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De pai para filho: Moskito Eletriko, loja de discos de vinil especializada em trilhas de videogames


Por:

Vitória Prates

Fotos: Acervo Pessoal

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O dia perfeito de Pedro Mergulhão, 12 anos, traz o pai, Fábio, comandando o toca-discos da família enquanto ele passa a tarde com os videogames favoritos. Dessa comunhão familiar, entre música e games, nasceu a Moskito Eletriko. 

Fundada em 2023, a loja é especializada em trilhas sonoras de videogames e clássicos da música eletrônica. Aos 53 anos, Fábio Mergulhão tem uma carreira consolidada no fotojornalismo e na publicidade. Já a Moskito Eletriko é, como ele mesmo diz, um hobby. “Um complemento muito rico da minha vivência. É a música mais perto da minha vida.”

“A trilha sonora é responsável pela imersão no jogo. A música é nossa vida, seja na pista de dança ou num momento tenso de um jogo. E quando você ouve isso no vinil, com toda a qualidade sonora, ela ganha outra dimensão”, conta Fábio, em entrevista a Noize

Juntos, pai e filho são responsáveis pela curadoria. O nome, inclusive, veio do nickname do filho nos jogos. Desde então, Pedro ajuda ativamente na curadoria do acervo — os discos são escolhidos a dedo. “Não buscamos um disco qualquer, mas sim um que tenha a ver com a gente", diz ele. 

Fábio brinca: “Ninguém sabe que a loja é do Fábio é do Moskito Eletriko”, Pedro não é o único gamer da família — o irmão mais novo, Antônio, de 9 anos, segue os mesmos passos e compartilha o nickname Pulga Eletrika. Entre os favoritos dos meninos, estão os jogos Minecraft, Limbo, Inside e Tony Hawk.

O acervo, ainda pequeno, é fruto de uma vida inteira conectada à música eletrônica e à cultura pop. “É uma loja que nasceu com conceito de verdade. Um pai e um filho conectados pela música”, explica Fábio. 

Das pistas para as telas 

De 1989 a 2009, Fábio registrou a cena eletrônica intensamente, sendo um dos pioneiros no registro da cultura techno no país. Ele fotografou DJ’s e acompanhou, de perto, a transformação do vinil para CD’s e depois os “sets com pen-drive”. 

Trabalhou na Ilustrada, da Folha de S. Paulo e na coluna da Érika Palomino, teve fotos publicadas em livros — como Todo Dj já Sambou e Babado Forte — e exposições. Depois, migrou para a publicidade, mas sem sair da música: foi diretor de criação de festivais como Rock in Rio e o Lollapalooza.

Pautado no som eletrônico, o acervo da Moskito Eletriko inclui Yellow Magic Orchestra, Joy Division, Daft Punk e Aphex Twin. Quando pergunto sobre a conexão entre os videogames e música eletrônica, Fábio não poupa exemplos.  

“A estrutura das músicas eletrônicas, de composição, é muito parecida com a dos games. Veja o Wipeout 2097, que tem Daft Punk, ou Tekken com drum n bass. O DJ Ken Ishii está na trilha sonora dos 40 anos de Pacman. A eletrônica está na alma dos jogos”.

Prontos para o próximo nível

Além dos discos, a loja também trabalha com itens colecionáveis. Mas com curadoria. “Não é comprar 50 Funkos Pop e colocar para vender”, brinca. O Interstella 5555, do Daft Punk, por exemplo, levou quatro meses para chegar — e esgotou em menos de sete minutos.

A qualidade orquestrada das trilhas, como as de Minecraft, Hollow Knight, The Last of Us e Arcane, encantam os Mergulhão. “É uma camada de imersão tão importante quanto a de um filme.”

E, falando em cinema, é outro espaço que estão explorando. No acervo, já estão disponíveis as trilhas sonoras do filme Trainspotting e da série Stranger Things, sucesso entre os mais jovens. “Minha geração passou pelo disco, fita cassete, mp3. Muitos se desfizeram dos discos, mas agora os mais novos começam também a ver valor no colecionismo e na mídia física”. 

A loja é jovem, mas cheia de planos. A Moskito Eletriko quer fincar seu espaço como referência em trilhas sonoras de videogames. Tudo isso sem perder o conceito original: um lugar de verdade, com história, de pai para filho. 

Por:

Vitória Prates

Fotos: Acervo Pessoal

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