
Da vontade de eternizar um dos momentos mais importantes da carreira de Marisa Monte, nasceu Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical (1996), disco que a princípio seria um registro da turnê Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994). No meio do caminho, o plano mudou, e o quarto trabalho da carreira da artista se transformou num álbum duplo, mesclando interpretações ao vivo e gravações de estúdio.
No ano em que completa três décadas, Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical, que estreou na lista de mais vendidos e vendeu mais de 750 mil cópias, chega ao NRC+ e ganha sua primeira prensagem em vinil. Em pré-venda no site, o kit vem com LP duplo preto, capa gatefold, pôster e encarte com o material original do CD em versão ampliada.
As 18 faixas, divididas em dois blocos, foram produzidas pela própria artista e por Arto Lindsay, com quem ela já havia colaborado em Mais (1991) e Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994). Na primeira parte, ao vivo, o canto do público, suas palmas e assobios se unem à voz da cantora.
“Um show é muito melhor para exercitar os sentidos”, Marisa disse à Revista Trip em 2000. As 11 músicas desse bloco foram gravadas em dois momentos: em 1995, no Teatro Guararapes, em Recife, e no ano seguinte, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro.
Aqui, a cantora retoma canções dos seus primeiros discos, como “Beija Eu” e “Bem Leve”, além de abrir espaço para releituras: clássicos da MPB, “Panis Et Circenses” e “A Menina Dança”, se encontram com o samba de Paulinho da Viola em “Dança da Solidão”, e até com o beatle George Harrison, numa versão de “Give Me Love”.
Já a segunda metade do disco trouxe surpresas: “Eu pensava gravar três ou quatro músicas, mas adoro estúdio, e acabamos fazendo estas sete. Carlinhos Brown, de quem eu pretendia gravar ‘Magamalabares’, chegou em Nova York com as outras duas músicas, ‘Maraçá’ e ‘Arrepio’. Ele não tinha levado instrumento algum além do violão, e fez as bases rítmicas com objetos que encontrou no estúdio, como caixas de papelão, de madeira e o próprio corpo”, conta Marisa sobre o disco em seu site.
Além das composições de Brown, que viria a ser seu parceiro no trio Os Tribalistas junto a Arnaldo Antunes, a artista gravou outras quatro faixas. De uma delas veio o nome do disco: “Chuva no Brejo”, do disco solo de estreia de Moraes Moreira, na qual ele canta “Olha como a chuva cai / E molha a folha aqui na telha / Faz um som assim / Um barulhinho bom”.
Versões de “Cérebro Eletrônico”, de Gilberto Gil, e “Tempos Modernos”, de Lulu Santos, também fazem parte da lista, que termina com “Blanco”, um breve poema musicado por Marisa. “Há uns dez anos, fui convidada por um amigo, o artista plástico Mário Fraga, para ler em off num vídeo este poema de Octavio Paz, traduzido por Haroldo de Campos. Como para mim é mais natural cantar do que falar, preferi compor a música na hora”, compartilhou na época do lançamento de Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical.
Para a identidade visual, Marisa resgatou a obra de Carlos Zéfiro, pseudônimo do ilustrador Alcides Aguiar Caminha, que publicava quadrinhos eróticos entre as décadas de 1950 e 1970. Foi nele em quem Gringo Cardia se inspirou para desenvolver o projeto gráfico do disco. Além de usar o lápis para desenhar, Zéfiro também o usou para escrever músicas. Ele foi parceiro de Nelson Cavaquinho, com quem, inclusive, compôs uma das canções mais famosas do sambista, “A Flor e O Espinho”.
À Folha de S.Paulo, em 1996, Marisa Monte disse que escolheu Zéfiro porque “o voyeurismo tem a ver com a relação do público com o artista no palco”. Nos Estados Unidos, onde Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical foi lançado como A Great Noise, e censurado com uma tarja nos seios da moça ilustrada na capa.
Assinantes do Noize Record Club têm desconto na compra do título e a chance de completar a coleção com mais discos de Marisa Monte. Em 2020, lançamos Verde, Anil, Amarelo, Cor-de- Rosa e Carvão (1994) e, neste ano, Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (2001).






