Os mantras e os riffs de George Harrison, por Marcelo Gross

25/02/2015

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Revista NOIZE

Por: Revista NOIZE

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25/02/2015

Um enigma em forma de artista, esse era George Harrison. Hoje, aquele que já foi chamado de “o beatle quieto” completaria 72 anos de mantras e riffs. Em homenagem ao músico que fez de sua guitarra uma ponte entre o Oriente e o Ocidente, fomos trocar uma ideia com um dos seus maiores fãs, o guitarrista Marcelo Gross, da Cachorro Grande.

Quando ligamos, Gross estava ocupado com os preparativos do último show da turnê de verão que ele veio fazendo com sua carreira solo desde dezembro. Amanhã, o ciclo de shows de divulgação do seu disco Use o assento para flutuar (2013) se encerra no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo. Mas beatlemaníaco assumido que é, Gross encontrou um tempinho para lembrar do bom velho George. Veja o que ele nos contou:

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Marcelo Gross em ação (Foto: Ariel Fagundes)

Marcelo Gross em ação (Foto: Ariel Fagundes)

Iniciação ao George Harrison
Os Beatles entraram muito cedo na minha vida, eu devia ter uns oito anos de idade. E aí foi aquela coisa… Acho que a primeira música do George que eu aprendi a tocar foi “I Me Mine” quando eu era muito novo ainda, são uns acordes menores… E em seguida eu aprendi a tocar “While My Guitar Gently Weeps”. O George é muito especial, muito diferente de tudo, tem diversas fases dentro da carreira dele. No início, ele fazia bastante aquela mescla do rockabilly com o country que o Carl Perkins fazia, isso bem no começo dos Beatles. Depois do Jimi Hendrix, ele começou a fazer umas coisas com mais distorção, tipo naquela música “It’s All Too Much”. O engraçado é que só depois que os Beatles acabaram é que ele desenvolveu aquela técnica do slide dele. Nos Beatles, ele não apareceu tocando slide, mas depois isso se tornou uma característica do som do George Harrison. Aquela puxadinha do slide dele. No final, ele começou a tocar mais com guitarra Stratocaster, com um som mais limpinho… São bacanas essas diferenças. Eu me influenciei bastante por isso. Na Cachorro Grande, por exemplo, o solo de “Sinceramente” é baseado nesse trabalho que ele fazia com o slide.

Foto tirada por Marcelo Gross mostrando um pouco da sua coleção de discos. À frente, dois LPs dos Beatles.

Foto tirada por Marcelo Gross mostrando um pouco da sua coleção de discos. À frente, dois LPs dos Beatles.

Fase preferida
Eu gosto bastante do começo da carreira solo dele, a época do All Things Must Pass (1970). As músicas são maravilhosas, ele tinha tanta música boa pronta… Músicas que eram pra ter entrado nos Beatles, mas os Beatles acabaram antes e ele acabou fazendo elas na carreira solo com o Phil Spector produzindo, o Eric Clapton na banda… Gosto bastante dessa fase dele.


George guitarreiro
Eu vejo o George mais como um compositor e um artista completo do que como guitarrista propriamente dito. Mas ele tem um toque de fazer a nota certa com muito cuidado. Não dá ponto sem nó, toda nota que ele faz é muito bem estudada. É aquele feeling… feeling da puta, né! Ele bota mais sentimento do que muitos outros. Eu acho que essa é uma grande diferença.

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O Beatle quieto ou Beatle mudo?
Eu acho que os Beatles foram perfeitos, do jeito que foram. O fato de o George não estar tão presente no início se explica porque ele não compunha tanto no começo. Essa reclamação dele vem mais da segunda fase, quando ele começa a compor em grande quantidade, principalmente no fim da banda. Mas eu acho que ele sempre foi ouvido, sempre foi parte importante da parada. Embora as principais músicas sejam do John e do Paul, ele era ouvido nos arranjos. A questão é que no final ele começou a aparecer com muita música, cresceu bastante como artista e compositor. Aí sim, na fase em que eles começaram a fazer o Let It Be, eu acho uma pena eles não terem colocado mais músicas dele. As ideias dele sempre acabavam rolando… Apesar do Paul ter meio que um monopólio da parada, ele sempre ouvia o George. Mas no final ali, é uma pena. Eu ouço direto as gravações dos ensaios da fase do Let It Be, feitos em janeiro de 1969, e ali ele mostra várias músicas que foram aparecer depois no All Things Must Pass: “Let It Down”, “My Sweet Lord”… Várias músicas que os Beatles poderiam ter aproveitado, a própria “All Things Must Pass”. E a galera meio que não deu bola. O Abbey Road também poderia ter tido mais músicas dele. Eu acho que a carreira dos Beatles foi perfeita, mas no final eles poderiam ter ouvido mais o George mesmo.

George e Dylan

George Harrison e Bob Dylan juntos no Concert For Bangladesh, em 1971

Música que você queria ter feito
Ah, tem aquelas que todo mundo ama, tipo “Something”… As músicas dele são geniais, né. Mas eu gosto de uma em especial que ele escreveu com o Bob Dylan, que é “I’d Have You Anytime”. Eu acho ela de uma leveza, de uma sofisticação muito a frente do seu tempo. Acho bonita pra caramba, uma música bonita como uma pluma, e que a galera não comenta muito.

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25/02/2015

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