
Lançado em junho de 2025, AFIM é o segundo disco solo de Zé Ibarra. Neste trabalho, o compositor carioca se distancia da voz e do violão no estado solitário, que marca a sonoridade da sua estreia, Marquês, 256. (2023).
Desta vez, o músico decide ampliar o horizonte com arranjos, texturas e versos que cutucam, afagam e provocam. Se antes a introspecção guiava a arquitetura das canções, agora ele chega mais presente, mais luminoso e mais pop, tanto na forma de produzir, quanto na maneira de usar a própria voz.
A banda também contribui com a sonoridade do trabalho, pois é composta pelos músicos Lucas Nunes (órgão) – co-produtor do álbum – , Alberto Continentino (baixo), Daniel Conceição (percussão e bateria), Thomas Harres (bateria e percussão), Rodrigo Pacato (percussão), Chico Lira (rhodes) e Guilherme Lirio (guitarra). Há também os sopros do Copacabana Horns, formado por Diogo Gomes (trompete), Marlon Sete (trombone) e Jorge Continentino (sax e flauta).
Listamos cinco curiosidades e motivos pelos quais você não pode perder este lançamento. Confira tudo o que você precisa saber sobre o disco de Zé Ibarra.
1. Diferentes tipos de amar
O tema central do álbum é o amor, não só o romântico, mas também o amor pela vida, pelo movimento e pela música. No disco, “afim” deixa de significar apenas “afim de você” e passa a expressar “afim de estar vivo”. O título foi retirado da faixa “Essa Confusão”, presente originalmente no álbum PIQUE (2024), de Dora Morelenbaum. A letra explora a batalha interna de amar alguém: “Enquanto essa confusão/Não morrer, enfim/Eu insisto/Quero te fazer ficar afim”.
Zé Ibarra aborda temas como androginia em “Da Menor Importância”, faixa inicialmente apresentada no primeiro disco solo de Maria Beraldo, Cavala (2018) – (“Enquanto eu não ouço sua voz/Eu não sei dizer se é um homem/Ou uma mulher).
Já em “Hexagrama 28”, letra de Sophia Chablau, brinca com as ambiguidades do amor: “Moro na porta da minha paixão pela vida/E essa música não tem nada a ver com amor.
2. Mosaico de referências
Como produtor musical, Zé Ibarra se guia em obras que o formaram musicalmente, além de recorrer a letras “emprestadas”. “Tive vontade de expandir o meu universo subjetivo, pegar emprestadas as vozes dos outros e transformá-las a partir da minha própria voz, amplificando aquele discurso e aquele universo de composição”, afirma.
As referências que atravessam o disco vão da MPB ao jazz, passando pelo pop e pela música experimental. Entre elas estão Super Trouper (1980), do Abba, Suite Bergamasque (1905), de Claude Debussy, e trabalhos mais recentes como RELA (2024), de Negro Leo, e Igor (2019), de Tyler, the Creator.
3. MPB Pop
No disco anterior, Marquês, 256. (2023), o artista seguiu o caminho mais clássico da MPB, com uma sonoridade acústica. Já neste, conta com um time de músicos que o ajudaram a materializar e criar novas ideias, arranjos mais encorpados e um som que dialoga com suas referências.
Além disso, o músico define AFIM como um trabalho que busca conexão: “Eu quero me comunicar. Quero que a minha música seja pop de alguma forma. Pop no seguinte sentido, algo que sai de um comunicador e entra em um receptor, realizando um processo para que seja compreensível e sensível”.
4. Carioca da gema
Para além das referências sonoras, sua própria vivência também faz parte de seu segundo disco. Carioca, nascido e criado no Rio de Janeiro, Zé Ibarra traz consigo um clima luminoso e ensolarado.
“Sou debochado, entendeu? Sou carioca. No AFIM, eu precisava mostrar isso. Estava sendo muito difícil subir no palco para performar algo que as pessoas queriam ver. Eu queria quebrar essa imagem”, lembra o compositor.
5. Sentimentos à flor da pele
O processo criativo do trabalho não foi simples. “Fiquei inseguro, tive muito medo, quase não lancei. Regravei muitas vezes as faixas. Um dia, o Chico Lira (pianista do disco) me chamou e falou: ‘Não deixe ninguém te convencer que você está maluco. Se precisar apagar mil vezes, apaga, mas faz o que você acredita’. Eu quase chorei”, lembra o músico.
A faixa “Transe”, indicada ao Grammy Latino na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa, concentra boa parte do espírito do álbum. Considerada por ele a música-tese do disco, foi também a primeira vez em que Zé abordou temas como loucura, paranoia e angústia em sua discografia. “Esse é um amor traumático, problemático, do nosso tempo. A faixa relata um ghosting, uma pessoa que vai embora sem explicações, e mistura tudo que a gente vive como amor no século XXI”, pontua o músico.








