
Totô de Babalong está de volta — e mais brega do que nunca. O cantor e compositor baiano lançou no final de julho o terceiro álbum Deusimar (2026),, que nasceu do desejo de elevar o nível da própria arte, como conta o artista em entrevista à Noize. Antes mesmo do lançamento do disco antecessor, Pescoço Salgado (2024), ele tentava aprovação em editais para viabilizar o terceiro disco, o que deu um norte à sua criação.
“É muito interessante isso de tentar edital, porque você pensa no conceito antes de criar o álbum. Isso eu nunca tinha feito antes,” explica o artista. “Antes de lançar o Pescoço Salgado, eu comecei a compor sobre esse álbum. Então, foi um processo conceitual.”
Como compositor, ter um tema para nortear suas criações foi um prato cheio. E, no terceiro álbum, ele mergulha de vez no brega e se assume como um cantor do estilo a partir de um rótulo que veio do público.
“Eu não tinha me entendido como cantor de brega porque, na Bahia, quando se fala em brega, fala-se de um espectro muito amplo. E é esse brega que me conecta, porque não é o brega paraense ou recifense, que são gêneros musicais concretos.”
Deusimar é o resultado do encontro do que é o brega com a identidade brasileira. Totô pensou no humor, na maneira como os brasileiros usam as redes sociais para se comunicar. A pesquisa também o levou à feiras, botecos, festas e outros lugares onde pudesse se inspirar.
“Eu sou um artista real,” explica Totô sobre a inspiração que foi buscar nos elementos cotidianos. “Não sei cantar sobre o que eu não vivo.”
Um marco desse momento foi o encontro com O Labirinto da Solidão (1950), livro escrito pelo poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz. Na obra, o escritor se debruça sobre a identidade do povo mexicano relacionando-a a um profundo sentimento de solidão e silêncio .´
“Nesse livro ele fala que um dos pilares da identidade latino-americana é a solidão. Ah, menino, aí eu vi que desde a nossa colonização a gente foi abandonando. Foi um babado. Mas eu queria falar sobre solidão e esse brega.”

Romântico? Nem tanto…
Durante o processo de produção de Deusimar Totô mergulhou em inspirações como Fagner — que ele referencia na faixa “Bituca” — Leandro & Leonardo, que inspiraram “Macho Man”, e Vitinho Imperador, por exemplo. O músico, no entanto, não considera o disco romântico, já que ele se baseia no viés da solidão para as músicas.
“Não sei se é um álbum tão romântico quanto os meus outros. Acho que, até na música mais romântica, eu estou sozinho ali. Então, vejo que este pode ser um brega mais lento, mas não usaria a palavra ‘romântico’. Acho que esse sou eu embarcando na solitude, abraçando e curtindo ela.”
Para selecionar as canções do álbum, dentre cerca de 300 músicas compostas, Totô usou as mais diversas e que tivessem refrões que grudassem na mente dos ouvintes, sempre se baseando num brega mais lento. “Já fui esse louco apaixonado no segundo álbum, neste terceiro, queria ser mais mais diretão,” explica.
Na construção da identidade sonora, Totô contou com as produções de RDD — com quem já trabalhou em canções como “Caipirinha de Mião” e “Morar Com Vc” —e João Mansur, com quem colabora também desde o início da carreira, na produção.
“Eu tenho muita afinidade com o RDD. Desde o início, acho que minha composição com o groove dele é uma combinação muito, muito legal. O João, é um dos músicos mais talentosos que eu conheço. Ele explora uma sonoridade muito diferente do que se faz no Brasil hoje,” explica sobre a seleção dos artistas para integrar o álbum.
Totô também conta com as colaborações das cantoras Malu na canção "Piseiro dos Abandonados" e LEOA em "Me Ama na Crise", além do duo Margaridas na faixa “E Aí, Me Conta Mais”. Para ele, o ideal é fazer parcerias com pessoas com quem tenha uma conexão genuína.
O show
A estreia de Deusimar nos palcos aconteceu na noite de lançamento. Agora o músico percorre o Brasil com um show que conta com a direção de Valéria Assunção [veja a agenda aqui]. O músico, apaixonado pelo palco, descreve a experiência de se apresentar como uma troca com o público.
“Se a troca for boa, se você se sentir conectado com o público é fácil, se não é um pouco mais complexo, porque é uma troca de energia,” explica o músico, que move públicos apaixonados cantando a solidão.




