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Iuna Falcão se volta ao reggae em “Umami”, com feats de Jadsa e Curumin


Por:

Revista NOIZE

Fotos: Divulgação/Lucas Cordeiro

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Lançado em novembro, Umami (2025) leva Iuna Falcão de volta a São Luís, sua terra natal. Com participações internacionais e releitura de Mayra Andrade, Umami é o segundo álbum de Iuna, após a estreia com Transe (2023). 

O som passeia por uma mistura potente de rap, samba, bossa nova, afrobeat e soul, mas, em Umami, o reggae é o rei. O estilo, que dominou o topo das paradas brasileiras nos anos 2000, tem Natiruts, Maneva e Rappa como seus principais representantes. 

Produzido por Jordi Amorim e Lucas Cirillo, Umami ainda conta com participações de Sued Nunes, Jadsa — também compositora das faixas de “Uh, Mami!” e “Coração Melão” — Núbia, Anelis Assumpção, Curumin, e o multi-artista nigeriano, Cef Ashanta. 

O produtor, inclusive, participa da composição de seis das dez faixas — caso de “Feminina”, “Que Som”, “Umami”, “Telepatia”, “Lençois” e o interlúdio. “Escolhi a dedo as participações, porque queria que tivesse um senso emocional. Sou admiradora de todos”, diz Iuna.

Confira Umami faixa a faixa: 

“Convite: nasceu de um desejo que acontece na noite, no corpo e no instante. Quando começo dizendo que “sou como um espelho de nós dois refletindo a luz da lua”, estou falando da forma como me reconheço no outro. A lua ilumina essa conexão silenciosa, quase secreta, que existe antes mesmo do toque. 

A rua me chama, e eu atendo. A noite sempre me oferece esse convite, e eu deixo ela entrar em mim. Deixo que o movimento, o mistério e o desejo atravessem meus passos.  Existe uma urgência também. A sensação de que não temos muito tempo antes do sol nascer. A noite é curta, e o encontro precisa acontecer agora, enquanto tudo ainda pulsa, enquanto a cidade está respirando devagar. Um clima íntimo, quase confessional.

“Feminina”: nessa faixa, a voz de Cef ASHANTA dialoga com o universo de maneira orgânica, essa letra e a atmosfera da música evocam desejo, movimento, corpo e sensação, mas sem cair em clichê: há uma construção de “ser mulher” como potência, como presença sensível, forte e orgânica. Uma reivindicação da identidade feminina, reafirmando a mulher fora de estereótipos se reconectando com a noite. “Corpo de mola e marola, um coração radiola” é a imagem da minha própria natureza: intensa, dançante, guiada por um coração que pulsa pela música e pela vida.

“Que Som”: escrita por Lucas Cirillo dialoga com o reggae maranhense, mas também com uma estética contemporânea a produção mistura baixo, groove, atmosfera noturna, reverberações densas, evocando raízes e ao mesmo tempo sensações universais de desejo, dança e pertencimento. Tendo a voz da majestosa Célia Sampaio ecoando por toda a faixa, a primeira mulher a gravar um disco de reggae no Brasil.

“Uh, Mami!”: a faixa foi escrita por Jadsa e ganha vida na produção de Lucas Cirillo em parceria com Jordi Amorim. Ela serve como uma introdução para uma parte do disco em que o reggae está mais destacado. Em “Uh, Mami!”, quis brincar com a palavra Umami, deslocando-a do sabor para a sensação. É uma canção calorosa, que contempla dias e noites quentes, descreve o que seria um dia perfeito ao lado de uma boa companhia.

“Coração Melão”: essa faixa, também escrita por Jadsa, que divido com a incrível Nubia. A canção nasceu do impacto de um encontro profundo, daquele amor que chega como maré cheia e arrasta tudo no caminho. Me vejo com esse coração melão, fluido, doce, transparente, que sente demais. Não é rígido, frio ou contido. É corrente, que se abre, que se entrega, que pulsa com vida. É vivo.

“Umami”: nasceu de um desejo que vai além do corpo, é da alma e da imaginação também. Enquanto eu escrevia a canção com Sued Nunes, na casa onde passaríamos alguns dias de Réveillon, sentia que estávamos entrando em um território onde prazer, espiritualidade e natureza se entrelaçam sem pedir licença. E foi ali, enquanto ela comia uma manga com sal, que a música começou a tomar forma.

Quando digo “mergulho no fundo”, falo de camadas profundas de intimidade, um encontro que transcende. O “fogo da cachoeira” estou falando do jorro que nasce do fogo que existe no ápice do ato de fazer amor, mas não só isso, é também essa mistura impossível que só o desejo verdadeiro consegue criar: água e chama coexistindo, gerando mundos. 

Essa música também fala sobre movimento. Sobre me mover sinuosa, sobre dançar em volta do prazer do outro, sobre provocar, sobre acender. UMAMI é também um convite: para perceber, para experimentar, para mergulhar nos sentidos e na vida.

“Telepatia”: para mim a faixa funciona muito bem como um exercício de sensualidade, desejo e conexão emocional, uma canção que mistura corpo, espírito e música de forma fluida. A presença de Anelis Assumpção e Curumin traz uma riqueza de timbres e vozes que dialogam com a proposta de Umami de fundir tradição (reggae, dub) com contemporaneidade.

Essa mistura dá à faixa uma textura sonora densa e envolvente, uma vibração íntima entre pessoas que se entendem no silêncio, no olhar, no toque invisível. Isso se harmoniza com o clima noturno, de desejo e entrega presente no restante do álbum. O refrão é meu pedido de entrega: deixar o desejo guiar, deixar o corpo falar, deixar a vontade acontecer sem medo, aquela química que cresce sozinha.

“Lençois”: a letra evoca a intimidade do encontro, a sensação de entrega e desejo: estar “deitada em seus lençóis”, “morar no teu pensamento”, guardar “memórias de nós que ainda nem vivemos”. Há um convite ao tempo suspenso, ao abraço, à pele, à presença. Isso cria uma sensação de proximidade, vulnerabilidade e desejo que dialoga com o espírito sensual e afetivo do álbum.

Na segunda parte, faço uma alusão aos Lençois Maranhenses, conectando as sensações que a música desperta com a beleza e o mistério deste lugar. Quando falo sobre contemplar o silêncio e esquecer as palavras, estou descrevendo um tipo de conexão que não precisa ser explicada. É uma experiência de presença plena.

“Seu”: minha releitura de “Seu”, da Mayra Andrade, nasceu de um lugar muito íntimo. Sempre gostei muito pela forma como ela canta o amor com leveza, como se tocasse o sentimento com a ponta dos dedos. Quando decidi trazer “Seu” para o meu universo, a ideia não era copiar nada, era reencontrar a canção dentro de mim, deixar que ela respirasse no meu timbre, na minha cadência, no meu jeito de sentir. Já havia cantado em crioulo no meu primeiro disco TRANSE, e agora o faço novamente. No final, minha versão de “Seu” é isso: um encontro entre duas linguagens, duas formas de amar e de cantar. É a música dela passando pelo meu corpo e saindo diferente.

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Revista NOIZE

Fotos: Divulgação/Lucas Cordeiro

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