Entropia_PressPhoto_8 (by Ana Clara Salomão)

Profissão DJ: o trabalho da cena eletrônica que vai movimentar o Lollapalooza Brasil


Por:

Amanda Cavalcanti

Fotos: Divulgação/Ana Clara Salomão, Yuri Oliveira

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A primeira vez que a mineira Alírio Resende foi para São Paulo foi em 2015, para ver um show da cantora Marina – na época, ainda Marina & The Diamonds – no Lollapalooza Brasil. Se você é fã, provavelmente se lembra que a cantora britânica cancelou a apresentação por problemas de saúde. Por causa disso, Alírio acabou indo para o palco eletrônico e vendo o show do Major Lazer, grupo fundado pelo DJ Diplo. 

Para Alírio, que agora é parte do line-up do Lollapalooza Brasil 2026, a inspiração que a levou em direção à cena eletrônica começou bem ali, assistindo ao show do Major Lazer. "Lembro até de comentar com um amigo: nem foi de todo ruim assim a Marina cancelar, porque o Major Lazer, pra mim, foi uma experiência surreal. E também é surreal isso estar acontecendo na minha carreira agora", conta a DJ à Noize

Essa foi a primeira memória que pipocou na cabeça da DJ quando ela foi convidada a se apresentar no festival. Junto de outros nomes no line-up, Alírio está representando, no palco de um dos maiores festivais da cidade de São Paulo, parte da cena underground eletrônica brasileira e o caminho que percorreu até chegar aqui. 

DJ como profissão (e estilo de vida)

Além dela, Idlibra, Mu540, Marcelin O Brabo, Zopelar e Entropia estão entre os DJs que tomarão o palco Perry’s By FIAT, dedicado a revelar novos talentos e mostrar os nomes que estão bombando na cena eletrônica mundial. 

Mas nem sempre essa cena foi vista com o glamour e profissionalismo que ela merece. Em um passado não muito distante, os disc jokeys eram encarados com preconceito: havia o clichê que DJs só "apertam botão", ou que a música eletrônica não era "música de verdade", como a música tocada por instrumentos acústicos. 

Quem acompanha a trajetória de um DJ, sabe que isso é balela. Alírio, por exemplo, percorreu um longo caminho. Sua carreira começou em 2019, quando ainda morava em Uberlândia. Lá, quando começou a tocar, ela formou o coletivo BAILE034. Conforme sua carreira como DJ, seus estudos na psicanálise e sua transição de gênero avançaram pandemia adentro, Alírio decidiu que era hora de se mudar pra São Paulo no final de 2022. 

Foi quando o mundo se abriu pra ela: Alírio passou a ser residente na icônica festa Mamba Negra e, eventualmente, fundou seu próprio selo, a Tandera Recs. Tudo com muito estudo e esforço: "Minha preparação pra tocar é muito sobre pesquisa musical, curadoria. Todo dia estou ouvindo música; procuro ir pra festas dançar, ouvir DJs novos. Quanto mais a gente toca, mais a gente domina a técnica, e assim vai", diz a DJ e produtora. 

DJ desde sempre

Quem também se viu inspirado pela cena eletrônica paulistana desde muito cedo foi Entropia, nome artístico de Matheus Câmara. Com 16 anos, ele já tocava em festas na capital. "Meus pais tinham que assinar autorizações formais para que eu pudesse entrar na maioria dos clubes e festas", lembra o músico. "Eu já tocava alguns instrumentos desde a infância em Recife, mas foi a vivência em São Paulo que despertou meu interesse pela música de pista."

Além da carreira solo, Entropia passou também, recentemente, a tocar no projeto Teto Preto. Fundado por Carneosso, vulgo de Laura Diaz, um dos nomes por trás da Mamba Negra, o projeto já carrega mais de dez anos de história – com marcos como o single "Gasolina", de 2016.

Depois de algumas mudanças no line-up da banda, Matheus tocou e produziu no disco "Fala", lançado pelo grupo em 2024. Ano passado, o quarteto se apresentou no festival espanhol Sónar, um dos mais conceituados eventos de música eletrônica do mundo. 

"Tocar com o Teto Preto me permitiu realizar dois sonhos gigantes: estar nos maiores palcos do mundo e assinar a direção musical de um show dessa magnitude ao lado da Carneosso", fala Entropia, que agora se prepara para mais um grande desafio: tomar o palco Perry’s by FIAT do Lollapalooza e agradar ao público diverso do festival. "Em clubes, muitas vezes precisamos adaptar o setup por limitações técnicas ou logística de transporte. No Lollapalooza, eu tenho a oportunidade de entregar um espetáculo completo. Estou montando um live do zero, pensado especificamente para o festival. Vou apresentar uma série de faixas inéditas."

Alírio também está preparada para apresentar novas faixas no festival, principalmente as que fazem parte do seu EP "Sonhos Expressos", lançado em fevereiro deste ano. "Eu quero levar a cultura ballroom, que faz parte da minha história. É um dos motivos que me levou a começar a discotecar e que me ajudou a me entender enquanto mulher trans. Convidei para performar a Juana Chi, que é uma das pioneiras aqui no Brasil", fala a DJ. 

Apesar da empolgação e pressão, os artistas afirmam que querem manter a prática experimental e livre de seus sets – que é, afinal, o que os levou até esse grande palco. Alírio conclui: "Não quero perder essa característica minha de deixar acontecer, de não preparar muito. Relaciono com a associação livre da psicanálise – acho que faz parte da minha essência, e tenho certeza que é uma das características que fez com que eu fosse crescendo musicalmente ao longo dos anos. Não quero que seja diferente disso". 

*Conteúdo apresentado pela FIAT.

Por:

Amanda Cavalcanti

Fotos: Divulgação/Ana Clara Salomão, Yuri Oliveira

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