
Em março, Mochakk (alcunha de Pedro Luís Maia) anunciou que relançaria seu selo, MOTRAXX. A volta da gravadora marca um novo capítulo na trajetória do músico e, ao mesmo tempo, acende um holofote potente sobre a cena eletrônica brasileira contemporânea.
Com planos que incluem lançamentos em vinil ainda este ano, a label reaparece com ambição clara: funcionar como plataforma de circulação global para artistas que já vêm moldando o som das pistas dentro e fora do país. O segundo volume da nova fase, lançado em 13/3, reúne nomes como Solarce Brothers, Jame C, Panna e Analu.
Os artistas se conectam não apenas pelo estilo, mas por uma rede de trocas construída ao longo de anos entre estúdios, pistas e turnês. Em novembro de 2025, a gravadora lançou o primeiro volume da coletânea, reunindo nomes como Quant, Cesar Nardini, Linkage e Pricila Diaz.
Parcerias de longa data
Essa relação de proximidade com Mochakk aparece também nas origens dos convites. “Conheci o Pedro quando eu tinha uns 14/15 anos. Lembro de ficar muito feliz recebendo esses primeiros feedbacks da parte dele e me sentindo no caminho correto”, conta Jame C. Do lado dos Solarce Brothers, a conexão começou pela admiração: “A relação inicial com o Pedro foi de fã, mas fã mesmo. Sempre senti uma afinidade musical muito grande”.
Davi, do Solarce Brothers, concorda: “O convite veio de forma bem natural, como uma estratégia de criarmos um ecossistema entre nós”, explica Davi, do Solarce Brothers. Essa ideia se reflete na própria curadoria do volume, onde diferentes identidades sonoras coexistem sem perder coesão. Para Jame C, o elo está “na urgência por se expressar musicalmente e encontrar nessa jornada sua identidade e seu espaço”.
A faixa “One Woman Man”, colaboração entre Jame C e Solarce Brothers, sintetiza esse espírito. Nascida quase como um desvio criativo — “buscando fazer um lado B para uma outra faixa” —, a música rapidamente revelou sua força na pista. “Assim que a escutamos pela primeira vez, a gente sabia que tinha algo ali”, lembra Jame.

Brasil na pista
Se existe uma identidade comum entre os artistas do selo, ela passa inevitavelmente pelo Brasil. “A gente se inspira muito numa wave do final dos anos 90 e início dos 2000 em Ibiza”, diz Jame C, citando a influência da Circoloco, mas sempre atravessada por referências locais. Já os Solarce Brothers vão direto ao ponto: “Muita, muita e muita música brasileira”, além de nomes que vão de Black Sabbath a João Bosco.
Essa mistura ajuda a explicar por que a cena eletrônica brasileira vive um momento de expansão internacional. “Sem dúvidas, a nossa formação sociocultural diversa, cheia e única”, afirma Jame C. “Todo artista BR carrega um ímpeto de fazer algo diferente”, complementa Davi.
Nesse contexto, a MOTRAXX surge como um vetor estratégico. “É muito precioso fazer parte de um movimento com poder ímpar na disseminação da música eletrônica brasileira pro holofote internacional”, diz Jame. A expectativa é compartilhada pelos Solarce Brothers: “A gente enxerga como um catalisador real pra levar a música eletrônica brasileira pra fora, de um jeito mais amplo”.




