
Em 2016, ainda no início de carreira, a Lagum cantava um verso que na época era só uma projeção: "faço planos para agosto de 2026", na faixa "2026", do álbum de estreia Seja o Que Eu Quiser. Dez anos depois, o mês chegou e trouxe o anúncio da turnê "Lagum em Todo Lugar", produzida pela Live Nation para celebrar o legado da banda até então.
A turnê estreia em Belo Horizonte, cidade natal do grupo, e passa por mais seis cidades brasileiras entre 2026 e 2027 [saiba mais abaixo], percorrendo diferentes fases da carreira e dialogando com as live sessions que a banda vem gravando em lugares emblemáticos do país.
Formada em 2014, a Lagum nasceu quase por acaso: Pedro postou um vídeo tocando uma composição própria e recebeu um convite para se apresentar em uma casa de show. Para montar a banda, chamou os amigos de infância Otávio "Zani" e Francisco "Chico", além do guitarrista Jorge, hoje os quatro integrantes fixos do grupo.
O primeiro álbum, Seja o Que Eu Quiser, saiu em 2016, de forma independente. Foi em 2018, com a versão acústica de "Deixa", ao lado da cantora Ana Gabriela, que a banda ganhou projeção nacional e fechou contrato com a Sony Music.
Depois vieram os discos que consolidaram o nome do grupo no pop brasileiro: Coisas da Geração (2019), Memórias (De Onde Eu Nunca Fui) (2022) e Depois do Fim (2023), que, somados ao registro ao vivo LAGUM AO VIVO (2023), renderam três indicações ao Grammy Latino.
Em 2025, a banda voltou ao lançamento independente com As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo, seu quinto álbum, que rendeu sua melhor estreia em streaming e a chance de abrir o show do Imagine Dragons no Brasil. Agora, em 2026, a Lagum também abrirá os shows do Maroon 5 no país.
Com 12 anos de carreira, a banda vive hoje um momento de celebração. Foi nesse clima que a Noize conversou com os integrantes sobre os planos para "Lagum em Todo Lugar", os bastidores das live sessions e os próximos passos desse movimento.
Dez anos depois do primeiro álbum, vocês anunciam a turnê "Lagum em Todo Lugar". Me contem sobre esse projeto?
Pedro:
Quando lançamos o Seja o Que Eu Quiser, tinha uma música chamada "2026", em que falávamos sobre fazer planos pra agosto de 2026. Desde então, sempre nos perguntavam o que ia acontecer nessa data. O nome desses planos é Lagum em Todo Lugar.
Não é só uma turnê: são live sessions, como as que fizemos na Amazônia e no Bondinho, lançamento de música, de merchandising e a turnê em si. É um movimento pra habitar todos os lugares, levar nossa música e usar esses lugares como inspiração pro futuro. O conceito olha pra frente ao mesmo tempo que honra toda a história que construímos até aqui.
Sobre as live sessions, como foi viver isso?
Chico: Foi uma experiência incrível, e vai direto ao nome da nossa turnê. No Bondinho, mandar um som às cinco e meia da manhã é inacreditável. Depois disso, o lugar ficou ressignificado pra mim, antes era ponto turístico, agora é quase uma casa. Já a Amazônia veio com um caráter mais informativo e cultural, um lugar intacto e imponente.
Estivemos em Anavilhanas, de barco subindo de Manaus, e a energia de lá é forte, você não vê lixo, raramente vê um ser humano. Gravamos essa live sobre a imensidão do Rio Negro, num barco pilotado por Denilson, um garoto local de 21 anos que vivia numa casa flutuante. Já estivemos no Norte e no Sudeste, e tem mais uma live que ainda não podemos contar, mas fica aqui um pequeno spoiler [risos].

Recentemente, o Jorge falou em um vídeo que "o céu é o limite", mas pelo visto, nem o céu nem as águas. Teve session no Bondinho, anúncio em um balão e session na Amazônia. O que mais vem por aí? Podemos esperar outros cenários emblemáticos?
Zani: Podem esperar, sim, mas a gente não pode contar ainda. Se deixar, o Jorge já está querendo fazer uma session na Lua, ele deu essa ideia fantástica semana passada [risos]. Mas trouxemos as lives agora com essa ideia dos planos pra agosto de 2026, um olhar pra essa década de trabalho, revisitando o repertório e enxergando coisas novas.
Vocês estão trabalhando em material inédito pensando já em um sexto álbum, ou esse momento é mais sobre celebrar o que já foi construído? Podemos esperar algum feat nessa nova fase?
Jorge: Nesse momento não haverá feats, mas a maioria dos que fizemos aconteceu em momentos inesperados, então tudo pode acontecer. É um momento em que passamos a régua respeitando toda a nossa trajetória e damos uma nova roupagem àquilo que sentimos que é instigante pra arte.
Não é uma turnê de lançamento de álbum, é uma turnê que revisita as músicas, imagina novos arranjos e roupagens, e também contempla os lançamentos que ainda virão. Passamos muito tempo sem produzir um show do zero, e é isso que estamos fazendo agora, sempre deixando uma mensagem simples pra Lagum chegar em todo lugar e ser compreendida.
O primeiro show da turnê vai ser em BH, de volta aonde tudo começou. Isso foi proposital?
Zani: Foi proposital, sim. Começar em BH é muito legal porque faz parte dessa história que estamos contando nessa última década, com nossos fãs, nossas famílias. Pra nós faz muito sentido e dá aquela esquentadinha no coração de início de turnê. Foi uma decisão lúcida.
Pedro: Traz um conforto e uma segurança, e acho que fortalece a turnê também, que vai se estender por bastante tempo. Foi a escolha certa.
Vocês assinaram com uma gravadora e, recentemente, decidiram encerrar o contrato e voltar a ser independentes. O que fez vocês assumirem esse risco?
Chico: A trajetória toda. No início, éramos independentes, no primeiro álbum e em singles como "Não Vou Mentir" e "Bem Melhor". Naquela época entramos com a Sony, que trouxe uma noção mercadológica e investimento importantes, já que a gravadora fica com a parte maior do fonograma.
Mas depois de tudo que aprendemos, vimos que ser independente também é benéfico pro artista.
É um desafio, vieram muitas responsabilidades, mas depois de anos entendendo o meio da música, impostos e direito autoral, decidimos voltar a esse formato do início da banda. A Lagum gosta de abraçar o todo, e foi um abraço muito natural.
Uma coisa que reparo nas letras de vocês é esse olhar para o mundo: trazem reflexões sobre a grandiosidade das coisas, mas também prestam atenção aos detalhes do cotidiano, tipo o preço do pão de queijo. Essa dualidade entre macro e micro é planejada?
Pedro: Naturalmente. Gostaria de conseguir colocar melhor a intenção do que quero fazer, acho bonito e profissional, mas deixo isso natural. Às vezes vai ser macro, às vezes micro, às vezes uma música rápida, às vezes longa com um refrão que não se repete.
Nas vezes em que fizemos isso de forma mais planejada, como no Depois do Fim, em que decidimos "vamos fazer um álbum denso, só música triste". Agora, no As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo, a regra foi o oposto: "não quero música triste, só quero música feliz". Mas é nesse nível mais abrangente.
Após 10 anos de carreira, cinco álbuns, indicações e reconhecimentos importantes, qual é o grande sonho da Lagum que ainda não foi realizado? E se vocês pudessem escrever hoje um novo "2026", que verso colocariam sobre o futuro da banda?
Jorge: Acho que seria atingir essa altitude de voo, tipo quando você está num avião e não pode sair do lugar até atingir os 10 mil pés. Estamos nessa construção de chegar nesse patamar, em que o artista não é tão escravo de um mercado que exige que esteja sempre lançando, saindo em turnê. Vemos exemplos de artistas que atingiram essa altitude e conseguem lançar um trabalho, sair em turnê, sumir um pouco e colher os frutos. Pra gente é continuar trabalhando pra chegar lá, porque nesse mercado plantamos uma coisa e ela não floresce numa lógica comum, vem depois de anos, ou não vem, ou vem de um jeito inesperado, ou viraliza. Então seria: continue trabalhando e acreditando no processo, que os frutos virão.
Tour - Lagum Em Todo Lugar
Ingressos via site oficial
Belo Horizonte
Data: 17 de outubro de 2026 (sábado)
Local: Arena Hall
Abertura dos portões: 19h
Horário do show: 21h
Endereço: Av. Nossa Sra. do Carmo, 230 - Savassi, Belo Horizonte - MG
Rio de Janeiro
Data: 7 de novembro de 2026 (sábado)
Local: Qualistage
Abertura dos portões: 19h30
Horário do show: 21h30
Endereço: Av. Ayrton Senna, 3000 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ
Brasília
Data: 28 de novembro de 2026 (sábado)
Local: Teatro Ulysses Guimarães
Abertura dos portões: 19h
Horário do show: 21h
Endereço: SGAS I SGAS 913 - Asa Sul, Brasília - DF





