O Vinil Vive – Europa


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Revista NOIZE

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O vinil é a redescoberta do universo musical no fim desta década. Não são só os números do mercado consumidor que apontam para isso, embora caiba ressaltá-los aqui: foi de quase 90% o aumento na venda dos discos em terras estadunidenses, só entre 2007 e 2008. O negócio tende a crescer ainda mais. Em terras européias, a Associaçao Fonográfica Portuguesa, por exemplo, relatou aumentos extraordinários na venda dos bolachões. As bandas se ligaram que o nicho é quente. O público, também. E o mercado fonográfico não vai ficar de fora dessa, é claro. Estava eu, viajando pela europa, buscando referências para a NOIZE, tanto musicais quanto estéticas, me deparando com um monte de coisas diferentes, quando surgiu a idéia de fazer uma máteria mostrando uma parte destas "novidades" que só agora estão caindo na boca do grande povo consumidor de música e das majors no Brasil, o novo (velho) mercado fonográfico do vinil. Pensei em cavocar lojas, raridades, me afogar no pó do vinil europeu. Enganado estava eu. A grande maioria dos discos quais encontrei não tinham pó algum, eram novos em folha, mais precisamente obras de arte, recém editados pelas gravadoras européias. E o melhor, com preços muito acessíveis, exatamente iguais ou até menores que os dos cds. O mais legal de tudo é que todas (TODAS) as lojas em que eu conversei com os responsáveis, disseram que hoje em dia vendem mais vinis do que CDs e que, mesmo com a queda brusca nas vendas de CDs, os vinis vem equilibrando esta balança e elas sobrevivem muito bem com o mercado de discos.   AMSTERDAM_ Basement Records  basement_inside Localizada no porão de uma loja de skate, no centro de Amsterdam, a Basement Records foi fundada em 1995 para suprir a comunidade do skate e do punk rock. Na época, não existiam lojas do tipo. Nowell, o proprietário, diz que começou a função no melhor estilo do it yourself. As paredes da loja são repletas de pôsteres de bandas punk e hardcore, e de compactos 7” em vinil, fetiches dos punk rock kids (eu não me segurei e comprei o 7” Search and Destroy, do Iggy & The Stooges por 4 euros). basement_posters A parede de toda a loja é revestida com cartazes de shows de punk rock. Imagine quanta banda foda já não passou por lá. basement_corredor basement_eps_punk kiss Eu, kissmaníaco desde criancinha, quase tive um surto ao ver ali na minha frente um pinball original do Kiss (aqueles dos anos 70). Uma pena estar desligado.   Concerto Records 

concerto

O gerente Anthony diz que os anos de ouro da Concerto começaram em 1968, com o boom da swinging london (acima, a fachada da loja). Antes disso, a loja apenas alugava discos, difíceis de se conseguir até o início daquela década. A maior loja de discos de Asmterdam tem quase 60 anos e fica a três quadras da Basement. Da rua, parecem quatro lojas separadas, que, na verdade, são uma só. Vinil para todos os lados, de Beirut a João Gilberto. Diversos players e fones de ouvido para ouvir as bolachas na hora. concerto_inside2 concerto_inside concerto_paul concerto_parede concerto_inside3 Quatro lojas grandes conectadas entre si. Uma exclusivamente para Jazz, outra de música erudita, Rock, e a de velharias e raridades...   BRUXELAS_ Uma informação que me surpreendeu foi que Bruxelas, nos anos 80, possuía a maior densidade de lojas de discos da Europa. Obviamente só as verdadeiras sobreviveram, eis duas delas:   Jukebox jukebox_metallica Em matéria de raridades, a loja mais animal que eu já vi. Tinha todos os picture discs do Metallica (aqueles com a arte impressa direto no vinil, como este Ride the lighting aí em cima), o 10” duplo Amnesiac, do Radiohead, e muito, muito jazz. Imagine os discos que já passaram por ali. Segundo um guia de viagem que eu catei pela cidade, a loja é a maior referência em termos de velharias. Reza a lenda que o proprietário Jean Pierre, um sujeito europeu mal-educado que me expulsou da loja pois queria ir almoçar (quase justifica-se, pois eu já estava lá babando há vários, vários minutos) guarda as verdadeiras obscuridades atrás do balcão, para colecionadores que vêm de todas as partes do mundo.   Doctor Vinyl doctor_fachada A Doctor Vinyl é uma loja muito respeitada em Bruxelas, pois fornece discos e material para clubs famosos da Bélgica, como o Mirano e o Fuse e outros espalhados por toda a Europa doctor_placa A plaquinha na entrada, já mostrando a high-class do local.   BARCELONA_ CD Drome drome Quem lê a fachada se engana: a CD Drome é uma das principais lojas especializadas em vinil de Barcelona. Localizada nas imediações da Calle Tallers, destino certeiro de quem quer comprar bolachões, tem um estoque massa de eletrônica e indie, além de raridades - inclusive Jorge Ben e Ronnie Von - ocupando a parte de trás do balcão. Para o vendedor Alberto, no futuro o CD vai ficar só no nome da loja. “Achava que ia ver a morte do vinil, agora acho que o CD vai antes”. drome_pano drome_art drome_css Dá um sacada nesse 7'' do Cansei de Ser Sexy do single de Left Behind. Novamente com o preço muito acessível, 4 euros e 25 centavos.   Daily Records_ dayli Saindo da CD Drome e adentrando a Calle Tallers, encontra-se a maior concentração de lojas de vinil. Muitas fecharam nos últimos anos, mas algumas, como a Daily Records, sobrevivem. E nas paredes dela, a milhares de quilômetros de casa, encontrei até um vinil clássico do Ratos de Porão.   LISBOA_ Fiquei pouco tempo em Lisboa, apenas conheci uma loja. Muito bacana e especializada em reggae e dub, a Embassy Sound: embassy Um pequeno paraíso localizado no Bairro Alto (bairro que concentra a maioria da boemia de Lisboa) dedicado exclusivamente ao reggae e ao dub, com clássicos dos 60’ aos 90’, lançamentos e remixes em vinil vindos diretamente da Jamaica. embassy_2  
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