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Torya: nova voz se inspira em precursoras para inovar no rap


Por:

Vitória Prates

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Nascida e criada na Zona Norte de São Paulo, Jennifer Victória Melo de Oliveira — artisticamente conhecida como Torya — dedica 12 dos seus 27 anos de vida à cultura hip-hop. Transitando entre as posições de cantora, compositora e performer, a artista recusa limites estéticos ao fundir o rap tradicional com a cadência do house, a energia do funk e as melodias do R&B. Com uma trajetória construída de forma consistente nos palcos, Torya já passou por festivais de peso como o Sons da Rua e o CENA, além de dividir line-ups com nomes centrais da música urbana nacional, como Rincon Sapiência, Criolo e Djonga.

Consciente de seu papel no ecossistema musical, a rapper enxerga seu trabalho como uma ponte de continuidade para a história construída por mulheres que abriram caminhos no gênero, como Cris SNJ, Stefanie e Flora Matos. Movida pela missão de incluir e fortalecer outras vozes femininas na cena, Torya transforma vivência periférica em linguagem, atitude e presença de palco marcante.

“É a tropa das minas. Eu já estou no pódio, o sonho dele é ter meu flow. Enquanto eles estão apostando e acabando com o dinheiro, eu estou no estúdio farejando hit”, versa a artista na faixa “Granada”, parceria ao lado de Ciça presente no EP Altiva (2025). Sem receio de colocar o dedo na ferida, suas rimas traçam crônicas diretas sobre sua realidade e escancaram os problemas sociais do cotidiano urbano.

torya no sesc

Sua identidade criativa celebra simultaneamente o passado e o presente do rap feminino, conectando o legado de veteranas como Negra Li ao frescor da safra contemporânea de expoentes como Ebony e Duquesa. No plano internacional, a artista aponta como referências centrais ícones que vão da vertente soul de Erykah Badu e Lauryn Hill à ousadia pop e performática de Doechii e Doja Cat — esta última homenageada explicitamente na música “Ultron”.

Para mergulhar na discografia de Torya, o caminho passa pelo projeto de estreia Início (2018) e avança pelos trabalhos A Preta (2020), Gamora (2022) até chegar ao recente Altiva (2025). A escuta se completa com suas colaborações ao lado de outros nomes de destaque da nova música brasileira, como Kafé, Derek e Dalua.

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Vitória Prates

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