
É baseado no poder da noite, na energia das pistas e nas fases da lua que Budah apresentou aos fãs o segundo álbum de estúdio, FREQUÊNCIA LUNAR (2026), em maio deste ano. Se Púrpura (2022) foi o trabalho fundamental de autoconhecimento na música, o novo projeto chega apresentando uma artista mais livre, dona de si e confortável em ocupar os espaços que conquistou. Essa nova faceta se reflete em colaborações estratégicas e em uma direção musical que, mesmo cercada por treze produtores, mantém a identidade confessional da artista.
Em entrevista à Noize, Budah resume a virada de chave para este álbum: “Trouxe comigo a honestidade nas letras e o desejo de fazer música que realmente me represente, agora com um propósito ainda mais forte, pois entendi o meu lugar e o que represento para muita gente. O que deixei para trás foi o medo: de arriscar, de me posicionar pro mundo e de experimentar sonoridades diferentes.”
A disposição para o risco se manifesta especialmente na curadoria de participações inéditas. Um exemplo claro é a parceria com Pabllo Vittar em “Vampira”, que trouxe uma vibe mais soturna ao disco. “Foi uma música muito especial de fazer porque eu pude entrar em outro universo junto da Pabllo, que é uma artista gigantesca. Quando ela topou participar do álbum, eu apresentei algumas possibilidades, mas ela quis justamente entrar nesse meu universo mais noturno, que é o drill", resume Budah. O disco ainda conta com feats de Iza em “SALTO 15”, além de Tasha & Tracie, Duquesa, Ajuliacosta, Vita e Franco, The Sir!.
“Tem músicas que nasceram já com a pessoa na minha cabeça. Outras conexões aconteceram de forma muito especial. A Pabllo, por exemplo, acabou escolhendo entrar em ‘VAMPIRA’, e eu amei porque ela se jogou no drill, que é muito do meu universo”, revela a artista.
“Neste disco, trouxe honestidade nas letras e a vontade de fazer música que realmente me representa, agora com um propósito mais forte. O que deixei para trás foi o medo. Medo de arriscar, de me posicionar pro mundo, de experimentar sonoridades diferentes”.
Conexões musicais
O mergulho em FREQUÊNCIA LUNAR não termina nos fones de ouvido. Budah prepara uma experiência imersiva para sua nova turnê, que estreia dia 22 de agosto no Cine Joia, em São Paulo, e culmina em uma apresentação inédita no Palco Espaço Favela do Rock in Rio 2026, no dia 6 de setembro.
“O Rock in Rio é um sonho que tenho desde menina. Estamos preparando novos arranjos, banda ao vivo e um balé que está maravilhoso. Quero que as pessoas dancem, se emocionem e se joguem comigo nessa frequência”, finaliza a artista.
Acompanhe Frequência Lunar faixa a faixa:
“SUA FAVORITA” (feat. AJULIACOSTA e FRANCO, THE SIR!): abre o álbum contando muito sobre a minha trajetória saindo de Vitória e vindo para São Paulo atrás do meu sonho. É uma música que fala sobre esse processo de me encontrar aqui, construir conexões, fazer amigos e entender o espaço que eu ocupo hoje dentro da música. Ao mesmo tempo, ela também fala sobre autoestima e sobre como eu enxergo a minha importância para as pessoas que me escutam, principalmente para as meninas que acompanham meu trabalho. Eu queria começar o álbum exatamente com essa sensação de afirmação e pertencimento.
“C’EST LA VIE”: Essa já chega trazendo uma outra energia para o álbum! É um trap muito pra cima, produzido pelo FRANCO, THE SIR!, que também compôs essa comigo, e fala muito sobre conquista, sobre sonhar grande e sobre viver aquilo que um dia parecia distante. Eu gosto de pensar nela como uma música para a pessoa se divertir, pra ouvir se arrumando, se sentindo bonita, poderosa, acreditando que também pode conquistar tudo o que deseja. É uma faixa muito sobre visualizar um futuro cheio de vitória e realmente viver isso.
“VAMPIRA” (feat. PABLLO VITTAR): A letra fala sobre um amor proibido, trazendo toda essa estética da lua, da noite e dessa intensidade emocional. É quase como contar a história de uma vampira vivendo um romance que ela sabe que não deveria acontecer, mas que é impossível evitar.
“SALTO 15” (feat. IZA): representa muito poder para mim. Ter a IZA nessa faixa é muito importante e simbólico porque ela sempre foi uma referência gigante na minha vida, tanto como artista quanto como mulher. Uma pessoa inspiradora, de quem eu sou muito fã também. E eu acho que a música acompanha exatamente essa nossa força juntas. Ela é sexy, envolvente, dançante e tem uma energia que toma conta do ambiente quando começa a tocar. É aquela música que você simplesmente não consegue ouvir parado!
“SKIN AFROPATY”: foi feita pensando muito nas meninas negras que me escutam, sonham junto e caminham comigo. Eu queria criar uma faixa que tivesse representatividade, mas também muita energia, uma música para ouvir no carro, na festa, se arrumando, se divertindo. Sonoramente ela traz um Afro House muito forte esteticamente para o álbum, muito vibrante, e eu queria justamente que ela carregasse essa sensação de liberdade, movimento e autoestima. Acho que ela traduz muito essa ideia de celebrar quem a gente é.
“INTUIÇÃO”: já leva o álbum para um lugar mais introspectivo. Ela funciona quase como uma discussão no relacionamento, aquele momento em que você percebe coisas que não consegue mais ignorar. A música fala muito sobre confiar na própria intuição e entender que a gente não precisa aceitar qualquer situação só para permanecer em uma relação. Eu vejo ela como uma música sobre poder e limites, força emocional e consciência do próprio valor.
“QUEM VOCÊ ESCOLHE?”: mistura muito duas coisas que eu amo fazer: rimar e cantar. Eu gosto muito de trabalhar melodia e rap ao mesmo tempo, e essa faixa representa bastante isso, posso dizer que é o meu lugar de conforto, de canto e de fala. Ela funciona como uma conversa intensa entre duas pessoas para se chegar a uma decisão, sobre não aceitar migalhas, não aceitar dúvidas e não aceitar menos do que merecemos. Tem um beat pesado, rimas mais afiadas e uma energia bem forte.

“VIDA DE ARTISTA” (feat. TASHA & TRACIE): nasceu pensando na entrada da Tasha & Tracie porque eu queria mergulhar nessa onda de glamour que elas representam tão bem. A faixa fala de como é legal a gente poder frequentar lugares que a gente nunca imaginou que a gente poderia estar, é sobre os bastidores, hotéis, festas, drinks, camarim, tudo aquilo que faz parte da vida artística e que um dia parecia muito distante. Mas ela também fala sobre ocupar esses espaços com confiança, estilo e personalidade. É uma música muito pra cima, envolvente, muito forte de beat e atitude, e as rimas afiadas das meninas mostrando que elas estão ali sendo poderosas também.
“NOVO VOO”: é uma música mais introspectiva, que aborda muito sobre transformação. Ela fala sobre amadurecimento, sobre deixar para trás versões antigas e entender que hoje você é uma mulher diferente, mais forte, mais consciente e que não aceita qualquer coisa. Acho que ela entra nesse lugar de reconhecer a própria evolução e entender que, depois de tudo o que foi vivido, algumas coisas simplesmente não cabem mais.
“VIP (ninguém te conhece)” (feat. DUQUESA): era uma parceria muito esperada tanto por mim quanto pela Duquesa, e eu acho que o público também sentia isso, os fãs pediam! Quando eu mostrei a música para ela, ela se conectou imediatamente, eu já via ela cantando essa música comigo. E ela chegou com aquela potência toda né. Uma artista que eu sou muito fã, que é muito preocupada com a arte dela e eu admiro muito isso. A faixa é um R&B, uma sonoridade que eu queria muito ver a gente juntas, e fala muito sobre entender o próprio valor e não aceitar homens que se aproximam só por interesse ou para tirar vantagem. Eu acho que nós duas carregamos muito essa postura de saber exatamente quem somos e o que merecemos, e isso aparece muito forte na música, essa é a mensagem que queremos passar pra quem escuta.
“SUBMUNDO” (feat. VITA): talvez seja uma das músicas em que eu mais me arrisquei sonoramente no álbum. Eu quis explorar um beat e um universo diferente, e trazer a VITA foi essencial para isso porque ela tem exatamente a energia que essa faixa precisava. Eu sou muito fã dela, acho que ela faz um ótimo trabalho musicalmente, escrevendo, cantando, compondo, a performance dela também é muito boa. A música tem uma energia noturna, de festa, fala muito sobre o que a noite desperta nas pessoas, como tudo muda quando o sol se põe e como a gente entra quase em outra frequência emocional durante a madrugada.
“QUEBREI SUA CASA”: é uma música pesadíssima né, muito intensa emocionalmente. Ela funciona como uma ligação de uma mina que está no limite e resolve listar pro cara tudo aquilo que fez ela chegar nesse ponto, quebrar a casa do cara. É uma música sobre limite de relação, esgotamento emocional, sobre parar de carregar alguém nas costas e entender que não é responsabilidade nossa ensinar ninguém a ser melhor, pois essa mulher também não foi ensinada, ela aprendeu com a vida. E uma música que as frases têm poder de mudança. Eu queria muito trazer essa sensação de ruptura e também de força para as meninas que estão escutando.
“MEU CRIME É EXISTIR”: é uma música que fala sobre racismo, fala do que a gente vê acontecendo, não só no Brasil, mas no mundo, as situações que uma pessoa preta passa, independente dos lugares que você estiver ocupando, o mundo sempre vai te lembrar que você é uma pessoa preta. Não interessa se você é rico, se você ocupa lugares que as pessoas não imaginavam que você ocupava, e sempre que você chega nesses lugares que são um pouco mais de classe alta ou de pessoas poderosas e ricas, você sempre vai ser uma pessoa preta e o mundo não deixa você esquecer disso. Então nessa música eu relato exatamente como eu me sinto e as situações que eu já passei por ser uma mulher negra no mundo.
“PONTO MAIS ALTO”: fecha o álbum de uma forma muito emocional para mim, o beat é bem emocionante. É uma letra que me leva de volta pra casa, pra Vitória (ES), para tudo aquilo que eu vivi antes da música e para todas as coisas que precisei deixar para trás para seguir esse sonho, mudar de Estado, os obstáculos da carreira, etc. A gente trouxe violinos tocados por músicos ao vivo no estúdio justamente para aumentar ainda mais essa emoção que a faixa já carregava. E assim, tudo bem as pessoas que quiseram ir embora ou que não quiseram enfrentar isso, a mensagem é que eu vou lutar pelo meu sonho e quem quiser chegar junto comigo vai estar. É uma música bem linda e nada mais simbólico do que ela finalizar o álbum, acho que eu tinha que contar essa história.






