Sujo” dele por quase uma hora, sem cortes, com pausas para pensar, beber água, e etc, eu com certeza lembrei do motivo pelo qual escrevo. Quando li sobre o processo criativo da obra e vi que Gullar escreveu como um desabafo, sem ordem discursiva nem nada, me reconheci muito nesse processo, porque eu escrevo muito a partir do que sinto, muitas vezes sem a intenção de lançar, só pra entender melhor minhas emoções. Os trechos em que ele fala sobre encontros e desencontros sempre me tocaram muito, e eu queria transmitir isso nesse som, com uma melodia clássica de R&B, uma letra que parecesse o declamar de um poema mesmo, e bastante sentimento.

Preciso de Respostas”: esse feat representa muito para mim, admiro demais o Chris e poder fazer um R&B nessa pegada de lovesong com ele foi especial porque eu comecei a ouvir esse estilo de música sendo feita aqui no Brasil pela nova geração com nomes como o dele. A música fala de esclarecer sentimentos mal resolvidos dentro de uma relação onde um está cansado de tantas dúvidas e só quer respostas pra ter coragem de ir embora, enquanto o outro até tenta consertar, mas já parece ser tarde demais para tentar de novo. É aquele som pra ouvir e pensar "ah, então não sou sou eu vivendo uma história como essa".

Como canta Gal”: no momento em que comecei a escrever uma música totalmente romântica que é literalmente uma declaração de amor, eu sabia que precisava falar de Gal Costa, porque ninguém interpretava as dores e delícias de se viver um amor como ela, através daquela voz inigualável e com toda aquela presença de palco. Esse som é pra mandar para a pessoa da sua vida como lembrete de que o coração ainda bate acelerado quando vocês se encontram, é pra paquerar, lembrar de não desistir do amor, e principalmente para se lembrar de como você quer ser amado. 

Outro nome”: surgiu em um momento criativo incrível no Studio Dos Mlk quando fui ao Rio. TAP mixou todos os meus recentes lançamentos e agora mixou meu álbum inteiro. Então, ter a chance de criar pessoalmente com ele foi incrível. A letra simplesmente fluiu como algo que eu precisava dizer naquele momento, é uma faixa para ouvir reparando nos vocais a mais, nos detalhes do beat, nas pausas. Fizemos exatamente o tipo de música que gostamos de ouvir quando abrimos qualquer playlist de R&B.

Por:

Vitória Prates

Fotos: Divulgação/Uhgo

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