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Jão canta para 60 mil e anuncia datas dos próximos shows


Por:

Pedro Figueiredo

Fotos: Divulgação/Moriva, 30e; João Rocha

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Na última sexta-feira (25/9), o cantor e compositor Jão retornou aos palcos após mais de um ano [veja mais datas no fim da matéria]. O artista se afastou dos holofotes após o falecimento do pai, em junho de 2025. O retorno ficou marcado em julho, com o lançamento do quinto álbum de estúdio, Memórias Póstumas. Depois disso, foi a vez do músico se reunir com seus lobos — como são chamados os fãs do artista — no Nubank Parque. 

Foram 60 mil pessoas no estádio para ver o músico, segundo informações divulgadas pela organização do evento. Ao longo de quase três horas, Jão apresentou 28 músicas que contemplaram todos os cinco álbuns lançados por ele até o momento.

Adotando um formato pouco usual, o estádio foi dividido em cadeiras e pista, sem separação entre pista e premium. O palco posicionado ao centro do estádio contava com um lago. Por conta disso, altura do palco prejudicava um pouco a visibilidade para quem estava na pista — algo que meio metro a mais de palco, certamente, ajudaria a resolver

O espetáculo foi anunciado pelas pulseiras de led que o público usava. Ao acenderem, os fãs gritavam ansiando pela entrada do astro no palco. Ele não apareceu — em vez disso, uma voz feminina se fez ouvir. Era a brilhante atriz Isabel Teixeira que, no espetáculo, assumia o papel de Morte — que, vamos combinar, se tiver a graça da atriz, é bem mais agradável do que imaginamos.

O cantor, então, abre o show cantando “Aurora”, que integra o novo disco, com direito a um espetáculo pirotécnico com fogos de artifício enquanto os dançarinos entregam tudo de si no lago. “Boa noite, São Paulo! Sejam muito bem-vindos às Memórias Póstumas. É muito bom estar em casa, não é?”, perguntou o cantor, que era respondido com gritos ensurdecedores a cada frase.

O bloco seguiu com mais canções do disco, como “Jabuticabeira” e “Memórias Póstumas”. Mas o artista também passou por outras eras, revisitando “Doce”, do álbum Pirata (2021) e “A Rua”, de seu disco de estreia, Lobos (2018).

Um lobo nacional

Ao fim do primeiro bloco, Isabel volta ao palco para mais um monólogo. Agora, no entanto, a atriz divide a cena com um lobo, mas para representar o animal que virou símbolo de seu fandom, Jão escolheu um lobo-guará que, ao aparecer, arrancou mais gritos do público.

O show seguiu com a empolgante “Essa Eu Fiz Pro Nosso Amor”, do álbum Anti-Herói (2019). O bloco ainda contou com a performance de “Alinhamento Milenar”, que integra a tracklist de Super (2023).

Intimista

Mais uma aparição da atriz e do lobo, sinalizando o início de mais um bloco, aconteceu, seguida da performance de “Eu Sempre Volto”. Neste momento, o cantor desceu do palco e, ao fim da música, o som dos leques tomou conta do estádio. “Que coisa mais gay, que lindo!”, brincou Jão.“Eu tenho medo de vocês. Quando eu canto, vocês cantam mais alto. Mas não parem, eu quero ouvir vocês!”

“Eu quis criar um show que fosse o mais íntimo possível para 50 mil pessoas. O que é um absurdo.”

O cantor disse que, nesses mais de oito anos de carreira, sente muito orgulho de tudo o que fez. Porém, confessou que na véspera do lançamento do disco, bateu um arrependimento por reviver as coisas tão íntimas que escreveu. A noite do show, no entanto, teria mudado tudo.

O show, então, seguiu com a faixa “Meninos e Meninas”, um dos hinos do artista — que originou a famosa camisa rosa e azul, que podia ser vista aos montes ao redor de todo o estádio. Durante a apresentação, uma porta apareceu no palco e, ao abri-la, Jão revelou uma convidada especial: a deputada federal Erika Hilton.

A deputada arrancou gritos dos fãs do artista e dançou com ele. No final da canção, ela fez questão de ressaltar como aquela era uma semana importante para a comunidade LGBTQIAP+, por se tratar da proximidade do dia da Visibilidade Bissexual, que se comemora no dia 23 de setembro.

Jão disse que a participação de Hilton fez o sarrafo subir para as próximas aparições, o que desperta, também, a nossa curiosidade sobre como o músico vai arrancar gritinhos do público como a presença da ativista foi capaz de fazer.

A canção seguinte foi o master hit “Idiota”, um dos grandes sucessos do artista, que aproveitou o momento para dividir com os fãs a informação de que aquele seria o maior show já feito no Nubank Parque. O músico ainda aproveitou a canção seguinte, “Coincidências”, para apresentar a banda.

No momento seguinte, as ótimas backing vocals — Frani Môh, Martinha Souza e Jamah — cantaram o refrão do clássico “Baby”, de Caetano Veloso, eternizado pela voz de Gal Costa, no que se tornou um mashup da canção “Locadora”, um dos pontos altos da apresentação.

Isabel e o simpático lobo voltam para uma das mais emocionantes aparições dos dois, responsáveis por trazer ao espetáculo uma carga dramática. Jão, então, se une a eles para a performance de “O Amor”. A atriz e o animal deixam o palco, mas ela retorna para a apresentação de “Passeios Noturnos”.  Nesse momento, uma chuva artificial atinge a dupla, que dança de maneira contagiante.

O cantor agradece a presença da atriz — que, conforme ele anunciou na última segunda (28), segue em turnê com ele pelas próximas passagens da turnê pelo Brasil e em Portugal.

Em mais um momento de intimidade com a plateia, Jão retira do paletó uma carta, que lê para a plateia: "O título dessa música significa um lugar sagrado. Eu acho que só escrevi as letras desse disco pensando nesse momento de agora. Bem aqui", disse o músico antes de encerrar a apresentação com “Catedral”, que abre o álbum Memórias Póstumas. Antes de deixar o estádio, o cantor desceu do palco e distribuiu crisântemos para os fãs que estavam mais próximos da grade. 

Assistir ao retorno de Jão aos palcos é como testemunhar a construção de um fenômeno acontecendo em frente aos nossos olhos. A maneira como ele move multidões e a entrega dos fãs para o momento, bem como a dele para os fãs, já são, por si só, um espetáculo. 

Turnê Memórias Póstumas

31/10/2026 - Rio de Janeiro
21/11/2026 - Belo Horizonte
28/11/2026 - Recife
12/12/2026 - Brasília
19/3/2027 - Lisboa
27/3/2027 - São Paulo

Por:

Pedro Figueiredo

Fotos: Divulgação/Moriva, 30e; João Rocha

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