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Referência: conheça as inspirações dos seus artistas favoritos


Por:

Felipe Tellis

Fotos: Divulgação/Pedro Soares, Apollo, Cley

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Quais são os nomes por trás das reflexões dos artistas que hoje são sensação na música brasileiro? Rashid, por exemplo, olha para a técnica e o apelo popular de outros rappers. Com sensibilidade poética, conseguem traduzir angústias, sentimentos e aflições em gírias e palavras do cotidiano: “É como chegar aos mesmos insights através de uma conversa com um parceiro da sua quebrada”, diz o artista.

Bixarte, por sua vez, coloca o gênero em outro lugar, numa esfera mais afetiva, pessoal e, principalmente, de acolhimento, lembrando que o rap ocupou em sua infância o espaço do pai que não esteve presente. Por trás de cada verso, há toda uma tradição a ser perpetuada às novas gerações. 

Ajuliacosta

“Pessoas que me influenciaram muito são os Racionais, com o DVD Mil trutas, mil tretas (2006); o Emicida, com o Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, até que Eu Cheguei Longe (2009); e, com certeza, a era Junior M.A.F.I.A., do The Notorious B.I.G. e Lil' Kim. Aprendi muito com esses artistas. Como Inspiração para outros rappers, me sinto feliz. Isso é muito louco porque num momento você está admirando essas pessoas, mas aí você faz um trabalho e, de repente, vira a pessoa que está sendo admirada. Espero continuar sendo uma boa referência para, além de artista, também como ser humano – acho que isso é o que importa”.

Boombeat

“As minhas referências são aquelas que me lembram do movimento hip-hop na sua essência. Da evolução através do coletivo, do dedo na ferida, do ritmo e da poesia, se comunicando dentro e para além de seu recorte social e de gênero, fazendo com que nos sintamos todes caminhando rumo a um mundo melhor com um olhar atencioso para corpos que vivem na margem. Rappers que me despertam esse sentimento são Emicida, Negra Li, Rael, Stefanie, Cris SNJ, Rico Dalasam, Monna Brutal, Racionais Mc’s, Rap Plus Size, Rashid, Duquesa, FBC, Sodomita, Bixarte, Flora Matos, Karol Conká, Mc Luanna, Tasha e Tracie, AJULLIACOSTA e Ebony, entre outres. Já ser inspiração é um lugar que não procuro pensar, mas quando recebo esse tipo de troca, sinto estar no caminho certo e retribuindo de alguma maneira o que outres rappers são pra mim. Em momentos de fragilidade e dúvidas sobre o caminho no qual estou seguindo, quando olho pra outres resistindo, me lembro do porque sou rapper e tenho mais gás pra continuar". 

Bixarte

“As minhas referências vêm das ruas, batalhas de freestyle e das mulheres. Eu curto muito Negra Li, Drik Barbosa, Stefanie, Monna Brutal e AFRONTA. Mas as letras do Emicida e dos Racionais me atravessam desde criança, quando ouvia junto com os meus primos. Lembro que o rap, desde aquela época, substituiu a figura do meu pai, que não era presente. Enxergo o lugar de ser referência como responsabilidade, que me faz pensar muito antes de falar, porque o artista é formador de opinião. Fazendo parte do movimento hip hop, entendo que ocupo um lugar que mostra para outras travestis que é possível sonhar”.

Jota.pê

“Ouvi o D2 pela primeira vez no DVD do Charlie Brown Jr. A rítmica e os versos me pegaram demais, assim como a atitude e a sonoridade. Aquele som me dava vontade de ter uma banda. Na sequência, conheci Racionais mais a fundo por causa do meu pai. Ouvi ‘Nego Drama’ pela primeira vez e aquilo me tocou. Eu tinha 12 anos e ainda não entendia muito bem. Depois de adulto, chorei algumas vezes. Os Racionais têm um poder de retratar a realidade de forma poética e bruta ao mesmo tempo. E, por último, o Emicida. A poesia, as palavras que ele escolhe para usar e o jeito que enxerga o mundo e transforma isso em música, me emocionam e inspiram demais, além das misturas de ritmos e elementos musicais que faz com frequência. Outro dia vi o Vulgo FK falando sobre como me ver ganhando os Grammys o inspirou e mostrou que ele também poderia chegar lá. E o Emicida mesmo me mandou uma mensagem para falar de  ‘Ouro Marrom’. Isso foi especial! Saber que gente que eu admiro presta atenção na minha arte, é bonito demais”.

Rashid

"Antigamente, costumava citar Nas e Jay-Z antes dos meus ídolos nacionais. Mas Mano Brown, Os Racionais e Kamau, pelo que fizeram, num país como o nosso, precisam ser citados primeiro. A forma de rimar de todos eles remete mais a uma conversa do que a uma performance. É forte o impacto das coisas que esses caras dizem. Ao meu ver, uma perfeita mistura entre técnica e apelo popular, equilibrando uma sensibilidade poética absurda com a capacidade de traduzir isso em gírias e palavras do cotidiano. É como chegar aos insights que muitos têm ao ler os grandes filósofos da história, mas aqui, através de uma conversa com um parceiro de sua quebrada. E há também as vivências: Jay-Z e Nas são de Nova Iorque, que tem um “jeitão” muito característico de fazer rap. Já o Kamau é da Zona Norte de São Paulo, que tem uma forma diferente de rimar. Seu estilo influenciou quem veio depois e é da mesma região: Emicida, Projota, eu, Prado, Monna Brutal e Renan Inquérito. E as letras do Brown são da Zona Sul, que tem outras gírias e cadências. É incrível observar isso. Eu ainda olho para muitos artistas com olhos brilhantes. Saber que para muitos estou nesse lugar, é sentir que parte da missão está sendo cumprida. Tudo isso é sobre continuidade e ciclo se completando. Foi importante para mim a oportunidade de encontrar meus ídolos e receber carinho e, talvez, até aprovação. Eu sei exatamente o quão especial foi ouvir meu nome sendo citado por aqueles artistas que tanto admiro, então não me negarei a exaltar o trabalho de quem está chegando com potencial para elevar o nível mais uma vez."

Russo Passapusso

“As minhas referências começam pelos sons da sanfona que eu ouvia no interior da Bahia, passam pelos tambores da capital e se misturam com os sons que chegavam a Salvador. Trabalhei vendendo discos de vinil e tive a oportunidade de conhecer muita coisa que chegava à loja. Sou fã número um de Antônio Carlos e Jocafi e mantenho, nos meus ouvidos, os traços da mistura de Luiz Gonzaga com Bob Marley. No rap, os primeiros sons foram Racionais, Câmbio Negro, Negra Li, Xis, Planet Hemp, SNJ, Black Alien, Flora Matos, Inumanos, Afrogueto e Vandal. O momento em que tudo mudou na minha vida foi quando ouvi muitos daqueles ritmos brasileiros que aprendi nos discos na fala daquele MC. Tudo mudou quando ouvi Sabotagem! Quando falam que sou inspiração, respiro fundo e lembro do que me fez ser músico. Sempre me entendi como um mensageiro; quando me vejo como inspiração, ganho fôlego para passar minha mensagem". 

Stefanie

“Os nomes do anos 1990 me inspiraram a fazer rap e influenciaram a minha carreira, como Potencial 3, Rappin Hood, RZO, SNJ, Dina Di, RPW, Consequência, Academia Brasileira de Rima, Gog, MV Bill e Kmilla CDD. Já internacional não posso deixar de citar Lauryn Hill, Flipmode Squad, Ra Digga, A Tribe Called Quest, De La Soul, Common e Wu Tang Clan. A minha admiração por esses artistas vem da autenticidade e criatividade de cada um, todos com uma identidade muito forte e com mensagens reais que me fizeram enxergar outra realidade, me mostrando que eu poderia fazer o meu trabalho sendo eu mesma. Me ver como uma inspiração é uma honra. Espero continuar fazendo música que inspire e faça a diferença na vida das pessoas, assim como esses artistas fazem e fizeram parte da minha vida". 

Por:

Felipe Tellis

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