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Entre amor, política e movimento, BUHR mantém a chama acesa em novo disco


Por:

Ana Laura Pádua

Fotos: Divulgação

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Feixe de Fogo não nasceu em um único lugar. Entre Fortaleza, Sobral, Salvador, São Paulo, Recife e Rio de Janeiro, o quinto álbum de BUHR foi tomando forma a partir dos encontros com músicos, produtores e diferentes paisagens sonoras. É também o primeiro trabalho lançado como BUHR, nome adotado pela artista depois de se reconhecer como uma pessoa não binária. Sete anos depois de Desmanche, ela apresenta um disco marcado pelo movimento e por diferentes formas de existir.

“Costumo falar que Feixe de Fogo é um disco em trânsito”, diz a artista. O processo se estendeu por cerca de dois anos e avançou sem um roteiro definido, incorporando contribuições de cada cidade e de cada estúdio por onde passou. “Esse álbum carrega a essência desses lugares e das pessoas que colaboraram, elas transformaram a nossa maneira de gravar."

São onze faixas embebidas por guitarras, sintetizadores, baterias, drum machines e percussões, em arranjos que aproximam rock, reggae e música eletrônica. Mas no centro, permanecem dois elementos centrais: a voz e o tambor. Nascida na Bahia e criada em Recife, a artista se formou em meio à efervescência cultural pernambucana dos anos 1990. Sendo assim, se aproximou dos movimentos populares, tocando percussão nos grupos de maracatu Estrela Brilhante e Piaba de Ouro.

Editorial, Buhr © (4)

A busca por novas sonoridades guiou o projeto, desenvolvido ao lado de Rami Freitas, com quem BUHR divide a produção musical. “Tinha vontade de explorar uma coisa mais eletrônica, e o Rami tem isso muito forte, de se aprofundar nos timbres, nas camadas, em mil coisas”, conta. Nesse processo, um dos maiores desafios foi costurar faixas tão diferentes entre si em um mesmo álbum.

“Tem uma música como ‘Seilassee’ e outra como ‘Feixe de Fogo’. Cada uma vai para um lado. Uma não tem bateria nem percussão, só tem synth e violoncelo, enquanto a outra é cheia de coisa. Uma fala de amor, a outra fala de política. É tudo misturado, tanto os temas quanto os ritmos e os gêneros.”

Os arranjos também foram construídos de forma coletiva. À medida que BUHR apresentava as músicas a Rami, os dois pensavam nas colaborações, enquanto os músicos convidados acrescentavam suas próprias ideias às faixas. Ao todo, mais de 20 pessoas participaram do projeto.

Russo Passapusso participa da composição, dos vocais e da coprodução de “Desmotivacional”; Josyara e Negadeza estão em “Oxê”; Moon Kenzo, em “70 Cigarros”. O álbum ainda reúne nomes como Ubiratan Marques, Arto Lindsay, Fernando Catatau, Edgard Scandurra, Dadi, Susannah Quetzal, Rosa Denise, Janice Brandão, Nilton Azevedo, João Teoria, Izma Xavier e Briar Aguarrás.

Já nas letras, BUHR parte de experiências pessoais, afetos e cenas do cotidiano sem deixar de olhar para os conflitos políticos e sociais ao redor. “É como a vida da gente. Você está fazendo a sua coisa e tem uma guerra estourando ali, tem o Brasil muito louco do lado de cá, e aí tem um amor no meio, tem uma novela, tem um filme.”

Além de cantora, compositora e batuqueira, BUHR também leva para Feixe de Fogo suas experiências como atriz e escritora. “Antes de fazer música, eu já escrevia. Amo o universo da poesia falada, embora, da minha forma, eu sempre tenha colocado isso na música.”

Pela primeira vez em sua discografia, o título surge antes do álbum estar finalizado. Nos trabalhos anteriores, BUHR costumava chegar ao nome depois das gravações; aqui, a faixa “Feixe de Fogo” já existia e se tornou uma imagem que acompanhou todo o processo.

“Levei comigo a imagem do fogo pelo caminho. Você andando pelas cidades, levando ali uma lanterna, um abajur, um poste, alguma coisa que mantenha isso aceso e sempre ligado.”

Por:

Ana Laura Pádua

Fotos: Divulgação

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