
Você pode ter o toca-discos mais avançado do mercado, mas sem uma agulha adequada ou em boas condições, não terá a qualidade de som desejada. Afinal, é essa minúscula peça que percorre os sulcos do vinil e capta as informações que serão transformadas em música.
Escolher o modelo certo e manter a agulha em boas condições, portanto, é fundamental para preservar tanto a qualidade da reprodução quanto os próprios discos, mas isso nem sempre é tarefa fácil.
Pensando nisso, a Noize conversou com Arthur Joly, produtor musical da Reco-Master, para saber as diferenças entre os modelos, entender os cuidados necessários e pegar dicas de como cuidar da sua agulha.
Quais são os tipos de agulha?
Segundo Joly, existem diversos modelos, mas três formatos principais ajudam a entender as diferenças: o esférico, o elíptico e perfis mais avançados, voltados à audiofilia.
A ponta esférica (ou cônica) é a mais comum e atende boa parte dos ouvintes. Já a elíptica (oval), por ter um formato mais alongado, consegue acompanhar com mais precisão as informações presentes nos sulcos, principalmente as frequências mais altas.
Na prática, a principal diferença entre elas aparece justamente na definição dos agudos.
“A agulha mais ‘audiófila’, por exemplo, parece uma agulha de corte: é quase pontuda nas extremidades, então é esse alongamento que vai fazê-la vibrar em sulcos mais estreitos, que são esses mais agudos. A agulha esférica, embora atenda o público padrão, já não entra totalmente nessas ondas agudas”, explica.
Quando é hora de trocar?
Distorções que não estavam presentes antes, perda de definição e discos que começam a pular podem ser sinais de que a agulha precisa ser substituída.
“Quando você vê que está tudo muito distorcido ou está pulando, pode ser que a agulha precise ser trocada, pois o desgaste faz com que ela não mais alcance certos sulcos”, afirma Joly.
Não existe, porém, uma vida útil exata para todas as agulhas. O desgaste depende do modelo, das condições de uso e dos cuidados do proprietário. Vale lembrar que aqui, Joly, se refere especificamente à ponta de diamante.
“Tem a cápsula, que envolve a agulha, e tem o shank, que conecta a cápsula à ponta em si. Esse conjunto todo é popularmente chamado de agulha. Mas a agulha propriamente dita, que é uma pontinha de diamante, não é algo que se desgasta facilmente, se bem cuidada”.
Uma ponta de diamante, portanto, pode durar bastante quando utilizada corretamente, mas sujeira, discos danificados e manuseio inadequado podem reduzir sua durabilidade.
“Estamos falando de um mineral fortíssimo em uma superfície de plástico, então, em geral, a agulha pode levar milhares de horas de reprodução para desgastar. Mas se você ficar manuseando, se você colocar discos com sujeira, passar a agulha de um lado para o outro, na transversal, isso vai acabar acelerando esse processo”.
Uma agulha danificada também pode prejudicar o disco. Joly relata já ter encontrado casos em que a ponta de mineral havia se perdido e o metal da cápsula passou a entrar em contato diretamente com o vinil, provocando fissuras.
Como cuidar da agulha?
O principal cuidado é evitar o acúmulo de poeira e manusear a peça com delicadeza.
Joly recomenda limpar a ponta com cuidado, utilizando cotonete com álcool isopropílico:
“Sempre fazendo o movimento no sentido do disco, nunca lateralmente”.
Mais do que isso, é fundamental manter a limpeza dos próprios discos.
“É muito mais comum o disco destruído estragar a agulha do que a agulha destruir o disco”.
Como comprar uma agulha nova?
Antes de comprar uma substituta, é preciso identificar o modelo da cápsula instalada no seu toca-discos. É ela que determina quais agulhas são compatíveis.
“Cápsulas Ortofon, por exemplo, só aceitam agulhas Ortofon, assim como as Shure. Então a primeira coisa é identificar o seu modelo”
Feita essa checagem, é possível procurar a agulha desejada em marketplaces na internet ou em lojas especializadas como a Casa do Toca Discos, na Galeria Nova Barão, em São Paulo.
Joly também ressalta que a agulha não deve ser analisada isoladamente. Cápsula, toca-discos, pré-amplificador, amplificador e caixas de som precisam formar um conjunto equilibrado.
“Existem centenas de agulhas com diferentes curvas de frequência: algumas de audição mais fiéis, outras de audição mais caseira…Mas se você compra uma cápsula maravilhosa para um toca-disco horroroso, é tão ruim quanto comprar um toca-disco maravilhoso e usar uma cápsula horrorosa.”







