
Todo colecionador teme o fantasma dos discos empenados. Caso você não saiba o que é isso, nós te explicamos: chamamos assim aqueles bolachões que sofrem algum tipo de deformação na superfície, perdendo a característica plana e adquirindo ondulações. Isso pode afetar a sonoridade ou até impedir que o disco seja tocado.
Porém, nem tudo está perdido: dependendo do nível do empenamento, o disco ainda pode ser reproduzido normalmente e não oferece grandes riscos ao sistema de som. Já para quem busca corrigir de vez a deformação, a solução não é tão simples quanto muitas que circulam pela internet.
Em conversa com a Noize, o gerente da Polysom, Luciano Barreira, explicou que essas deformidades não costumam acontecer no momento da fabricação dos discos quando as prensas estão bem reguladas, mas em etapas posteriores. “Especialmente por exposição a calor ou por armazenamento inadequado,”explica.
Por serem feitos de PVC, os discos sofrem deformações ao serem expostos a altas temperaturas ou à pressão causada pelo empilhamento dos objetos. A exposição ao sol pode afetar essas condições, inclusive a umidade.
Esses são, justamente, os maiores inimigos do vinil. Já falamos algumas vezes, mas é sempre bom lembrar que os discos devem ser armazenados na vertical, sem serem empilhados e longe de altas temperaturas.
Empenou. E agora?
Se você tem algum disco com ondulações na sua discoteca, não precisa se desesperar. Segundo Luciano, os discos ainda podem ser reproduzidos a depender do nível da curvatura. Também não há preocupações em relação ao toca-discos; bolachões empenados não podem estragar os aparelhos de som.
Ondulações pequenas podem ser dribladas com a ajuda do estabilizador de vinil, também conhecido como clamp, um peso usado no eixo central do toca-discos, que o pressiona contra o prato giratório. E, apesar de acharmos fórmulas caseiras para reverter o quadro na internet, como uma técnica que consiste em deixar o disco exposto ao sol entre duas placas de vidro grossas, ou até levar o objeto ao forno, nenhuma delas foi recomendada por Luciano.
O especialista relembrou, no entanto, que há uma máquina capaz de fazer isso. É o caso, por exemplo, do Flatten it, da Pro-Ject, que usa fontes de calor controladas e reduz a quase 100% qualquer empeno. O problema é o preço salgado: a máquina custa € 799,00 (R$ 4.478,70) e não está à venda no Brasil. “O custo de operação — energia elétrica — também é muito alto”, ressalta Luciano. Por isso, como diz o ditado: é melhor prevenir do que remediar.















