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Bolachinha Records leva a cultura do vinil para crianças


Por:

Pedro Figueiredo

Fotos: Divulgação; Acervo Pessoal

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Com quantos anos você começou a se interessar por discos de vinil? Para muita gente, esse contato acontece na adolescência ou na vida adulta, mas a relação com a música física também pode começar mais cedo. É essa a proposta do Bolachinha Records, clube de discos criado em 2025 para aproximar as crianças do vinil e incentivar a descoberta musical desde cedo. O nome faz jus ao formato: os discos têm 7 polegadas e trazem, de um lado, uma historinha e, do outro, as músicas que a acompanham.

Até o momento, as três histórias lançadas pelo Bolachinha — Saci Pererê, Vitória Régia e Festa no Céu — são focadas no folclore brasileiro.

Fundada pelo casal Julia Varon e Tiago Caviglia — arquiteta e músico, respectivamente —, a Bolachinha surgiu enquanto os dois acompanhavam o crescimento da filha, Maitê. “Desde que ela nasceu, a gente sempre buscou criar esse contato com a música e o ouvir.” A partir de suas próprias coleções, o casal incentiva a filha a descobrir os discos e a desenvolver uma relação com a música desde cedo.

“Ela já dizia ‘quero o disco rosa, quero o disco tal’", conta. "Às vezes, até misturava os nomes... um dia ela chamou o Gilberto Gil de ‘Gilberto Gildo”, porque a gente lia a historinha do Gildo pra ela [risos]".

A maternidade remeteu às memórias de infância que Julia tinha com a irmã, quando as duas colecionavam discos. Essa foi a primeira faísca para a criação da Bolachinha. O outro foi a necessidade de afastar a pequena do celular. “A gente assina a Noize e os clubes de leitura infantil. Daí, veio essa vontade de criar algo para as crianças que saísse da exposição digital”, conta.

“O vinil é um ritual, não é só apertar o play. É pegar a capa, olhar, abrir, tirar o disco, escolher um lado, colocar. Então, tem uma coisa de coordenação motora para as crianças, que é bacana, de cuidado e entender que se pegar de qualquer jeito vai riscar. Foi para a nossa filha, mas acabou sendo para todo mundo.”

Uma história, muitas imagens

As crianças, é claro, adoram. O casal já ouviu de vários pais que as crianças pedem para ouvir o mesmo disco várias vezes.“Claro, às vezes você escuta 10 mil vezes o mesmo lado”, brinca. 

Ela chama a atenção também para o efeito lúdico de ter uma história narrada:

“Quando não se tem o apoio do visual, a imaginação vai solta. Ao ouvirem a história do sapo, cada um o imagina de um jeito. Para um, ele é quadradinho como na capa. Para outro, é verde. Então, o disco abre essa oportunidade de fantasiar.”

Brasil em primeiro lugar

Julia explica que a ideia é trabalhar com histórias por temporadas. Na primeira, a atenção está voltada para lendas, contos indígenas e histórias que passam de geração em geração.

“Tem essa questão de falar do contato e proteção com a natureza, de eles terem essa noção ambiental e valorizarem a nossa cultura acima de tudo.”

Outro objetivo do projeto é iniciar as crianças à cultura musical brasileira. Tiago, que está à frente das canções, explica: “Ao mesmo tempo que temos os ritmos brasileiros, as histórias têm sempre uma moral. Para mim, como compositor, é maravilhoso ter uma linha central do que se quer ensinar naquela música”, diz ele.

Os ritmos são variados: vão desde o samba-rock dedicado ao Saci-Pererê, que serviu de introdução para falar de Jorge Ben, até outros ritmos como ciranda e o ijexá.

Em cada uma das canções, um artista fica responsável pela interpretação. Na primeira temporada, as músicas foram embaladas por Deco Martins, LIA, Bola Zimbra, Vini Teixeira, Lê Veras e Nina Fernandes.

O músico ressalta que as produções evitam letras simples e bobas. “Fazemos para as crianças, mas os pais também vão gostar", diz.

Formando audiófilos

Com o Bolachinha, Julia e Tiago estão formando uma nova geração de audiófilos e ajudando a construir a primeira discoteca de muitas crianças. “Pode ser a primeira coleçãozinha dos filhos dessas pessoas”, reflete o músico, olhando para o futuro. 

“O vinil e a discotecagem estão aí, e vão durar muito.”

Julia conta que um dos objetivos do projeto é criar memórias, assim como ela tem dos discos que ouvia com a irmã. Seja pelas histórias, músicas ou pelos rituais que ouvir um disco exige, o Bolachinha, certamente, ficará na memória e nas discotecas de cada um dos pequenos audiófilos por muito tempo.

Por:

Pedro Figueiredo

Fotos: Divulgação; Acervo Pessoal

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