Sain transforma disco em programa de rádio com vinhetas de João Gomes e MC Carol
Por:
Pedro Figueiredo
Fotos: Divulgação/Josh Ellis
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Uma das memórias de infância favoritas de Sain, primogênito de Marcelo D2, é escutar o barulho da rádio da cozinha na casa onde cresceu, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. “Me arrumava para o colégio com essa trilha sonora", lembra o rapper.
Foi justamente essa lembrança que norteou o seu novo trabalho, Última Mesa da Lapa, lançado nesta quinta-feira, 15/10. A rádio fictícia Bloco 7 FM costura as 18 faixas do projeto, e conta com locução do radialista Leandro Resende e vinhetas protagonizadas por Di Melo, João Gomes e MC Carol De Niterói.
Incluir o conceito da rádio no trabalho significa abraçar diferentes estilos musicais, como boom bap, trap e até jazz em uma faixa instrumental. “Fui para outros gêneros, coisa que não costumo fazer, então isso se encaixa na ideia do programa de rádio", revela Sain, que assina a produção musical do disco.
“Comecei fazendo beat. Quando ia para as batalhas de de rima na Lapa, e conheci o Shock e o Faruck, a gente começou a Start [Rap] nessa ideia, criando junto. Nesse disco, tem beat que antigo, até às vezes antes do KTT ZOO (2023). Eu tô sempre fazendo beat".
Para ele, a graça da produção musical está em “sentir a música na mão”, escolher o timbre das caixas e criar uma batida, vem, para ele, antes das letras. Inclusive, o seu caderno é o bloco de notas do celular. E o que existe ali agora? “Tem terapia, lista do mercado, afazeres, rima nova, rima antiga…".
Na sua caneta passam histórias dos lugares que frequenta e das pessoas que o cercam. Última Mesa da Lapa traz participações de um time de peso: BK, Leall, Luccas Carlos, Akilla, Ca$hline, DG, Jxnv$, Matchola, Murica Sujão, Peres e Rare Gnxt.
“Às vezes, eu mando um beat para alguém, pra ver se a pessoa tem uma ideia, tá ligado? Às vezes, eu tô só com amigo, tipo o DG, estamos trocando ideia, e do nada a gente começa a fazer uma música. Acho que o mais importante é você tá aberto para quando a ideia vier, tá ligado? E estar sempre exercitando.”
Se no passado Sain evoluiu com o pai, hoje, melhora todos os dias por conta da filha. Giovanna é homenageada por ele na faixa “Melhorei”. A paternidade transformou a sua vida: “Por fazer rap, a gente fala sobre o cotidiano, fala sobre coisas da vida. O meu ponto de vista mudou totalmente depois que eu virei pai.”
Sain explica que a maneira como ele encara o mundo — a ambição e o tom — mudou após a chegada da filha em 2013.
Carioca orgulhoso, Sain cita o bairro do Catete – e os bairros ao seu redor, como é o caso da Lapa – com frequência nas suas letras. “Quando eu saí do Catete eu percebi como ele me afetava”, explica sobre a ligação com o território.
“Lá tem uma vivência muito grande, não só de pessoas parecidas com a minha rapaziada, mas de todo mundo. Você vê muita vida e isso pra mim é muito material, como se eu fosse um cronista da minha área.”
Com tanta matéria prima, seja o bairro, a família, e os amigos, Sain faz de Última Mesa da Lapa um álbum capaz de guiar os ouvintes por uma viagem por suas memórias.