Exclusivo | Cuscobayo entrevista Onda Vaga

18/10/2016

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Divulgação

18/10/2016

“Aqui, Onda Vaga! Selvagem, brutal e misteriosa como toda a América Latina”, é assim que o grupo uruguaio (mas formado por argentinos) se apresenta na música “Forma de Mujer”. Caso você ainda não conheça o som da banda, a explicação ajuda a entender a proposta dessa grupo que canta uma música única. No ano passado, o grupo fez uma turnê que passou por Espanha, França, Alemanha, Holanda, Canadá, Estados Unidos, Colômbia, Chile, Uruguai e Brasil e a NOIZE não perdeu a chance de dançar com eles (veja como foi).

Ao longo de seus três discos lançados, Fuerte y Caliente (2008), Espítiru Salvaje (2010) e Magma Elemental (2013), a Onda Vaga tornou-se uma síntese contemporânea da cumbia, do indie e da psicodelia – elementos que une temperados por uma forte percussão de ritmos afro-latinos. A proposta se aproxima muito da da banda gaúcha Cuscobayo, com quem os argentinos dividirão o palco no próximo domingo, 23, a partir das 19h, em Porto Alegre (saiba mais aqui).

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Aproveitamos o show para convidar a Cuscobayo entrevistar Nacho Rodriguez, vocalista, guitarrista e um dos criadores da Onda Vaga. A banda de Caxias do Sul preparou algumas perguntas e, abaixo, Nacho fala sobre a trajetória da banda, como foi tocar em países tão distantes quanto o Japão e também revela que o grupo lançará seu quarto disco até o final de 2016. Segundo Nacho, o novo álbum incorpora elementos de música africana (parece bom, hein?), confira abaixo.

No último disco vocês tiveram participação especial do Moreno Veloso e sempre notamos influências de música brasileira no som do Onda Vaga. Conhecem artistas e bandas da nova geração da música brasileira (a chamada ‘novíssima música brasileira’)? Quais artistas e bandas brasileiras (de todos os gêneros e gerações) vocês costumam escutar?
Até o momento, não tive a oportunidade de escutar nada dessa nova denominação, mas adoro a música brasileira, de uma maneira geral. Caetano Veloso, Tom Zé, Os Mutantes, Secos e Molhados, Cartola, Adriana Calcanhotto e Tom Jobim são alguns dos intérpretes que mais gosto. A música brasileira tem um caráter singular que a distingue de todas as outras, é harmoniosa e dinâmica, ao mesmo tempo.


Na concepção das canções, nota-se sobretudo ritmos latino-americanos, mas se percebe uma influência do rock e derivados. Qual a relação do Onda Vaga com os ritmos de música mais pesada ou underground (punk, metal, alternativo, etc)?
Sabe, nós temos uma espécie de atração por todos os tipos de música. Ouvimos desde pop até punk rock, metal e rock alternativo, sem nenhuma exceção. Acredito que ao escutar gêneros distintos, como esses citados, conseguimos incorporar outras melodias, que não estamos habituados a aproveitar, em nossas canções. Isso é algo que considero muito importante para o nosso processo criativo.

Os membros da banda já se conheciam antes do Onda Vaga?
Sim! Nos conhecíamos antes de formar a banda. O grupo surgiu em terras uruguaias, mas somos todos argentinos…

Para vingar como artista independente, muitas vezes é importante a parceria com outros amigos artistas e projetos musicais. Como o Onda Vaga age nessa questão da cooperação entre artistas dentro de uma cena?
Sempre que podemos, nos juntamos com outros artistas, principalmente para fazermos shows fora do nosso país. Gostamos de viajar e é muito bom se reunir com outras bandas e poder festejar algo tão prazeroso como é a música, na estrada. A música, quando compartilhada, se torna melhor.

Como costumam gravar as vozes das músicas? Geralmente gravam ao vivo ou com os instrumentos separados?
Geralmente, gravamos tudo separado. Mas, ultimamente, preciso confessar que temos tentado inovar, experimentando o registro de alguns instrumentos em conjunto, para ver se conseguimos antigir alguma sonoridade diferente.

Como foi a reação dos japoneses quando ouviram o Onda Vaga ao vivo? Quais as cidades/países que melhor reagiram ao show do Onda Vaga?
Os japoneses foram muito efusivos conosco, eles dançavam e pulavam durante o nosso show, algo que nunca imaginei que iria conhecer, muito por causa da cultura mais reservada que eles têm. A nossa ida ao Japão foi uma experiência, sem dúvida, surpreendente, porque nos sentimos muito bem recebidos por lá. Durante a nossa turnê pela Europa, com shows na Espanha e na Alemanha, também tivemos uma boa conexão com o público, o mesmo que esperamos que irá ocorrer agora no Brasil. Já estamos acostumados a dividir o palco, no final do show, com a parte da plateia mais animada, que sobe para cantar junto com a gente. Tudo bem se acontecer de novo!

Era assim que estava o palco quando acabou o último show da Onda Vaga em Porto Alegre (Foto: Ariel Fagundes)

Era assim que estava o palco quando acabou o último show da Onda Vaga em Porto Alegre (Foto: Ariel Fagundes)

Sobre as músicas: elas são criadas coletivamente ou chegam quase prontas, feitas por algum dos membros?
Ah, de tudo um pouco. Temos o costume de variar o nosso método de trabalho, até para a gente não transformar o nosso processo criativo em uma rotina pré-definida e monótona. Algumas de nossas canções são criações coletivas, mas temos também composições que foram feitas individualmente, sem a interferência de um outro integrante.

Percebemos um cuidado maior com a produção no Magma Elemental em relação aos dois primeiros discos, sem perder a energia. Isso será mantido no próximo disco? Vocês possuem previsão de lançamento desse álbum?
O nosso próximo disco vai sair no final deste ano, e terá muitas novidades. Neste trabalho, acho que conseguimos explorar um espectro musical mais amplo, acrescentamos, pela primeira vez, elementos da música africana, sintetizadores, guitarras elétricas, instrumentos andinos, entre outras coisas mais. Estamos ansiosos para saber o que público vai achar!

As letras da banda trazem junto um estilo de vida: os membros do Onda Vaga vivem somente da música ou estão engajados em outras atividades?
Alegra-me muito dizer que vivemos apenas de música. Isso é, acima de tudo, um motivo para nos dedicarmos a ela com um grande entusiasmo e um grande esforço. Somos privilegiados e temos a consciência disso, da nossa responsabilidade com os fãs.

Sabemos que a Argentina está passando por um momento de tensão política, assim como o Brasil. Estão inteirados da situação política brasileira? Se sim, qual a opinião sobre?
Vivemos um momento que parece muito difícil, tanto no Argentina como aí no Brasil, mas tenho esperanças que tudo irá melhorar. Diante da situação em que se encontram os dos países, de muita necessidade e de cooperação, acredito que seria realmente lindo se houvesse uma união latino-americana de verdade, em que os países pudessem se unir e se ajudar, para diminuir os efeitos dessa crise econômica que afeta o nosso dia a dia há anos.

De brasileiros para argentinos, falando de uma paixão em comum: gostam de futebol? Se sim, pra quais equipes argentinas vocês torcem?
Como bons argentinos que somos, compartilhamos uma grande paixão pelo futebol, assim como vocês, brasileiros. Acredito que esse esporte é o que melhor consegue unir as pessoas, seja para assisti-lo ou para praticá-lo, como nós mesmos fazemos às vezes, por incrível que pareça. Neste sentido, o Onda Vaga é um retrato da própria Argentina, já que temos, dentro do grupo, torcedores do River e do Boca na mesma proporção.

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Abaixo, um registro do show de lançamento de Magma Elemental no Luna Park, em Buenos Aires:

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18/10/2016

Editor
Ariel Fagundes

Ariel Fagundes