Jackson_5_tv_special_1972 (1)

Após morte do pai, filho descobre playlist escrita à mão com suas músicas favoritas


Por:

Revista NOIZE

Fotos: Divulgação

COMPARTILHE:

Em meio aos materiais de estudo, na estante de casa, o estudante Juan Moreira encontrou algo que parecia apenas mais um caderno esquecido. Mas não era. Dentro de uma agenda antiga, guardada com cuidado, estavam as anotações do pai, já falecido — senhas, telefones, endereços e, entre tudo isso, uma lista de músicas. Uma espécie de playlist analógica, escrita à mão, reunindo canções que acompanharam uma vida inteira.

Ele conta que o pai usava aquela agenda para registrar tudo o que era importante. “Ela parecia até um livro comum, pelo modo como estava disposta na estante”, conta. Só após aberta, a agenda revelou seu verdadeiro valor: continha uma curadoria musical afetiva, feita sem algoritmo, que hoje funciona como retrato íntimo de quem ele foi.

Música em casa

O pai, Paulo Cesar Moreira, era servidor público e faleceu em 2021. Em uma época difícil de perdas, a família Moreira também precisou se despedir de um ente querido. Anos depois, próximo ao Natal de 2025, Juan compartilhou um vídeo mostrando a agenda aos seguidores — o que não esperava era a quantidade de mensagens que recebeu, com muitas pessoas emocionadas pela história que une música, memória e afeto.

A música sempre ocupou um lugar central na família. O avô de Juan era músico do Exército e passou a vida tocando na banda militar. “Meu pai cresceu ouvindo meu avô tocar instrumentos de sopro em casa e nos desfiles”, lembra. Embora não tenha se tornado músico, ele carregou esse legado de outra forma. Como parte de uma família inteiramente preta, a black music foi um pilar da formação afetiva e cultural do lar.

Jackson 5, George Benson, Madonna, Marvin Gaye, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tim Maia, Kool & the Gang ecoavam pela casa. Todas as músicas anotadas eram ouvidas religiosamente. “Minha lembrança mais clara é dele pegando essa agenda, sentando no sofá da sala e pesquisando cada música para ouvir.”

Mas o que transforma a agenda em algo maior do que um simples caderno é o que ela carrega nas entrelinhas: Cada música estava ligada a um momento específico da vida do pai. “Ele dizia que cada fase da trajetória dele, da juventude até os 60 anos, estava ligada a uma daquelas canções.” “Good Times”, do Jackson 5, por exemplo, o levava de volta ao tempo em que retornava da universidade para casa.

Desde pequeno, os artistas que ele fazia questão de me presentear com todos os lançamentos em CD eram os Jackson 5 e Michael Jackson. Ele amava de paixão e fazia questão que eu também me apaixonasse.

Essas escutas, compartilhadas no sofá da sala, ficaram na memória afetiva de Juan, um jovem que também se apaixonou pela música. Hoje, a agenda funciona como um testemunho da trilha sonora que acompanhou a vida do pai. “Essas músicas mostram quem era meu pai: um homem negro, superinteligente, sensível e muito refinado.”

A história de Juan e dessa lista escrita à mão lembra que, antes dos streams e das recomendações automáticas, a música já cumpria seu papel: guardar memórias, conectar pessoas e manter vivas a memória de quem amamos.

Por:

Revista NOIZE

Fotos: Divulgação

COMPARTILHE:

RECEBA NOVIDADES POR E-MAIL!

Inscreva-se na nossa newsletter.