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“Crescer é muito brutal”: Luísa Sonza explica nova era de “Brutal Paraíso”


Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação

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No dia 11 de abril, Luísa Sonza subiu ao palco do festival Coachella pela primeira vez – e escolheu justamente esse momento para estrear nos palcos o repertório de Brutal Paraíso, álbum lançado poucos dias antes, em 7/4. Estrear um projeto em um dos maiores festivais do mundo é um risco, mas Luísa construiu uma trajetória que sustenta esse salto.

“Há alguns anos, eu cantava no YouTube e numa banda de casamento em uma cidade pequena. Cantar no palco do Coachella parecia e era algo distante, mas não impossível pra mim”, escreveu no Instagram.

Isso se justifica na própria trajetória da artista: desde as bandas de baile com quem cantava, ainda criança, no interior do Rio Grande do Sul até os vídeos gravados com violão no quarto de adolescente em Tuparendi, cantar sempre foi um projeto de vida, um sonho a ser realizado.

O sonho veio, mas não sem renúncias. Ao entrar na vida adulta, Luísa passou a lidar com uma exposição intensa, com relacionamentos e polêmicas acompanhados de perto pelo público — um processo que atravessou diretamente seu amadurecimento. 

“Ninguém mais passa a mão na sua cabeça, você já não é ‘tão nova’ assim”, diz ela sobre se ver uma mulher adulta.“E tem uma diferença clara aí, né? Homem de 40, 50 anos ainda é visto como ‘menino’, mas a mulher, não. Vem também um certo medo do descarte. A gente passa por muita coisa”, diz ela, em entrevista à Noize.

Em um momento da videochamada, Luísa explica que está tomando um chá para aliviar a cólica, que estava atacando naquele momento. "Você é mulher, você vai entender", diz. Esse acabou sendo mote da nossa conversa: a dificuldade em ser mulher na indústria musical, a pressão pelo amadurecimento rápido, a falta de encorajamento para compor. 

"Comecei a criar coragem para escrever sozinha a partir de Escândalo Íntimo (2024)", ela conta. 'Muitas cantoras que escrevem não são validadas como compositoras logo de cara, perguntam 'será que ela compõe mesmo?'. Eu tinha muita insegurança, medo de não ser boa. Com o tempo, você vai se arriscando", comenta.

Para Luísa, Brutal Paraíso é justamente sobre isso: amadurecer e viver o risco. “Crescer é muito brutal. Acho que vivi algumas transformações. E, nesse processo, parei de acreditar em muita coisa que antes acreditava profundamente. Desfiz um pouco aquela ideia de ‘faça o bem que você vai colher o bem’, sabe?”.

Luísa leva a sério todas as eras nas quais mergulha. Para ela, lançar um disco é um processo de transformação, uma nova oportunidade para sair do casulo. Foi assim com a estreia Pandora (2019), misturando pop, música romântica e R&B; passando por Doce 22 (2021), quando se consolida como uma performer pop, atravessada por estilos brasileiríssimos como o funk e o sertanejo, e Escândalo Íntimo, que vai do funk ao pop rock, incluindo hits como “Chico”, “Penhasco2” (com Demi Lovato) e “Lança Menina”. 

Na sequência, vem a sua imersão em Bossa Sempre Nova (2026), com Roberto Menescal e Toquinho, até chegar ao universo “distrópoco” de Brutal Paraíso (2026). Os três últimos álbuns foram lançados em vinil pelo NRC+.

Da paisagem ao concreto

Com a faixa “Chico”, presente originalmente em Escândalo Íntimo, a cantora se aproximou da bossa nova – tanto que o estilo acabou inspirando algumas das músicas de Brutal Paraíso. Mas ela sentia que precisava dar um passo atrás antes de lançar o próximo álbum de inéditas. 

O universo criado para Brutal Paraíso precisava de um caminho que refletisse o paraíso em si, para ela, representado pela bossa nova. “Aí, no meio das gravações, resolvi fazer mais um álbum, que virou o Bossa Sempre Nova", revela. 

Maa, mesmo no disco de bossa nova, Luísa não ficou só a ver barquinhos no mar: dentre os clássicos que escolheu, decidiu começar o álbum por “Consolação”. Mais melancólica e densa, a faixa de Baden Powell e Vinicius de Moraes fala sobre amor sem poupar o sofrimento.

Por sua vez, o primeiro ato de Brutal Paraíso, “Fruto do Tempo”, é uma resposta direta à “Consolação”. Se Nara Leão cantava a hipótese – “e se não existisse o amor?” –, Luísa vem do futuro trazendo a resposta: “Agora, por fruto do tempo, já não existe amor”. Assim, Bossa Sempre Nova e Brutal Paraíso é mais que antítese, é continuidade. É a vida como ela é: cíclica. 

Ao longo de 23 faixas que passeiam pelo pop rock, bossa nova, funk e reggaeton, a cantora reflete sobre essas questões. “Brutal Paraíso é sobre parar de idealizar as coisas e ver o que de fato está à nossa frente. Eu acho que é como se fosse tirar essa venda dos olhos, sabe? Mas que tem seu paraíso também. Dentro disso, dá para aproveitar”.

A realização do sonho de viver de música se comprova em números: com 30 milhões de seguidores no Instagram e  cinco álbuns lançados, Luísa segue quebrando os próprios recordes: apenas uma hora após o lançamento de Brutal Paraíso (2026), já somava 1 milhão de streams no Spotify Brasil. 

Na faixa homônima que encerra o disco, dedicada à sobrinha, Luísa escreve: “Eu canto umas canções e tento inventar algo bom de vez em quando. Eu me esforço tanto”. No fim, foi desse esforço que seus sonhos se realizaram. Entre a realidade brutal e a ilusão perdida, ela constrói seu próprio paraíso.

Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação

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