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Do mosh ao clima soturno, Viagra Boys e Interpol aquecem público para o Lollapalooza 2026


Por:

Damy Coelho

Fotos: João Rocha/Glumy Music

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Na noite de quinta-feira (19), Viagra Boys e Interpol se apresentaram em um sideshow do Lollapalooza Brasil na Audio, em São Paulo, reunindo fãs em um dos eventos paralelos mais aguardados da semana — e com ingressos esgotados. 

Os suecos do Viagra Boys foram os responsáveis por abrir os trabalhos. Com o cancelamento do grupo no Primavera Sound 2022, estava todo mundo ansioso para finalmente ver ao vivo Sebastian Murphy (vocal), Linus Hillborg (guitarra), Elias Jungqvist (teclados), Henrik “Benke” Höckert (baixo), Tor Sjödén (bateria) e Oskar Carls (guitarra-saxofone). Os fãs que já acompanhavam os shows pelo YouTube já sabiam o que esperar: uma mistura de garage-pós-punk-hardcore e muita energia caótica no palco.

As pessoas já se amontoavam na pista quando as luzes baixaram ao som de uma imprevisível “Água de Beber”, de Tom Jobim, enquanto o público entoava “Viagra!, Viagra!”. Era o clima perfeito. Logo, os suecos subiram ao palco para mandar a primeira da noite, “Man Made Of Meat”, single do viagr aboys (2025), álbum que alavancou ainda mais a carreira da banda formada em Estocolmo dez anos antes.

As letras da banda denunciam com ironia o status quo, seja da sociedade, da masculinidade tóxica ou da política. Já o repertório do show foi pautado no último disco, mas também rolaram faixas do Street Worms (2018), Welfare Jazz (2021) e Cave World (2022). O melhor ficou para a reta final, com a energética “Sports” rolando enquanto Sebastian mandava uma flexão no palco. A letra, impagável, exalta esportes como vôlei, basquete, fazer compras online e fumar um cigarro.  

Como se vê, o Viagra Boys está distante de qualquer previsibilidade. Sebastian quase sempre aparece sem camisa, exibindo a barriga tatuada e óculos de surfista — suas marcas registradas. O guitarrista também assume o sax e performa com a entrega de uma diva pop: dança com as mãos pro alto, rebola e se joga no chão com o instrumento. Aliás, quantas vezes você viu um mosh durante um solo de sax? O show do Viagra Boys te entrega isso.  

O público, aliás, foi um capítulo à parte, completamente entregue à energia e ao carisma do grupo. Era possível ver rodas de mosh de homens e mulheres e muito stage dive — inclusive dos integrantes (voltaremos a essa parte mais tarde). Sebastian foi certeiro nos momentos em que conversou com o público: gritou “fuck the fascists” enquanto Benke empunhava o baixo com os mesmos dizeres. Ele ainda emendou um "Free Palestine" enquanto o público vibrava.

Em outro momento, o vocalista deu uma palinha de suas primeiras horas no Brasil: afirmou não ter tomado tantas cervejas, mas não perdeu a oportunidade de mandar 4 caipirinhas (inclusive, foi flagrado por fãs num boteco em frente ao show). Sebastian ainda exaltou o pão de queijo como a melhor coisa que já comeu na vida (e olha que ele estava em São Paulo). 

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O frontman ainda encontrou espaço para se jogar no público (literalmente. Duas vezes). No fim, até o tecladista entrou na onda e se jogou no stage dive também — por pouco, não levou sua keytar junto. Era tanto caos no palco que a gente não sabia para onde olhar. O público saiu do show em êxtase.

A estrutura da Audio permite um show mais quente e próximo do público que saiu de casa naquela noite exclusivamente para ver as duas bandas. Mas, como visto, não dá para esperar pouco do Viagra Boys. Seguimos com expectativas altas até o festival.

Turn on the lights

Mas a noite não terminava ali. O mesmo público que moshou como se não houvesse um Lollapalooza pela frente ainda aguardava o Interpol. A banda mantém um público cativo no Brasil desde sua primeira passagem pelo país, em 2008, e seu pós-punk soturno cheio de lirismo já virou figurinha carimbada no festival.

Responsável por encerrar a noite, o Interpol tinha a difícil missão de suceder o caos do Viagra Boys — e conseguiu, à sua maneira. O público seguiu entregue, mas em outra vibe: atento a cada movimento de Paul Banks, ao carisma de Daniel Kessler e à precisão de Urian Hackney, baterista que substitui Sam Fogarino nas turnês enquanto o músico se recupera de um tratamento de saúde. A bateria de Urian, da escolha punk de quem já tocou com nomes como Iggy Pop, se fazia ecoar na Audio.

O palco minimalista do primeiro show deu lugar à estrutura de luzes do Interpol, já vista no Primavera Sound 2022. Paul Banks surgiu com os cabelos platinados (!) e abriu com “All the Rage Back Home”, de El Pintor (2014). Como em apresentações recentes, o repertório de Antics (2004) teve destaque, com “C’mere”, “Evil” e “Narc”, seguido por faixas de Our Love to Admire (2007) e da estreia Turn On the Bright Lights (2002).

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Durante as músicas deste último, as luzes vermelhas dominavam o palco, remetendo à icônica capa do disco. O público — em sua maioria, millennials de preto — reagia com familiaridade, inclusive ao verso “you should be in my space”, de “Narc” (hoje uma referência nostálgica, uma espécie de piada interna a uma rede social que não existe mais).

Colocar as duas bandas juntas poderia ser uma jogada de risco — caos e contenção, yin e yang —, mas, no fim, funcionou. Boa parte do público era a mesma, dessas combinações que só fazem sentido para fas de rock alternativo que vivem nos trópicos.

Agora é esperar o “valendo” das duas bandas no festival, com a certeza de que veremos outros bons shows na noite desta sexta (20/3).

Por:

Damy Coelho

Fotos: João Rocha/Glumy Music

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