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MTV, YouTube e electroclash: o mundo de Noporn em 2006


Por:

Ana Laura Pádua

Fotos: Divulgação

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Em 2006, a internet ainda engatinhava, a MTV seguia como principal vitrine para novos artistas e o electroclash ocupava as pistas de dança. Entre passarelas, clubes, programas de TV e o surgimento de plataformas que mudariam a indústria da música, o Noporn dava seus primeiros passos e lançava um disco que traduzia o espírito daquele momento.

20 anos depois, o álbum de estreia da dupla ganha sua primeira edição em vinil pelo NRC+. A pré-venda já está disponível no catálogo, trazendo de volta um registro que ajuda a contar a história de uma das cenas mais criativas da música brasileira dos anos 2000. 

Na passarela

A 20ª edição do São Paulo Fashion Week apresentou as coleções de Inverno daquele ano e reuniu alguns dos principais estilistas do país. Entre os destaques apontados pela Folha de S.Paulo, estavam os desfiles de Ronaldo Fraga, Neon e Alexandre Herchcovitch, que ajudavam a redefinir os rumos da moda nacional. 

André Lima, estilista que teve papel importante na trajetória do Noporn e cujas críticas de desfiles inspiraram a faixa "Baile de Peruas", também integrou a programação. Na ocasião, a coleção foi recebida pela crítica com a avaliação que ainda precisava de um "sopro de renovação".

Vale lembrar que “Baile de Peruas” conta com versos retirados dos críticos de moda mais badalados da época, incluindo os antológicos: “Pretensão no blazer”, “momentos de falta de acabamento” e “escolheu a beleza errada” 

Noite elétrica

Enquanto o indie rock seguia em alta, outra sonoridade ganhava força nas pistas: o electroclash. Misturando synthpop, techno, electro e new wave, o gênero traduzia uma estética que aproximava música eletrônica, moda e artes visuais. Nomes como Ladytron, Peaches e a francesa Miss Kittin se consolidava como uma das principais representantes do movimento, enquanto a gravadora alemã Gigolo Records e as influentes coletâneas lançadas pela loja parisiense Colette ajudavam a espalhar essa sonoridade por clubes, festivais e pistas de dança ao redor do mundo.

Novo momento

São Paulo também vivia uma mudança importante na vida noturna. Os chamados "inferninhos" chegavam ao auge e consolidavam o Baixo Augusta como um dos principais polos culturais da cidade. 

Após o fechamento do Xingu, em 2004, boa parte do público migrou para casas como Vegas e Glória, que rapidamente se tornaram pontos de encontro de uma geração interessada em música, moda, arte e experimentação. Foi nesse ambiente que diferentes linguagens passaram a cruzar caminhos, formando o cenário que ajudaria a impulsionar artistas como o Noporn.

Vitrine MTV

A MTV Brasil ocupava um papel central na descoberta de novos artistas e na formação musical de uma geração. O canal investia em programas dedicados à cena independente e à música eletrônica, abrindo espaço para projetos que ainda circulavam fora do circuito comercial. 

Foi nesse contexto que "Ctrl+Alt+Del", primeira gravação do Noporn, entrou para a coletânea MTV Amp Electrobreaks (2005), organizada pelo produtor Dudu Marote. O lançamento nasceu a partir do programa Amp, dirigido por Erika Brandão, uma das principais vitrines da música eletrônica brasileira naquele período.

Virada digital

Enquanto clubes e canais de televisão ainda ditavam tendências, uma nova plataforma começava a transformar a forma como a música circulava. Lançado publicamente em 2005, o YouTube ainda dava seus primeiros passos quando, no fim de 2006, foi adquirido pelo Google por US$ 1,65 bilhão em uma das maiores negociações da história da internet. 

A compra marcou o início de uma nova era para a indústria musical, mudando definitivamente a maneira como artistas lançariam seus trabalhos e como o público descobriria, assistiria e compartilharia música. Foi ali que as bandas da época, incluindo o próprio Noporn, viram uma nova forma de divulgar seus trabalhos, mudando os rumos da indústria musical.

Por:

Ana Laura Pádua

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